quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

Si me siento latinoamericana?

Si me roban la plata como a las uruguayas
Si me saquean el oro como a las hondureñas
Si me matan de hambre como a las peruanas
Si me secan de sed como a las bolivianas

Si me comen hasta los huesos como a las argentinas
Si me chupan hasta la sangre como a las venezolanas
Si me tragan hasta el aire como a las chilenas
Si me quitan hasta la lengua como a las paraguayas

Si me arrancan los ojos como a las jamaicanas
Si me desaparecen las venas como a las panameñas
Si me devoran el cerebro como a las colombianas
Si me queman la piel como a las dominicanas

Si me quieren lejos como a las cubanas
Si mi quieren invisible como a las guianas
Si mi quieren pequeña como a las ecuatorianas
Si me quieren muda como a las nicaraguenses

Si me quieren sorda como a las salvadoreñas
Si mi quieren puta como a las puertoriqueñas
Si mi quieren esclava como a las mexicanas
Si me quieren pobre como a las haitianas

Si me quieren muerta como a las guatemaltecas,
Sí, me siento latinoamericana
y hasta después de que me muera
seguiré siendo de esta tierra.

Ellen Maria

segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

Contrato

Ser inteiro pode
só trabalho com o todo
mais com a metade
do dobro
também topo.

Ellen Maria

Todo fim de ano

cometendo as falácias de novas promessas
listá-las de modo a contemplá-las
não cumpri-las é a parte mais honesta.

Ellen Maria

terça-feira, 10 de dezembro de 2013

Solitária

Em terra de casa vazia 
design de interiores é rei.


Ellen Maria

quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

El Millón

Marco   Polo
Marco       polo
marco            Polo
y las maravillas
del aislamiento acústico.


Ellen Maria

quarta-feira, 27 de novembro de 2013

imagem

Sinto o vento enquanto
olho o barco no porto
Teu olho me vê no carro
O vento em meu cabelo seco
Meu olho que te vê
no espelho do carro
Sentimento molhado
Teu olho que molha
meu olho enquanto
O vento seca
o barco no porto.

Ellen Maria

quinta-feira, 21 de novembro de 2013

Altar. Atuar. Alta. Au tá!

"Quando aparece um amor que belo é assim 
Na redoma quero preserva-lo e tê-lo 
Tocá-lo, senti-lo e até enfim também sê-lo 
Até receber a resposta que seja um só sim 

Quando parece que esse amor é pra mim 
Pra mim mesmo me pergunto qual meu medo? 
Que me pára e me faz travar logo tão cedo... 
É a paúra de quebrar tão frágil marfim. 

Caço dentro de mim preciosa tranquilidade 
Afinal não há fim que não tenha começo 
E nem ansiedade que não tenha calma 

Aproveito o agora, a minha atual idade 
E faço o que posso pois me conheço 
E assim continuo caminhada de minha'lma... "

Felipe Ribeiro
Poesia escombro
poeira até os ombros
mas respira.

Ellen Maria

quarta-feira, 20 de novembro de 2013

Essa boca
cheia de dentes
você esconde
a boca os dentes e você
onde?


Ellen Maria

Máquina de escrever Maria

"Maria nasce quando a noite cai,
quando cai o corpo nas profundezas de si -
ruminando maravilhas
quedas em tristes fins
É sempre em tê-la por perto
Intocável atrás das pálpebras.
Têm em Maria todas
As cores que escreveria.
A máquina que criou Maria
Não tem tempo nem forma:

é uma borra."

(Flávia Santos)

terça-feira, 19 de novembro de 2013

insônia

colirio meus olhos
vermelhos pingo
s e não vingar tento
com vinho tinto e deu:
durmo.

Ellen Maria

meu

amigo,
só a lua
míngua
a mágoa.
só o tempo
tampa minha
tristeza
e a tua.

(para Daniel Barboza)


Ellen maria

quinta-feira, 14 de novembro de 2013

Querer ter

"O ponto chave que não é outra coisa que a rica abundância da particularidade do mundo interior, se é que algo assim existe e não esses quartos fartos de palavras, de falsos espasmos e prazeres verdadeiros, mas não menos efêmeros e cabelos, muitos e compridos cabelos castanhos grudados aos lençóis junto com o cheiro, o meu cheiro – isso dizem – que eu mesma desconheço. Isso, a umidade e a música e a estúpida pugna pela janela seja aberta ou fechada. E eu faço essas coisas, ver e fazer que não vi, esperando que a situação se resolva sozinha e assim uns minutos até, ao ver que nada aconteceu, me forçar a intervir e aparecer. Agir é executar e trepar é morrer, dizer trepar é uma forma de distanciar e distanciar é minimizar, minimizar é se preservar e se preservar é querer morrer um pouco menos. Agir é matar e trepar é morrer, quando a consciência da carne, da materialidade, da fetidez, é tão evidente. A proximidade, a evidência da carne, a contundência da carne que – ainda assim – pode voar em mil pedaços, se desvanecer ou se envenenar ou se despencar ou se projetar e cair sobre as pedras e sangrar até morrer. Como o monge. Sinto suas mãos sobre meu corpo quente semidesnudo, como pinças que aprisionam todos e cada um de meus membros, me prensa, suas garras me prensam e só penso em me safar das toneladas que sua demanda deposita em minha nuca, justo aí, nesse lugar, o mais vulnerável de todos: só de eu tentar me incorporar me desnucaria, minha cabeça ficaria prensada sobre o asfalto sob o peso o peso do desejo, do teu desejo egoísta de possuir, de querer ter e não só tocar, mas também engolir, engoli-lo tudo faminto guloso, não queira lamber nem uma mínima porção de minha miserável figura, não ouse desejar ser dono de nem uma gota de meu suor ou de meus gemidos nem sequer está permitido imaginar querer ter querer ter haben wollen haben wollen haben wollen, não será demais? Tanta gula não pode levar a outra coisa senão ao fastio e no melhor dos casos, ao vômito. Achei que você sabia que eu sim valorizo as palavras, não só as coleciono mas também as recordo e as coleciono, as coleciono e as cuido, cuido delas e por isso te peço que em ocasiões futuras recorra a elas com mais cuidado, com muitíssima segurança, porque se não pesam, pesam sobre as nucas quais quilos de ansiedade, ansiedade e atropelo e um carinho tão mas tão atropelado".
(Querer tener, do livro Vos me querés a mí? - Romina Paula - tradução Ellen Maria)

quarta-feira, 13 de novembro de 2013

um pouco

Amar de novo é
ganhar o céu
sem perder o chão.


Ellen Maria

Por que o senhor atirou em mim?

Sobram cruzes
fuzis e sangue.
Vazam vozes
fuzis e sangue.
Faltam luzes
vida e poesia.
São Paulo, esvazia
os bolsos não porte
balas só cores.
Nenhuma parede
suporta o cinza.

Ellen Maria

Lista de presentes

Mais gargalhadas que tímidas risadas
Mais amigos em pé que família sentada
Mais música velha que hits da última parada
Mais refrigerante e água que cerveja gelada
Mais lasanha quatro queijos que macarrão a carbonara
Mais pés descalços que sandálias calçadas
Mais gravatas na testa que camisas abotoadas
Mais momentos eternos que fotos clicadas
Mais abraços sinceros que lembranças embrulhadas
Mais esperança guardada que paixão declarada
Mais ansiedade por mais diversão que felicidade pela certidão
e muito mais sentimento do que rende uma festa de casamento.

segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Pulp

Sobra
presentes
no meu presente.


Ellen Maria

sexta-feira, 1 de novembro de 2013

sabrosa anatomia

chupando la panza
besando cachetes
lamiendo rodillas
mordiendo codos
y llegando a conclusión
de que sos todo
un gran pedazo
de carne con huesos
de primera calidad.

Ellen Maria

el ruido del ascensor

para eme.
Que sí, me decías
y nos besábamos
y yo no podía creer
que estuviéramos tan cerca uno del otro
y me contabas donde habías pasado tu infancia
y el último año nuevo
me brillaban los ojos
y me despedí en la puerta del ascensor
después pensé que alguna vez
entraría en tu casa
apretaría la mano de tu padre
y le diría que pasé el año nuevo
muy cerca de su hijo, le diría
en la misma playa
quizás él sonreiría
y que quizás en el próximo
te besaría al abrir la puerta del ascensor
quieres tener un hijo conmigo
alguna vez?
que sí, me decías
y nos besábamos...

Ellen Maria

dia de finados

o assum preto veio
pássaro abutre
velho
urubu agouro
carniceiro
vejo
rondando a sua casa
o tempo inteiro
algum assunto
pra tratar tem
agora ou passa
no ano que vem.

Ellen maria

si em pre

Que fique ciente:

ciúme não acaba
nem tem prazo
de validade

não há esquecimento
quando não passa...

o tempo
nenhuma maturidade

é suficiente!

quanto leva pra maioridade 
um velho sentimento?

Ellen Maria

segunda-feira, 28 de outubro de 2013

Não se nasce mulher, torna-se.

Simone de Beauvoir estava certa. Nasce-se do gênero feminino, mas ser mulher é uma ação (/estado/essência) que precisa de tempo, consciência, e vários outros fatores, internos e externos. É questão de sentir, lutar e conquistar esse direito. Uma das coisas que me fez pensar nisso essa semana foi um momento ínfimo e discreto na faculdade. Uma discussão tomou forma na aula do mestrado, e entre os dois professores e os quatro alunos, duas posições diferentes foram levantadas. Eu tomei um partido, e outra aluna, aparentemente da mesma idade que eu, tomou outro. A discussão ficou bastante interessante, com argumentos sérios de ambos lados, até que depois de uma fala um pouco confusa da moça, levantei a mão e disse: "Mas aí você está se contradizendo". E comecei a discorrer meu ponto de vista. Ela que, visivelmente, levou para o lado pessoal, fechou a cara e a partir desse momento, passou a contestar qualquer coisa que eu dizia, até bobagens que nem faziam parte do assunto coletivo.
Tornar-se mulher também é tornar-se adulta. Descobri nesse instante: quando percebi que era capaz de não alterar minha postura nem ficar ofendida com ela, quando percebi que não estava interessada em responder as grosserias da menina, que mesmo sendo da minha idade, ainda precisava se afirmar na sala de aula, diante dos outros, e eu já não senti necessidade de nada disso. Saí da sala me sentindo mais velha que ela e também adulta, por fim.
No corredor ainda, quando acabou a aula, me lembrei de um episódio que aconteceu num simpósio anos antes, quando vi uma conferência de um espanhol e uma argentina, ambos já conceituados na área acadêmica. O espanhol levantou hipóteses em sua fala que a mim e a outros na platéia (vi pela cara que uns faziam) pareciam absurdas; eu, na cadeira, comecei a me exaltar, mesmo em silêncio, (já que não podia participar), e entrei em pânico querendo estar no lugar da argentina, para responder de imediato as ideias incoerentes do homem. No entanto, a argentina, mais velha e mais experiente que eu, deixou ele falar o quanto quisesse, e depois, mesmo não concordando em absolutamente nada que ele postulou, respondeu num tom ameno, usando palavras muito educadas, e soube se posicionar num ato de tamanha elegância e que me deixou de boca aberta: ela falou tudo o que eu queria falar, mas da melhor forma possível, e ainda falou de muito mais, que eu não fazia ideia. Saí do simpósio, ao final da conferência, confessando a uma colega que eu nunca poderia ter esse tipo de atitude que a argentina teve, que na verdade eu tinha tido uma vontade louca de pular no pescoço do espanhol, pra mostrar pra ele que era uma loucura tudo aquilo que ele tinha dito. O que minha colega respondeu que um dia eu iria conseguir reacionar como a argentina, e "colocá-lo no lugar dele", disse, que só me faltava mais maturidade e paciência, mas que o tempo se encarregaria de me formar. Na época pensava que minha colega estava enganada, que era alguma coisa de personalidade, que eu sempre seria explosiva e defenderia com unhas e dentes minha opinião.
É... o tempo me mostrou que a enganada era eu. Hoje, ao menos, compreendo, que ser adulta não é só ter correspondência chegando em meu nome, não ter vergonha de comprar camisinha e absorvente na farmácia, decidir meu voto e se esse mês vou menstruar ou juntar uma cartela de pílula com outra. Ser adulta é resolver não comprar uma briga, quando não tem importância, ou saber comprá-la, sem cair do salto.

Ellen Maria

Um, dois,

Te chamo pra festa,
tímido você titubea
mas avança.
Me gira com graça,
me abraça sem pressa
me ergue e balança.
Me pede uma pausa
(sei que essa coisa
de salsa te cansa)
e uma proposta te lanço:
Me leva pra casa
te ensino uma valsa
onde você me alça
e eu te canso.
Aceita ser meu par
em mais essa
contradança?

Ellen Maria

sexta-feira, 25 de outubro de 2013

banho, mesa e cama.

casa limpa
lençol trocado
unha feita
cabelo lavado
calcinha nova
saia passada
feijão no fogo
carne assada
tevê ligada
te espero sentada
te espero sentada
te espero sentada...

Ellen Maria

quinta-feira, 24 de outubro de 2013

Mujer, a poco.

No hago caso
si me equivoco
me importo poco
si te incomodo.

De mi carga
me encargo
desde la cama
hasta el orgasmo.

Ellen Maria


quarta-feira, 23 de outubro de 2013

Questão de Ordem

Mas quando a casa
cai, o mascarado
descarado
quer emprestado
uma cara
a tapa, coitado
quem usa máscara,
do meu pão, não
merece a casca.

Ellen Maria

silêncio & som

Se o que sinto
é sincero
não minto
berro.
se meu ouvido
ouvir meu eco
não carece!
volta pra mim
o que quero dar
a quem merece.


Ellen Maria

terça-feira, 22 de outubro de 2013

Qué es un amor merecido?

Qué es un amor merecido?
un amor multiplicado
o un amor dividido?
un amor sembrado
o un amor florido?
un amor abortado
o un amor parido?
un amor atrapado
o un amor huído?
un amor diseñado
o un amor cosido?
un amor declarado
o un amor prohibido?
un amor perfumado
o un amor hedido?
un amor soñado
o un amor vivido?
un amor de paso
o un amor marido?
un amor desnudo
o un amor vestido?
un amor sólido
o un amor líquido?

Ellen Maria

sexta-feira, 18 de outubro de 2013

geléia viva

sedenta
ela fez toda
uma festa
ele era todo
bem-vindo
até que o fim foi vindo
até que o fim foi sendo
e a festa dela
que não queria acabar
não pode durar
e o que era muito
virou pouco
e acabou
cedendo.


Ellen Maria

segunda-feira, 14 de outubro de 2013

ele/ela

"Flávia? Oi. Vc tá falando com quem? Com o Alan. Hummm... Pergunta se ele vai no Belas Artes. Ele disse que vai. Ta, deixa eu falar com ele depois. Alô, Alan. Fala Juliano! Então você vai no belas artes? Vou sim. Vamo aê? Ah então, não vou. Mas queria que vc me fizesse um favor meio estranho. Fale. Então... preste atenção lá. Se você ver uma garota baixinha e com cara de brava, pergunte se o nome dela é Ellen. Se for, fale que o Juliano mandou um abraço!... ou melhor, um abraço só não. Um abraço e um belo de um beijo, ok?... Como assim? Haha, então, preste atenção apenas. Beleza.
Será que é ela. Ah, desencana. Se bem que parece. Parece com aquela foto em que ela está de cabelo molhado. Nossa, bonita ela. Mas não deve ser. To olhando e ela não faz nada. Desencana. Não. Ai. Juliano! Tá na hora! Vamo pro milo ou não? Vamo, vamo. Não. Vai lá, porra. A Megera Domada. 2005. Direção de Davi Richard e lembrou dela. Fale que você outro dia ouviu kings of convenience e lembrou dela. Tímido. Oi, seu nome é Ellen? Encabulado. Tudo bem? Confuso. Não me lembro que se foi assim que cumprimentei. Rápido. Confuso. Quente. Ela estava suando. Achei engraçado, mas quando olhei eu também estava. Molhado. Foi bom. Bem bom. Cheguei em casa, exausto. Estou exausto. Durmo ou não durmo? Não dormi. Não na hora. Fui na padaria primeiro. Comprei e comi pão de queijo. Agora sim durmo."

Juliano Domingues

domingo, 13 de outubro de 2013

perjuicio de clase

La gente cool apesta
pero apuesta en la buena esencia
su estética se vende en dolar
su perfume se compra en Francia.
Paga mucho por la alta costura
y hace de su terapia,
tema de literatura
se analisa porque confunde
antojo con locura
cocaína con morfina
comedia con tragedia
o con otro género de aventura.
Y detesta fritura,
sea de vaca o gallina,
pero si le da la gana,
come guano
o lo que sale de la tina.
La masa para ella
es pura basura
solo lo que considera
arte es su cultura pura
lo resto es mera
imitación, mierda, usura.
Pero silencio, criatura!
la gente cool censura
y adoctrina
(aunque con fina blandura)
espejo de su cara
clásica, plástica
estúpida y cretina.

Ellen Maria

segunda-feira, 7 de outubro de 2013

ser nieta

Nunca pude saber
si su padre quiso ser mi abuelo
porque su hijo nunca quiso ser
mi padre.

Ellen Maria

domingo, 6 de outubro de 2013

último deseo

un pedazo de carne
un trago de vino
un trozo de pan
un sorbo de agua
si el asado es un pecado
y la gula es mi condena
del chorizo más un bocado
voy al infierno de panza llena.

ellen maria

segunda-feira, 30 de setembro de 2013

La maceta posmoderna de Kant

Veo las flores en la pantalla
aquellas que yo misma cultivé
la cortina entreabierta de mi sala
deja pasar la luz natural
fotografio y las descubro bellas
subo en mi red social
recibe miles de miradas
y de likes, incluso el mío, no niego
de semilla a adorno virtual
La experiencia estética me ciega.

Ellen Maria

escena y escenario

Mi cuerpo recién nacido
se despierta en fiesta
de las profundezas del sueño.
Eres tú que me libertas
con un buen día, te quiero,
de un mundo donde andantes
caballeros me piden dinero.
No sin antes un sexo mañanero
vuelvo a mi cotidiano sin sentido
y en mi cuarto abandonado
solo resta nuestro recuerdo,
en la cama libros y un cigarro
medio fumado en el cenicero.

Ellen Maria
a Lorrayne França.
Não se mede uma amizade
pela quantidade de encontros
fotos sacadas, favores pagos
e jantares compartilhados.
Não se mede uma amizade
pelo tamanho das cartas
pelo tempo gasto de ombro doado
pelo espaço dado de uma vida.
Não se mede uma amizade
pela barraca dividida
e os grãos de arroz comidos
mesmo que queimados.
Não se mede uma amizade
porque é simplesmente amizade
sem medida, uma só face de dois lados,
sem conta, regra ou justificativa.

Ellen Maria

sexta-feira, 27 de setembro de 2013

Primeira foto

para eme.
Não tem gramática que sustente
letra de música que represente
ou legenda que oriente
O que foi dito naquele instante
não se guarda na estante,
detalhe secreto importante.

E o que sobra, somente
um tempo retirado, pequeno espaço
enquadrado uma miligrama do
ambiente postado no instagram
a foto: da pipoca
conversando com o elefante.


Ellen Maria

desayuno

no hay sonrisa que no se apague
ni vaso que no se desborde
no hay historia que no se acabe
ni paz que no se descontrole.
pero mientras te ame,
no nos faltará guacamole
ni azúcar, ni sal,
ni mucho menos salame.

Ellen Maria

terça-feira, 24 de setembro de 2013

blanco

Un beso, con mi mano
te escribo un poema, 
en tus labios.


Ellen Maria

Verbete II

Un chico chocho es como
aquel lloroso gordo
que nació del encuentro
de la lama con el lodo.

Ellen Maria





Verbete I

Una chica piola es aquella
que de la risa se llena
y del llanto hace rola.

Ellen Maria


correte

Recibí una gravísima multa
por andar deprisa en la ruta
pero eso no fue peor
que encontrarte a vos, querida,
con aquel grandísimo hijo
de puta.

Ellen maria

Érase una vez

Sabía, sabía, siempre lo supo
que de esta historia no sería
la caperucita, sino el lupo.


Ellen Maria

terça-feira, 17 de setembro de 2013

A mi lector, yo.

Gastaba miles con mis crisis
de ansiedad
que ya me hizo generar
una maldita gastritis.
Que ironía
me hacía sufrir la vida
antes mismo de vivirla.
Hoy escribir poesía
es mi garantía
de un cuerpo sano.
Y escribir ficción
es mi reivindicación
por ser humano.
Si bien que
si no fuera la condicional
y saber que sólo existes
en mi papel,
ah... tantas cosas te haría.

não ter e ser

Mas o chato mesmo de perder você
é voltar a chorar feito bebê
ao ver o parto deles na tv.

Todo fim de namoro
tem um pouco de aborto.

Ellen Maria

pastiche (pra ler alto e rápido)

Tenho guardado dois sapatos engraçados
que nunca foram engraxados
palavra!
um par
sem língua de palhaço
com o cadarço esgarçado
e a sola gasta
palmilha furada
tenho dois sapatos engraçados guardados
e olha que desgraça:
eles me acham mó
sem graça.

Ellen Maria

oliendo a cera

quien tapa los oídos
con las manos
quien tapa los olvidos
con las manos
quien tapa los oídos
con las manos
quien tapa los olvidos
con las manos
quien tapa los oídos
con las manos
no consigue escuchar
ni abrir
a quién toca la puerta.

Ellen Maria

soy toda oídos

Van Gogh
Holyfield
Y hay quien con dos
no escucha.


Ellen Maria

quinta-feira, 12 de setembro de 2013

Puesta en escena

Dado que el espejo solo
refleja mi propio rostro
lo rechazo

soy más que un rostro
a espera de otro
para ser amado

dado el expuesto
me reservo el derecho
de seguir chocho
por más un rato.

ellen maria

21 maneras de leer un siglo

"La poesía, al igual que la vida, tiene sus manchas de negro puro, sus interiores más lejanos donde el significado destella de manera oscura, y debe permanecer en esa oscuridad si en verdad quiere tener significado. Usted sabe si es un buen poema o no si esas manchas oscuras irreductibles son complemento de su experiencia en su totalidad. Ruth Pitter escribió una vez: “Nuestras únicas oscuridades… deberían ser aquellas por las que somos golpeados, entonces una especie de bendición puede descender, haciendo tal oscuridad mágica.”
“Leer en silencio es la fuente de la mitad de las ideas erróneas que han causado que el público desconfíe de la poesía.” Esto es Bunting otra vez. Es una declaración que vale la pena tener en cuenta al momento de leer cualquier poema con el que nos encontremos.
Una de las cualidades esenciales para ser bueno en la lectura de la poesía es también una de las cualidades esenciales para ser bueno en la vida: la capacidad de sorpresa. Es fácil llegar a estar tan sumidos en nuestros gustos o disgustos que no podemos recordar más a esa persona que alguna vez respondió a los poemas- y a las personas- sin ninguna idea preconcebida de las que queríamos que fueran. La ironía es que uno de los poderes de la poesía es reanimar una realidad que ha encanecido por nosotros, o tal vez no encanecido, tal vez perfectamente agradable pero inasible de alguna manera, los días pasando tan rápido al pasado como imágenes vistas desde un tren. El tiempo parece acelerarse a medida crecemos porque el cerebro se habitúa a sus circunstancias y sus alrededores-las cuentas a pagar, el ir y venir del trabajo, el beso de buenas noches en la mejilla- y parte de él se apaga. Luego levantas la vista y una década parece haberse escurrido a través de tu dedos. “Y, sin embargo, las formas en que se nos van nuestras vidas”, escribió Randall Jarrell, “son vida.”
La poesía corta perfectamente esta visión (como la línea de Jarrell, por ejemplo), de dos maneras. En primer lugar, simplemente nos da acceso a un nuevo mundo y una nueva experiencia (quizá usted estaba familiarizado con la fabricación de lápidas Norteumbrianas antes de Bunting, pero yo no lo estaba), en segundo lugar, y más importante, le da vida a las vidas que creíamos conocer, las retrasa, o nos da ojos más capaces de percibir su paso. Nos hace ver la extrañeza latente dentro-y sentir nuestros espíritus dormidos debajo-de un hábito ordenado."

Círculo de Poesia

Perdoná la hora, pero

Flavia,
lleváme
a Mar del Plata
a tu rancho
con este garcha
no vivo más.
Lleváme, Flavia
a otro lado
al mec donalds
a comer pancho
cualquier chancho
me sirve más.
Comparto cuarto
y ensucio poco
y si me equivoco
pido perdón
pero, Flavia
insisto
lleváme, Flavia
a algun sitio
donde loco
no haya.

Ellen Maria

Eva de boca llena

Prefiero ser condenada al infierno
por tener manzana entre los dientes
que seguir encadenada
comiendo uvas en el paraíso.

Ellen Maria


domingo, 8 de setembro de 2013

Fórmula: (Per)feita

para Daniel e yasmim.

Vai. Pode nascer.
Mas nenhum amor se mantém só
hermético, epiléptico
entre quatro paredes

Só o ar vindo de fora
das janelas e portas
e cortinas abertas
faz o amor cristalizar

É o elemento dissolvente
essas partículas químicas
que não se entende
que não se vê
mas se sente
que nos faz ser.

Enche o pulmão e respira
o amor é feito fluido
conteúdo orgânico
efeito da combinação rarefeita
da minúscula matéria de vida
Carbono pro bono.

Ellen Maria

sexta-feira, 6 de setembro de 2013

Hipermetropía

Cuando te entrego un poema en vos inspirado
guiño el ojo derecho a la luz del velador
mientras entrecierras los tuyos 
casi ciego que sos
y mi izquierdo llamado deseo 
queda entreabierto 
para ver la sonrisa 
latiendo en tu lectura
pausada
al final siempre me dices algo
como muy bueno o interesante
aunque cuando sacas los lentes
no necesitas palabra
tus elogios vienen de las sombras.

Ellen Maria

Chegou!

"Às vezes um poema é o beijo que chega antes da boca."
(Sergio Vaz)


quinta-feira, 5 de setembro de 2013

Sonoridades del otro

"Que un río mire y reflexione y sienta pareciera una antigua impostura de los poetas, pero en el poema la verdad no es una adecuación de las palabras a los fantasmas de las cosas, sino la mayor ampliación posible de una eficacia, la potencia del infinito del lenguaje actuando sobre el destino de cada uno." 

(Silvio Mattoni)

terça-feira, 3 de setembro de 2013

arte poética

No hay receta para ser poeta
basta mirar para todo lo que está
entre dos puntos de una recta.


Ellen Maria

domingo, 1 de setembro de 2013

Terapia coletiva

Dele só me sobra
memórias defeituosas
fósseis de fratura exposta
pormenores menores
de uma história de bosta
E se falo dele
ninguém gosta,
mas insisto
sou masoquista convicta
a traumatologia imposta.

Ellen Maria

sexta-feira, 30 de agosto de 2013

A mor ao rés do chão

(poema pra ler sentado)

Quero um homem que me coma
(e olha nos olhos do leitor)
em várias línguas dubladas
e me frite um bife acebolado
cada vez que eu ler em voz alta
não me interrompa
(grite!)
e me belisque sempre
pra eu voltar a sonhar desperta
e diga a coisa certa
no momento errado
pra eu lembrar que faz falta
as vírgulas, (cara de vários pontos de exclamação),
rir pelo leite derramado.
Quando o amor nasce
ao rés do chão
se multiplica mais rápido.

Ellen Maria

Libertar demonios y agonías literarias.

La ventaja de hacer poesía con todo el cuerpo es el vacío incondicional del momento siguiente. 
Como un hormigueo en la nariz que tarda en transformarse en estornudo, 
pero una vez fuera, ya no molesta, 
ya no es parte de mí.

Ellen Maria

quinta-feira, 29 de agosto de 2013

per omnia saecula

Te juro, amor
não te deixar sozinho
quando os corpos passarem
não desfiar a memória
quando os relógios pararem
não me perder no caminho
quando as pedras rolarem
Teu amanhecer comigo
nunca será mais noite que a noite.

Para Carlos Drummond,
que não era deste mundo.

Ellen Maria

Soneto da pós modernidade

O soneto? foi sonegado,
por falta de pagamento
de impostos E aposto
que não duraria o sentimento
pelo número de versos, sabe?
fidelidade? ah...
vaidade, Vinicius,
virou cartão de viagens.
Passagens de amor eterno
custam mais caro que promessas
à praia deserta.

Ellen Maria

terça-feira, 27 de agosto de 2013

Do claustro a pia

Não dá pra por o filho de novo no ventre
Não dá pra por o vômito de novo pra dentro
Não dá pra expor o íntimo e sair isento
Tinha que sair, saiu a tempo:
o filho morto, o gosto fétido, o sentimento.

Ellen Maria

Aviso

Caro leitor
não se sinta ofendido
nem adulado
se um poema meu
estiver a você destinado
meu eu-lírico
às vezes pudico
às vezes tarado
só diz o que diz
porque no papel
se sente liberto
pra mentir certo
pra falar errado
Levar a sério poesia
é coisa de perturbado.

Ellen Maria

Té para tres

Y si te escribo un poema que hable de amor
oirás vos?
al menos un poema
ya que me falta voz.

Cena:
Y cuando al maíz le falta sal
lo echamos a la olla con sazón
Después lo comemos con más ganas
La espera produce más salivación.

Entrada:
Corazón pendejo se enamoró otra vez
Y de un buen tipo que habla portugués
Por suerte escribo en español fluido
Ya que amar quien ama otra
no tiene ningún sentido.

Primer plato:
Es verdad que no me gusta estar en esta situación
Mejor que me vaya, antes que haya traición
La hora es ahora: sin dar ninguna explicación
Pero el punto es (como decía la canción)
Uno no elige de quién se enamora.

Segundo plato:
Que tu novia no me escuches
Aunque te prefiero soltero
Pero antes la mitad
que pa' ella tú entero.

Vino para acompañar:
No me alcanzarás la mano para este baile?
una valsa que termina en olvido
A las doce, cenicienta vuelta al barrio
y tú vuelves solo... a ser mi amigo.

Postre:
Y pensar que esta historia sólo existe en mi cabeza
y después de la comida ya está todo acabado
miércoles que viene en la misma mesa
Escenas inventadas de un romance destrozado.

terça-feira, 20 de agosto de 2013

Lavando a salada

minhas ações
abjeções
abstenções
correções
cogitações
criações
declarações
doações
exceções
frustrações
implicações
limitações
meditações
menstruações
negações
orações
ovulações
ponderações
rejeições
ops, preocupações:
meu feijão, no fogo.

chute no útero

Ser desejada
ser calada
ser lambida
ser tomada
ser querida
ser ouvida
ser falada
ser amiga
mas ao mesmo tempo não ser 
digna de ser
amada. 

Sentimento ruim esse
que começa na vulva 
e termina no cérebro.

Amizade colorida é 
sem dúvida
a pior invenção do século.


Ellen Maria

domingo, 18 de agosto de 2013

arroubamento

Se tem mais fora que dentro
se o de dentro é o mais de fora
se tudo acontece ao mesmo tempo
agora não tem mais dentro:
botei pra fora meu sentimento.

(para Paulo Leminski
que não tem cabimento)


Ellen Maria

sábado, 17 de agosto de 2013

La cosa

"Ando con una fijación: la cosa. 
ya dije muchas veces que no hablo de la cosa esa que tienen ahí dentro del pantalón algunos, ni la cosita que tenemos nosotras.
tampoco de la cosa en sí kantiana que, a decir verdad, qué mierda nos importa si es incognoscible. yo ya abandoné a kant, al cielo y demases.
la cosa es que me pregunté cuál era la cosa qué más quiero en el mundo, y cuando me respondí me di cuenta de que no eran cosas sino seres humanos o inhumanos, porque vamos, ¿acaso no amamos también a los faltos de humanidad? Digo, yo a los ropes los re quiero, sacan lo mejor de mí y ponen lo mejor en mí. Pero volviendo, uno siempre dice cosas como STOP: uno dice cosas? Bueno, uno siempre dice: tengo un montón de cosas para contarte. ¿Pero son cosas las que uno cuenta? 
"Estaba pensando entonces en las cosas que me pasan con vos, como si me pasaran colchones, camas y hojas; o las cosas que hacemos juntos, como si hiciéramos estantes, manzanas y camperas; o las cosas que tenemos en común que recién recuperan su sentido de objeto cuando hay que dividirlas: mía la mesa, tuyo el sillón. qué hacemos con el perro?"


Natalia Rozenblum

segunda-feira, 12 de agosto de 2013

Torres

"Não pensem que as torres desaparecem assim, que nos livramos delas. Inquietam-nos. Caem sobre as nossas cabeças ou contemplam-nos, imóveis, implacáveis. E imaginava eu que mal reparara nela. É assim: estamos diante das coisas; não as vemos. Só mais tarde, absurdamente, sabemos que apenas fizemos isso: vê-las e possuí-las. E ser apanhado por elas. Era julho. Um clarão de luz caía sobre a cidade, vinha por trás e batia-me nas costas, despenhando-se no quarto como uma onda de água. Quarto ascético. Paredes nuas, cama de ferro, uma prateleira para livros, a cadeira, a mesa. No chão, a minha mala ainda por abrir. Teria eu uma vocação? Qual seria? Que fazia eu nesse quarto? Que significava tudo isso?"


Herberto Helder.

quarta-feira, 31 de julho de 2013

ingravidez

O sol me queima na praia
perco o filho que nunca tive
me desespero
crendo que ninguém mais nascerá
que nada mais fertilizará

A maré o leva embora
anoitece
ninguém nunca nada
nem se afoga

e a maré o traz de volta
Me entrego a chuva
sangro
e volta o ciclo
A lua me testemunha

ainda que amanhecida
A areia molhada
no dia seguinte
não deixa secar
minha cansada
e ingrata

esperança.

osadía

"Escribir es mi única osadía:

bien vale dorar un cebolla,
un pedacito de cebolla morada,
desteñido en la manteca
para olerlo.

La soledad es mi única osadía:

bien vale estirar el mantel
sobre la mesa
preparar el plato azul
y los cubiertos

y masticar mirando la ventana".

Carina Sedevich

sexta-feira, 26 de julho de 2013

a poeta e a personagem

Só não doía enquanto dormia
e ela doía muito
e ela dormia pouco
Mas aí tinha pesadelos
e ela andava andava andava
e ela não sabia porque andava
Decidiu então encontrar alguém
e a encontrou
e a dor da vida passou.


Ellen Maria

domingo, 21 de julho de 2013

Do meu frasco de segredos

Depois de um dia de muito calor, antes de tomar banho, passo o dedo indicador direito no meio dos seios, a palma da mão esquerda no pescoço, e coço o couro cabeludo com todas as unhas. E no nariz, quando levadas as extremidades dos membros superiores até ele, fica uma mescla de vários cheiros bons, e meus. Depois ela desaparece e quando saio da ducha, dentro do banheiro só sobra vapor e intimidade.


Ellen Maria
“El poema neutraliza (o cataliza) un sentimiento, una comunicación, un grito. Mediatiza, al prestarme por un instante esa jerarquía de observador que me da la impotencia necesaria para no participar (…) un filón de tiempo, un compás de espera. (…) consumo el espectáculo donde también soy parte (…) pero el sujeto se aleja y el texto queda debajo de mi mano. El texto y el sujeto intimidados ambos por una postura que los enfrenta, sobreviven cada cual a su manera”. 

Reina María Rodríguez.

quinta-feira, 18 de julho de 2013

Mi querido cuchillazo

"Ya no es mágico el mundo. Te han dejado. 
Ya no compartirás la clara luna
ni los lentos jardines. Ya no hay una
luna que no sea espejo del pasado,

cristal de soledad, sol de agonías.
Adiós las mutuas manos y las sienes
que acercaba el amor. Hoy sólo tienes
la fiel memoria y los desiertos días.

Nadie pierde (repites vanamente)
sino lo que no tiene y no ha tenido
nunca, pero no basta ser valiente

para aprender el arte del olvido.
Un símbolo, una rosa, te desgarra
y te puede matar una guitarra."



Jorge Luis Borges

quarta-feira, 10 de julho de 2013

Ay Cornelia...

"Cuando era niña se sentía viejísima. Trató de arrugarse la cara. 
Cuando era vieja se sintió muy joven y quiso desarrugarse, 
pero le sobró tanta piel que se mandó 
hacer otra persona que la destituyó."


Silvina Ocampo

quinta-feira, 4 de julho de 2013

Sobre o conteúdo, Depois de Clarice

O barulho do sol acordando
A voz da lâmpada acesa
E o amarelo derretendo em meus braços.

Ellen Maria

Sobre a forma, Depois de Clarice

O ovo cozido
A galinha no poleiro
e o milho preso no meu dente de trás.

Ellen Maria

quarta-feira, 3 de julho de 2013

La poesia vivirá

aunque nadie me escuche
y vea la oscuridad
aunque el agua siga subiendo
y me duela el cuerpo
aunque el rechazo se mezcle con el olvido
y nazcan ratas
aunque me pidan caos
y se haga un hoyo en el piso
aunque me muera en la fuga
y alguien me hable
aunque vea la luz
y el agua siga bajando
aunque me duela el alma
y el abrazo se mezcle con el recuerdo
aunque nazcan flores
y me piden silencio
aunque se haga el amor en el piso
y me muero en la espera
La poesia vivirá

Ellen Maria

Avião boliviano na Europa

E há quem acredita que já somos independentes.
E há quem acredita que ainda são colonizadores.
Quem duvida?
Há já morte em vida.
Há ainda vida na dúvida.
E um bom piloto, caso haja
pouso de emergência.

Ellen Maria

quarta-feira, 26 de junho de 2013

O professor

Era um daqueles mais conceituados em seu departamento. Bolsas de estudo lhe eram concedidas sem esforço e para seus orientandos, além de premiações diversas e alguns livros publicados. Um, inclusive, estava sendo traduzido. Tinha a vantagem de ser o primeiro professor da área a escolher a grade horária das matérias que lecionaria na graduação e na pós, e ainda com uma penca de alunos na lista de espera, ansiosos para assistí-lo ao menos uma vez por semana. Chamado para muitas reuniões e convidado para conferências em várias universidades no exterior, mal tinha tempo para tomar uma cerveja vendo uma partida de futebol ou beijar na boca. Quando se olhava pelo reflexo no vidro do carro, se via mais velho do que se sentia por dentro. Mas o cansaço sim era real. Alguns de seus companheiros já lhe perguntaram por que razão não tirava férias nunca, e outros mais chegados, se ele não tinha intenção de se casar de novo. Divorciado há mais de sete anos, com um filho que vivia com a ex mulher, na mesma cidade, em bairros próximos. Não o via com a frequência que queria, mas sabia que era um bom menino, estava feliz e que gostava de ler, apesar de tanto videogame. Não tirava férias porque não estava acostumado a isso. E já viajava o suficiente. E não, claro que não, ademais, casaria com quem? Algumas noites depois das aulas, lia os alemães. Outras, os russos. Acreditava que a mulher ideal era Kirillov, de saias, e com grandes lábios. Muitos papos sérios, chá à tarde e vodka à noite. Dispensava a literatura fantástica. Era ateu, mas gostava de pensar na ideia de Deus quando lhe convinha, e sabia que sua veia politizada se contentava nessa idade com uns artigos postados em seu facebook. As vezes, após o jantar, entrava na internet e buscava filmes antigos para ver no sofá. Anos 30, 40, 50. Depois imitava as grandes atrizes, gestos e trejeitos, e treinava seu melhor inglês americano no chuveiro. Espetáculos aquáticos para si mesmo. Seu espelhinho para fazer a barba servia de câmera. Uma mulher travestida de homem podia ser sexy, mas um homem vestido de mulher era cômico. Só de imaginar suas pernas peludas comprimidas por um vestido curto já ria de si mesmo e enquanto tinha imaginação suficiente para se masturbar sem apelar para a lembrança de suas belas alunas cruzando as pernas na sala de aula, aproveitava. Não, não queria passar a ser esse tipo de professor. Se secava e abrindo o guarda-roupa, buscando um pijama, fingia ser a super-mulher, o que uma vez pensou ser seu alter ego, a versão feminina do personagem de Nietzsche; que escolhia sua melhor peça, rodeada de plumas, subia de salto alto a montanha para meditar e ousava orgasmos só com o pensamento jedi que tinha. Todos os gaúchos tem um lado meio obscuro mesmo. É a proximidade com a fronteira. Apagava as luzes e dormia.

Ellen Maria

Movimento

Antes dela chegar, todos já sabem que virá. Porque antes dela se solidificar, seu perfume já lhes assoma e lhes presentea: paz; como um sorvete, que se chupa suave e de olhos fechados; como um cheiro morno de café com leite; uma brisa de campo outonal e também de terra quente. Assim, podem esperar por ela apenas vagamente surpresos, olhando pela porta, espiando pela janela até que...
Ela se apresenta tímida, vai cumprimentando a todos devagarinho, dedicando atenção a um, depois a outro. Todos sorriem com sua entrada, que floresce até aqueles mais escondidos, no canto da sala, do sótão e do porão; a amam, porque sentem sede de amor.
Com o passar do tempo, o sorriso apolíneo dela dá lugar à música guardada, a risa solta. O ambiente festivo libera outros perfumes que não só o dela, suores e sabores se mesclam liberadamente. Tudo o que era sólido e difícil começa a se dissolver sem dificuldade. Uma sobreabundância de fluidos, líquidos, ainda bem vindos. Ela parece estar na sua forma mais espontânea, genuína.
Até que essa sensação lânguida bruscamente se transforma em ameaça. Os olhos não se acomodam, e ela, ainda que bela, mostra seu lado bruto, masculino, até violento. Seus gestos são mais angulosos, sua voz passa a ser mais estridente; sua presença constante, aberta e ampla converte a normalidade em desconforto avergonhado aos convidados. Embora indecisos se derrotados ou compreensivos, fica impossível disfarçar a expressão de fatiga, por ela permanecer ali. Todos sabem não há como expulsá-la: é a natureza berrando aos quatro ventos, aquela energia contida pungente posta pra fora... mas é que ela provoca urgência a qualquer um que a vê!
Pouco a pouco, vai se acalmando, trazendo um alivio generalizado. Ao mesmo tempo, no fundo de cada um deles, há um sentimento sufocado por, ela, dessa vez, não ter cometido nenhum ato verdadeiramente potente; por dessa vez ela não ter trazido nenhum perigo real a eles, nenhum corte profundo. Afinal, ela, nesse momento pequena, bem poderia: ébria, é capaz de ser cruel até com a criatura que mais ama, se assim desejar. Mas esse segredo cambaleante segue aspirado. Se alguém falasse, desabaria. E ela está tão linda, recuada e primitiva.
Por fim, resolve se despedir. Seu perfume novamente exala sensibilidade e ninguém se sente habilitado em julgá-la; a observam ir, com ingênua saudade. Na verdade, sentirão envelhecidamente sua falta, e ansiarão incondicionalmente a próxima festa. Porque sabem que sem ela tudo seria seco, irremediavelmente seco, sério, falho, mudo.
Ela era essencial para que todos pudessem mentir, se exercitar, sentir fome e ser conscientes de si. Ela, doce, amarga, ácida e salgada, era a chuva que todos queriam ser.

Ellen Maria

segunda-feira, 24 de junho de 2013

A ti te gusta el sexo no a mí

Fantasia
é sentir poesia
fazendo sexo.
Valentia
é sentir sexo
lendo poesía.
(Ellen Maria Martins de Vasconcellos)

"Los juegos del destino: ella viene, tú estás, recorren un mismo espacio (deja el asiento, lo tomas; abres la puerta que acaba de cerrar; observan en tiempos distintos los detalles de un techo de cristal) sin conocerse y sin molestarse por ello. Se va pero en poco años vuelve (siempre volverá), se miran, hablan, beben, se besan y descubren que anteriormente –sin saberlo y sin haberles importado- han sentido sus olores. ¡Ah, qué extraño! ¡Sí! ¿También naciste el mismo día! No solo eso, tú me filmaste en el evento. Imposible. Te muestra un video donde casi que la ignoras con la cámara. Se siguen besando. Se aman. Furtivamente, es cierto, ninguno quiere y es mejor no aceptarlo, pero se aman.

Descubrimiento del cuerpo: no tiene mayor importancia volver a hacerlo una o diez o cien o mil veces más porque en lo que va de tu vida descubriste que hay cosas más placenteras que el sexo y creíste en ello aun antes de que otro lo dijera o lo leyeras en algún lado o simplemente imaginaste que un pensador importante profesaba lo mismo y te alegró la idea de no ser el único en sentir ese pequeño desprecio por el coito y asumiste una posición imposible de sostener después de haberla visto llegar al orgasmo tres veces consecutivas y sentir que a pesar de tu mal estado físico no querías dejar de sentir el calor de su espalda y la humedad de sus piernas ni abandonar sus pechos ni cintura o sus gemidos aun a costa de caer en el fracaso conceptual ideológico y epistémico que suponía tu incontrolable deseo de tenerla siempre desnuda.

Reflexión: consideras que sería bueno escribir al respecto, pero no sabes por dónde empezar. ¿Qué título le pondrías? ¿Cómo revelarás tu nueva perspectiva sobre el sexo sin ser tan estúpido de escribir en el encabezado algo que explicite: “Me gusta el sexo”? Comienza el desánimo. Dejas tu escrito a medias. Tranquilo, hombre, está todo bien. Piensa que es como el sexo: aburrido, no siempre llegas a terminar como quieres. Entonces observas que soy un pobre imbécil que nunca tuvo buen sexo y vuelves sobre el teclado. Tratas, pero no avanzas mucho. Oyes música y por azar llegas a un blog de poesía. Sin muchas ganas lees unos versos: funciona. Sigues leyendo y al poco tiempo encuentras un breve poema que te hace abrir los ojos y sonreír: acabas de hallar la punta que desenreda todo el ovillo que tienes en la cabeza. Improvisas un análisis a tu conveniencia. Decides que aquel poema será el epígrafe de tu "ensayo".

Exégesis a la medida: lo único que nos interesa señalar en nuestro análisis es la importancia del “sentir”, que finalmente es el verbo principal de todo el poema: para la voz lírica es fantástico (en la medida que sobrepasa los límites de lo común y lo normal) cuando se practica el sexo pero lo que siente es otra cosa: poesía. Esto nos permite deducir que el camino, el nexo o la conexión por la que podemos acceder a algo tan abstracto, intangible y sublime como la poesía, lo encontramos en algo tan concreto, palpable y físico como el sexo. Es decir que el sexo (el bueno, claro) es un camino de placer ascendente: va de lo terrenal a lo astral. Respecto de los demás versos diremos que en esta ocasión no aspiramos a agotar las posibilidades de análisis de un poema tan rico como este y hallamos conveniente concluir nuestra exégesis en este punto.

Secretos del analista: aunque te parezca vulgar y te avergüence admitirlo, sentiste – y más de una vez- ganas de conocer a la poeta y acostarte con ella. Aún ahora piensas: quien sugiere que el sexo se esgarza con la poesía, sin duda, debe tener el mejor sexo del mundo: el tipo de sexo que ahora en adelante siempre esperas tener: la segunda vez mejor que la primera y la tercera mejor que la segunda y así hasta no poder mover las piernas. Pero no te preocupes, quién te dice que un día no vas a Brasil, se conocen, te presentas como un admirador –aunque en el fondo sabes que eso de admirar es, más bien, un recurso bien sabido por ti para parecer simpático- y así ella accede a mostrarte ese maravilloso sendero por el que se llega a sentir la experiencia lírica en la propria carne.

Conclusión y protección: después de todo algo más te intriga y es que no sabes cómo hacer para que cuando publiques esto los demás no crean que fuiste tú quien lo escribió y sabes que eso de que el autor “real” y el narrador no son la misma persona no te va a funcionar con tanto cojudo suelto si ni siquiera los estudiantes de literatura entienden bien la diferencia menos lo entenderán tus padres o tu novia que seguramente pensará pero conmigo nunca ha tenido buen sexo quién es esa perra que le ha enseñado y se armará la grande pero en tus cincos minutos de genialidad se te ocurre valerte de un recurso estilístico bastante utilizado en toda la literatura de occidente y es casi ofensivo que solo se te ocurra esto pero no intentas hacer una revolución estética solo deseas evitar las explicaciones a la gente cercana que leerá tu texto incluso si algún día conoces a la poeta del epígrafe podrás decir que eso de tener sexo con ella solo fue parte de la ficción y con ese supuesto desinterés tuyo puede que generes cierto interés de su parte y terminen teniendo sexo como realmente quieres entonces la solución es tan buena y tan simple como crearme a mí a un narrador que rara vez abandone la segunda persona y de este modo hacer cargo al lector de un sentimiento de culpa o vergüenza que es solamente tuyo y entonces el incauto pensará en todas las veces que ha tenido malas relaciones y en la persona que por primera vez hizo que lo disfrutara y así olvidará que eres tú quien revela que apenas ha descubierto que el sexo es uno de los grandes placeres de la vida y no él ni yo y aunque me siento mal por ello no puedo hacer más que seguir obedeciéndote despiado escritor pero además como eres excesivamente desconfiado decides volver a quitar todos los signos de puntuación para distraer a cualquier lector experimentado que pueda descubrirte acusarte con tu novia y así arruinar tus planes y ese temor te hace pensar que para mayor distracción y confusión podrías seguir explicando lo que escribes como la aparente impertinencia del primer párrafo donde hablaste o me hiciste hablar de un supuesto amor pero todo esto ya te fatigó y finalmente piensas en el último elemento de tu jueguito dizque literario el cual consiste en  colocar en el título una afirmación que implica al lector y que supuestamente yo anuncio y tratas de convencerte de que con ello basta pero no logras ver en tu torpeza que el título va dirigido solo a ti porque todos sabemos que Manuel Acevedo no existe por ende el narrador tampoco y bien sabes que tu lector es apenas otra desesperada construcción ficcional lo cual finalmente comprueba que ninguno de nosotros gusta del sexo como tú.

Manuel Acevedo"

sábado, 22 de junho de 2013

O fantasma (ou A sombra assombrosa da ditadura militar)

quanto mais reza
maior o fantasma
quanto mais se fala dele
maior o fantasma
quanto mais se pede pra não falar mais dele
maior o fantasma
quanto mais se roga para enterrar ele
maior o fantasma
quanto maior o fantasma
mais vivo ele está.

Ellen Maria

quarta-feira, 19 de junho de 2013

posición para iniciar vuelo

el pájaro
se levanta sin miedo de la caída patas alzadas
sobre los hombros las alas alcanzan
el mar por tiempo indefinido tus ojos
la respiración cierra mi grito
se estalla silencio en la niebla.

Ellen Maria

terça-feira, 18 de junho de 2013

Los poetas nunca pecan demasiado

Mis ganas están en mirarte la boca 
hasta que te olvides del youtube y de los talibanes muertos destrozados,  
Mis ganas están en tomarte la boca 
hasta que te olvides de tu miedo de convertirse en un alcohólico tarado, 
Mis ganas están en lamerte la boca 
hasta que te olvides de todos los pilotos de moto velozmente estirados, 
Mis ganas están en comerte la boca 
hasta que te olvides de la imposibilidad de hacer tu soñado doctorado, 
Mis ganas están en morderte la boca 
hasta que te olvides de la cuenta que a tu ex novia has pagado, 
Mis ganas están en besarte la boca 
hasta que te olvides de todas las putas que te han chupado.

Y esas ganas se quedarán guardadas
quizás después olvidadas
De tanto poematizarlas
ya te fuiste,
y no tuve tiempo de concretizarlas.
Los poetas nunca pecan demasiado.

Ellen Maria

domingo, 16 de junho de 2013

entonces

"Entonces hay un sigiloso instante
en que los ojos buscan en los ojos un vuelo de gaviotas,
algo que es suelo y señuelo, una consagración y un laberinto de murciélagos,
lo que en la oscuridad surgía como un planer tanteando,
una piel que se enfriaba y descendia, un ritmo roto,
se vuelve convivencia, santo y seña, arranque
del viento que se estrella contra la vela blanca,
el grito del vigía nos exalta,
corremos juntos hasta que la cresta
de la hola cenital nos arrebata
en una interminable hola de espumas,
y recomienzan los naufragios, la lenta natación hacia las playas,
el sueño boca abajo entre medusas muertas y cristales de sal donde arde el mundo."



Julio Cortazar, "Ultimo Round", 1969.

terça-feira, 11 de junho de 2013

G.H.

Clarice me mata.
Mas não me deixa suicidar.
Peregrina pela via
crucis do meu corpo,
Faz de mim uma água viva
e da minha descoberta do mundo,
uma felicidade clandestina.
Arranca do lustre de casa, a hora da estrela
e da cidade sitiada observa
uma legião estrangeira.
Desata meus frágeis laços de família
e em um sopro de vida,
me transforma em bela e em fera.
Mas não importa onde estive a noite,
meu coração selvagem
permanece ainda seguro
tal qual uma maçã no escuro.

Ellen Maria

segunda-feira, 10 de junho de 2013

Querida eu

Querida eu, aos cinco anos,
Você acabou de aprender a ler. Parabéns! Nunca esqueça de agradecer a paciência da tia Cláudia e da tia Rosângela do jardim de infância.
Sua antipatia preliminar e desconfiança com qualquer ser vivo faz parte de você mesma: procure se aceitar, porque mesmo depois de grande, você vai continuar encontrando muita gente que te ache um porre por causa disso. Mas tudo bem... ajuda a selecionar seus poucos amigos na vida.
Você tem um sobrenome estranho e que é, ao mesmo tempo, o mais comum dos sobrenomes (Silva), mas não se apegue a ele: aos seis, você vai perdê-lo.
Não fique triste: você vai ganhar outro mais bonito (Vasconcellos), que vem junto com um pai novo, presente e apegado. O processo de adoção vai acontecer na sexta-feira que antecede o Dia dos pais, por ironia da vida, e você vai atuar como uma criança linda e meiga. Tente lembrar disso.
Seu novo pai vai usar barba a vida toda e vai te tratar não só como filha, mas como amiga, depois de seus dezoito anos. Seja atenciosa com ele.
As vezes, você vai fazer um esforço para tentar lembrar do velho pai (e só vai lembrar de seu bigode); vai ficar magoada e se sentir rejeitada pelo primeiro homem da sua vida; vai se preocupar se pode ter alguma doença genética vinda dele ou de sua família desconhecida... tente não ligar muito pra isso. Quase todas as doenças têm tratamento e cura. Quanto à ilusão de rejeição do seu pai biológico, ela te fará uma pessoa mais dura com todos os homens que passarem por você. Muitos deles vão reclamar, e alguns te chamarão de coração de pedra, mas uns poucos vão ver o quão especial você é, por essa mesma razão.
Você vai chegar aos dezoito anos e ainda estará na escola. Vai repetir o último ano de uma maneira ou de outra: brigas na escola, perseguição da professora, notas baixas em matemática, seu novo namorado, viagem de formatura antes da hora.... Então, aproveite e relaxe. Serão dois terceiros anos bem aproveitados. Só não coma tanta pizza de calabresa que vai te fazer mal.
Terá alguns namorados e vários casos não sérios. Será traída logo de cara, trocada pela melhor amiga bem rapidamente, escutará vários foras e desculpas esfarrapadas, presenciará brochadas e ejaculadas precoces, levará algumas porradas, e se sentirá às vezes a culpada de todos os males. Mas nada vai fazer você deixar de ser ansiosa para se apaixonar novamente. Será cada vez mais exigente, cada vez mais consciente, mas cada vez mais vai amar intensamente.
Ah! Claro... será poeta. Então todo drama ganha uma lágrima, toda tragédia ganha um poema. E pela mesma razão, toda sua prosa vira poética. Desista de uma vez de tentar ser jornalista. Você vai escrever, mas não será notícia. Publicará algumas crônicas em antologias, mas seu negócio mesmo é poesia. Vai demorar pra se lançar em livros só seus, mas calma lá, que sua hora vai chegar.
Você conhecerá muitas partes do mundo. Grande parte por mérito de seu estudo. Mas não se vanglorie! Você não é das mais inteligentes. Pena muito para aprender qualquer coisa, e várias vezes vai desistir na metade por causa disso (violino, tênis, escultura, equação da circunferência...), mas, ao contrário da galera, se alguma coisa realmente te prende, você se firma nela.
Aliás, "meta" é praticamente seu terceiro sobrenome. Nascida no mundo capitalista, ainda que numa família não abastada, você vai perseguir suas metas diárias e não se conformará se passar mais de três dias sem cumpri-las. Terá mania de organização e certa obsessão com calendários e horários. Nada doentio, mas certamente, irritante para os que te observam de longe e de perto. Serão elas que de alguma maneira te ajudarão a cumprir prazos e a conseguir bolsas de estudo. Só te peço que deixe um pouco de espaço para o improviso. Ainda que não o utilize quase nunca, você também é boa nisso.
Peço que você tenha cuidado com o excesso de bebidas alcoólicas (do segundo ao quarto ano da faculdade) e com todos os argentinos que ver pela frente (dos vinte e um aos vinte e cinco). E que meça as palavras com as meninas do ginásio e do colegial, porque elas podem fazer da sua vida um inferno, e, principalmente, que meça as palavras com a sua mãe, nos três primeiros anos da faculdade. Se não, você fará feridas na pessoa que mais te ama nesse mundo. De resto, você vai tirar de letra. Ou melhor, de letras!
Cuide-se bem e ande sem pressa.
Um abraço (porque beijo você só vai gostar de receber depois dos dezesseis),
Eu, aos vinte e seis.


Ellen Maria

Timón

tragedias humanas y dramas de verdad: no los viví.
los que pasé fueron realistas, pero no reales.
es más simple fingir vivir que vivir
porque aun así es verosímil.
Vivir exige mano firme.

Ellen Maria

sexta-feira, 7 de junho de 2013

Fantasia
é sentir poesia
fazendo sexo.
Valentia
é sentir sexo
lendo poesia.

para Armando Freitas Filho

Ellen Maria

quinta-feira, 6 de junho de 2013

Depois de Clarice (II)

Extenuada, Cícera saiu da sala procurando um abrigo. Doía-lhe o peito como se alguém lhe tivesse dado um abraço muito apertado. Também sentia o estômago revirado, como se ele tivesse tido uma discussão com o resto de seu organismo enquanto ela assistia a aula. Poucas dezenas de passos e chegou ao pátio da faculdade. Enquanto caminhava, buscou algum canto só seu, com os olhos, e já não aguentando parar sobre suas pernas, arreou-se, apoiando parte das costas numa árvore. Clarice lhe dilacerara. Antes de examinar se por perto havia formigueiros ou outros insetos que lhe causassem aflição, respirou fundo e relaxou também os braços. Por um instante, estava segura.

Ellen Maria

A abordagem

              Levantou, e antes que pudesse pensar no próximo passo, Armando lhe adiantou, perguntando que é que faria agora. Nisso ia começar a pensar, disse Eduardo sem pensar em ser simpático, tirando o celular do bolso; e por uns segundos, os dois permaneceram em silêncio, não para refletir sobre qual seria o seguinte movimento, mas para que passasse aquela pressa constrangida de Armando de enfrentar-lhe antes de qualquer possível ação. Com isso e mais o fato de apertar a própria mão direita, como um desses toques claros de nervosismo, Armando confessava tudo. Eduardo notara, desde a segunda aula, onde sentaram de frente um para o outro, naquele semicírculo proposto pela professora, que o olhar de Armando sobre ele era de curiosidade. Agora, na sexta aula, passada a etapa de reconhecimento de pequenos gestos e sinais na fala que convidava a expressão de sua homossexualidade, Armando, deixando de lado a timidez, como havia prometido a si mesmo antes de sair de casa, esperava uma resposta de Eduardo mais amena que Nisso ia começar a pensar. Eduardo então soltou um Não sei, acho que vou pra biblioteca bastante negligente, mexendo em algum aplicativo no celular e caminhando em direção à porta. Armando, não reparando na desatenção forçada de Eduardo, caminhando atrás dele, investiu todas as suas esperanças em Hoje é sexta, melhor vamos por uma cerveja?
                Há dois anos, Eduardo havia construído um estereotipo para os gays daquela faculdade: bêbados nas baladas, eram vagabundas, sóbrios na universidade, eram puras beatas, que não ousavam olhar nos olhos sem desviar depois de três segundos, nem muito menos chamar outro gay para fazer qualquer coisa. O convite inesperado de Armando fez com que a mirada de Eduardo largasse a tela de seu iphone para encará-lo, virando-se de frente. Armando lhe olhava fixamente. Eduardo por fim sorriu, e consentiu. Só então, Armando, com a mão direita, enxugou o suor de sua testa ansiosa e baixou os olhos; passou por Eduardo, ainda parado olhando-o, e se pôs a caminhar lentamente, como um gesto de alivio e triunfo. Eduardo então lhe examinou, de corpo inteiro. Era bonito, além. Foram juntos em direção à saída mais próxima.

Ellen Maria

quarta-feira, 5 de junho de 2013

Tango del tiempo globalizado

Llegó por último y a mi lado se sentó
Hizo ruido pero, aunque con descuido,
su cuaderno sacó;
A la pizarra digital empezó a copiar
al mismo tiempo que contestaba que no
a un mensaje del celular.

La chica parecía desearse,
mirando al señor
aquel chileno que hoy
lo llamamos de invitado profesor;
una alumna coqueta
que con todo concordaba
con la cabeza
mientras se armaba una trenza
que le quedaba bonita, decía
el espejo, que del bolso sacó sin pudor.

Después de comer una banana
hizo de su pupitre, su cama
se duerme y casi ronca
lo que a mí me dio bronca;
Le doy con el hombro un empujazo
ella se despierta de un cagazo,
y ya que no escuchó nada de la charla
baja la mirada y se levanta
sin ninguna verguenza sintiendo,
parte sonriendo.

y aunque me llamen de nerd o porteña
pesada, extremista
o falsa brasileña
no me importo!
Que me envien a la isla de Morel,
desde que no más encuentre
con una sola estudiante
que haga mal su sencillo papel.

Ellen Maria

terça-feira, 4 de junho de 2013

Polisipo

afagando el enfado
hasta que se torne
fado.

Ellen Maria

quinta-feira, 30 de maio de 2013

uno

"Y para estar total, completa, absolutamente enamorado; 
hay que tener conciencia de que uno también es querido, 
que uno también inspira amor."


Mario Beneddetti

Poco se sabe

"Yo no sabía que
no tenerte podía ser dulce como
nombrarte para que vengas aunque 
no vengas y no haya sino
tu ausencia tan
dura como el golpe que
me di en la cara pensando en vos"

Juan Gelman

sexta-feira, 24 de maio de 2013

Hasta los árboles viven.

Diez mañanas se pasaron del día en que se comemora la libertación de los esclavos en Brasil. Y el veintitrés de mayo, ayer, después de muchos meses practicamente sin salir de mi casa, en lo que llamo de vida ermitaña por opción, por insistencia de varios amigos y amigas, intenté retomar a la que llaman Vida Social Académica (charlas con compas después de la clase y cerveza por la noche en la facultad), para volver a mostrarme, como me aconsejó mi madre. "Es hora de superar."
A principio, todo bien. Las tres primeras chelas con los amigos me hicieron recordar que salir con la gente a pavear puede ser divertido. Es chistoso ver la gente semi-feliz buscando temas para que la plática siga confortable, al mismo tiempo que los ojos miran a todos lados, buscando posibles almas gemelas o simplemente alguien con quien pasar un rato más íntimo.
En la cuarta chela, sin embargo, la cosa empieza a modificar. Unos empiezan a demostrar los primeros señales que al fin de la noche estarán borrachitos en algun rincón, mientras otros prefieren intentar con más voluntad el encontrar del Otro, mirando a todos lados, dando vueltas por todo el espacio, como el conejo de Alicia. No hay tiempo, no hay tiempo, parecen decir. También hay aquellos, y creo que me incluí en su grupo al menos anoche, que se ponen más honestos. Charlé con uno y después con otro así así más confianzudamente. Con João, por ejemplo, empecé a hablar de mi ex... claro. Y cuando vi que la charla me estaba poniendo desesperada y deprimida, sábiamente buscamos otra chela, y asuntos livianos volvieron a la superficie.
Hasta que llegó otro viejo compa de la facultad. Ese, también ya honesto, al verme se recordó de mi poca simpatía desde el primer año de la facultad con los vagos y los ruidosos, y de mi 'media-intolerancia' con los retrasados y con los que iban sin la lectura previa de los textos. 'Fuiste y sigues siendo la brasileña más porteña que conozco.' Mucha honestidad. Fui por otra chela. Y las horas fueron pasando...
A las dos y media, ya sin colectivos que me llevara de vuelta a mi hogar, tenía tres opciones: ir a la casa de un compa, que en el fondo de mi ser, sentía que intentaría algo más conmigo; a lo de João, este mi amigo con quien siempre acababa hablando de mi ex; y el crusp, o sea, la residencia estudantil de la facultad, donde una gran amiga vivía, y que siempre dejaba la puerta de su casa abierta, y que siempre me ofrecía para que durmiera allá cuando fuera necesario.
Fui por esta elección. Y la puerta estaba cerrada. La golpee, llamé a mi amiga por celular (apagado), la llamé por su nombre y nada. Sin ya la oportunidad de ir por una de las dos otras opciones, decidí esperar alguna salvación posible sentada en una silla en el pasillo del crusp... si nada apareciera, me quedaria ahi por tres horas y despues volverian a pasar los colectivos. Minutos después, no sé cuanto porque adormecí, surgió una amiga de mi amiga que la conocia de lejos. Me ofrecio el silloncito de su departamento y una frazada que los acepté de muy buen grado y ahí me quedé, medio dormida, medio despierta, pensando en la  vida social que me pidieron que volviera para superar mi "vejez anticipada".
Y sí, me sentí una vieja queriendo aplicar botox para revivir algo que ya había pasado. Me acordé de mis 19, veinte, veintidos años, como si fuesen siglos atras... ah, mi juventud... las fiestas semanales de la facu, sin miedo de andar sola, de volver por calles raras, haciendo raite por la ciudad universitaria, hablando con extraños, corriendo riesgos, tomando varias y de varios. Viejos tiempos que hoy más me parecen una rebeldía contenida, transgresiones adolescentes.  Y, a menos de un mes de cumplir ventiseis, me vi allá en el siloncito de alguien que mal conozco otra vez. Como en los viejos tiempos...
 A las seis me levanté y fui a mi casa. Y honestamente, volví ansiosa a mi hogar, sin ninguna prisa de salir de casa en los próximos meses. Y si con esta elección me salen con aquella frase que escuché hace dos meses ("No tenés novio, y encima, no salís a conocer chicos? No sos mujer, sos un árbol."), mejor cuidar bien de mis raíces y regar con cuidado mis propias flores.

Ellen Maria