sexta-feira, 31 de outubro de 2014

Señales de los dioses

Es noche de regalos
Toco tus lunares
con la punta de los dedos
mientras duermes
Camino entre ellos
hasta que te despiertas
y me comes entera
con tu boca seca
el cielo está limpio
pero dentro de mí, llueve.

quinta-feira, 30 de outubro de 2014

Intrucciones

En mi centenario de nacimiento y muerte
favor invitar a un delirante
que repita dos o tres veces los mismos versos
la autora estupenda que vale la pena leer
aunque casi nadie la conozca
aunque casi nadie sepa explicar bien por qué
y comente la ambiguedad de alguna fórmula
la poesía y la anti poesía novedosa
que hay en todos los que están muertos
que alguien me haga una crítica que no critica
y lea algunos de mis mejores poemas
cortándolos todo el tiempo para analisar alguna palabra
que a los que escuchan les dan sueño
pero hay que respetar a los viejos
quizás parta a algun bello ensayo
que a los lectores se les hacen escurrir miles de lágrimas
artificiales
y que cuenten algun chiste o anécdota
que haga el público reir
un homenaje a mi figura seria e irónica
por el narrador de acento raro y venido de lejos
y que este no se olvide de la frivolidad de mi persona
a la paciencia y al dolor
En mi centenario de nacimiento y muerte
favor ofrecer mate a todos los presentes.

terça-feira, 28 de outubro de 2014

Cinema e Renascimento

Querido Mark, Querida Mania,

Assim como vocês, escrevo em minha língua materna. Não é meu idioma preferido, nem o qual creio que escrevo melhor, mas há certas tradições a manter quando se escreve uma carta. 
Assisti o filme A vida pode ser (Life May Be) há menos de uma semana, numa sexta-feira a noite, sozinha, embora acompanhada de pessoas desconhecidas em uma sala de cinema na cidade de São Paulo. Todos muito bem vestidos. Todos em silêncio. Nem riram da propaganda que passou antes do filme começar sobre um jornal da cidade que diz dar espaço para todas as opiniões que divergem das escolhas políticas do jornal. Em outras sessões, as pessoas riram. Muros.
Quando o filme começou, ouvi sua voz entre névoas, Mark. Sua voz me hipnotizou. Ouvir você foi aprender inglês instantaneamente. Nem mesmo Frank Sinatra tem melhor dicção. Consegui imaginar suas cordas vocais abrindo e vibrando, fazendo o mesmo movimento que as nuvens da imagem que você gravava a Mania Akbari, enquanto sua boca articulava todas as letras e sibilava os poucos esses na leitura da primeira carta. Um espelho da alma.
As montanhas da Escócia também me hipnotizaram, Mark. E os outros cem lugares onde você esteve também. Cada céu, cada chuva e estrada me transportaram a um lugar, e também a um não lugar. Fico imaginando os postos de gasolina em que você esteve, os restaurantes de estrada. Você já reparou como eles são impessoais, Mark? Como uma torta de mirtilos pode ser deliciosa e ao mesmo tempo não ter gosto de nada? O que faz esse pedaço ser só seu e ser de qualquer um? Qual será o ingrediente? Imaginei como você lavava seu rosto e as mãos na pia desses restaurantes, Mark, e depois as esfregava, uma com a outra, para se aquecer.
Os vi em fotos, os vi deitados, em pé, em movimento, observando, viajando, escrevendo. Ouvi suas vozes, suas queixas, comentários, acentos e sotaques. Nunca tinha ouvido ninguém falar em persa. Nunca fiquei íntima de um irlandês. Nunca pensei que iria participar de um road-movie.
Os centro comerciais de Dubai eram tão estrangeiros para mim quanto os memoriais da Lituânia. Hoje não. Os conheci por uma janelinha. Mas não como um turista que enxerga tudo da lente de sua câmera, ou que visita Paris desde a poltrona de um barco pelo Sena. É a fascinação da forca e a consternação do silêncio. Não sei bem como explicar. Os conheci pela dor que rasga a leitura, pela verdade que desaba, ainda que o exterior permaneça intacto. Eu poderia passar horas conversando com vocês sobre os olhares das manequins do shopping e das estátuas do monumento aos mortos.
Assim como analisar em cada cena, cada traço de Martin Scorcese, Abbas Kiarostami, Virginia Woolf, Forough Farrokhzad, e outros cineastas e escritores de quem vocês beberam, e eu beberico. Nomes que me deixaram arrependida de não ter levado um caderninho para anotar todas as referências ditas e escondidas nas entrelinhas. Minha memória não é boa. A caixa é preta. Meu nome não é Pandora.
Mania, depois de vê-la na banheira, e Mark, depois de vê-lo completamente nu, consegui sentir mais a vontade com meu próprio corpo. Foi estranho. Foi incrível. A medida que eu ouvia você, Mania, e a via, tocando suas pernas, era como se estivesse eu com as luvas ensaboadas de espuma. A medida que eu via você, Mark, e ouvia, parecia que era eu que caminhava sem roupa por um quarto de hotel e sentia a cerveja circulando em minhas veias. Deixe-nos acreditar que está começando uma temporada fria. Agora tenho vontade de arrancar meu vestido em qualquer lugar que eu vá. Não o faço. A polícia pensa em grades, os advogados em leis, eu penso em peles. Graças a vocês.
O cinema e a literatura, as artes plásticas, a escultura e a arquitetura, cada minuto seu, Mania, foi poesia para todos os meus sentidos. Assistir com os olhos é bom, mas descobri outros poros abertos, espalhados, assombrados, aturdidos. Maravilhados, prestando atenção nas palavras suas e pausas. Não vi outro filme dirigido por você, Mania. Não conheço One2One, nem 20 fingers, ainda. Conhecerei. As suas cartas acompanhadas de vídeo, áudio e emoção fizeram que a solidão da escritura epistolar ganhasse outras proporções. Eu também estava vendo um ensaio, um documentário. Também estava vendo ficção. Todos em primeira pessoa. A paisagem é real. A solidão é real. O exílio é real. Mas a ausência não. Irã está presente em você, Mania. Foi o que eu mais senti. Você pode morar na ilha britânica de fumaça prateada, você pode visitar o Brasil, Irã a acompanha, não importa onde esteja, como um tapete persa de dois metros, mágico e voador.  Irã está em seus olhos, em sua doença, em sua cura. Irã a acompanha nas cartas a Mark Cousins.
Queria confessar a vocês que a troca de cartas que fizeram tivera mais de um destinatário. Talvez por engano, talvez por intenção. Acho até que já desconfiam. Tive a impressão de que estava vendo um filme feito por amigos, vocês dois, Mark e Mania. Amigos e amantes, de longa data e meus também. E com um amor tão retrato e sem moldura... que embora eu não os conheça, já me sinto da casa, de confiança. Já me sinto recém nascida, outra vez. Obrigada por serem meus Adão e Eva.

Ellen Maria.

domingo, 26 de outubro de 2014

Movimento retrógrado

Tem gente que sem querer desperta
uma tensão
por mais amável que comigo seja
e me protejo projetando o ácido do meu estômago
bem no centro dela
e ataco sem saber se haverá defesa
Depois fica a pena de tratar mal
quando até a empatia foi sintomática
mas como explicar uma coisa que nasce
sem palavra
e no final me cala?
Às vezes uma corda arrebenta só
quando acontece me vejo
mesmo sem entender nada
Como por a cabeça no travesseiro
quando sinto que ela melhor seria
se atravessada por uma serra?
Tem gente que sem querer desperta
o pior de mim
e às vezes só percebo
tarde demais depois
do agradecido adeus cansado
nessa hora sinto
que caminhei pra trás
que fiz o inverso na escala evolutiva
e até durmo, mas com certa mágoa
de ter sido selvagemente eu mesma.
Nos meus sonhos, eu sempre peço desculpas.

sexta-feira, 24 de outubro de 2014

"Recomún que todos los que tienen una historia
al costado del lecho dejen la ropa.
Que caigan muchas resistencias en livianas remeras,
en jeans un poco sucios. Algunos entre la oscuridad
tienen formas irreconocibles,
medias y el nombre: paños menores. Para sobrevivir
a todos y a todas las preguntas con las que
se van deshaciendo las cuadras de la calle Rosetti
retomo el momento en el que como una tribu
frente a la pila de ropa que se confunde clasificamos y nos
vestimos
de nuevo, parcial, para recorrer el departamento. También
cuando
pasó del momento encendido y lo más próximo es la calma
de dormir imitando la respiración del otro.
"Todo está conspirando contra"
debe pensar el que espera el bondi en la parada de abajo
del ventiluz. Muchas veces firmo ese diagnóstico.
Lo sostengo en las misiones errantes.
Encendemos un fuego que se ve desde
adentro del naranja de ese trazo nervioso.
Este es el minuto de silencio especial
en honor a todo lo que se desplomó.
A los que cayeron. Dedicado a la insistencia
con las que las olas rayan el suelo dorado de la cocina
y los caprichos agrandan la política y hacen
que la historia nos aplaste y nos, es una percepción, escuche."

(Sebastián Morfes, un minuto.)

sábado, 18 de outubro de 2014

Cenário

de quem sua
em show de rock, afro, samba, instrumental e até rap
enquanto canta em seu nome
Quando alguém envia luz enquanto chora
as lágrimas tem gosto de música
e ninguém nota.

sexta-feira, 17 de outubro de 2014

Loira gelada

Cada vez que eu vejo
uma propaganda de cerveja
me dá uma ânsia
aquelas mulheres todas
e o macho-paxá com copo na mão
penso no seu colarinho
enforcado
ou morrendo afogado
num mar de cabeças ocas
do departamento de espermarketing.
Seus restos aparecem na espuma branca
da ignorância que aparece
no canto da boca.

Bonjour

"Couteau et peigne sur la table
l'un près de l'autre avec
le silence sur eux
plus profond que la mer
Entre ces phrases l'historie d'une femme
Qui trancha suele
Les amarres du jou".

Guy Goffette

Cómo decir de pronto

"Cómo decir de pronto
tómame entre las manos
No me dejes caer. Te necesito:
acepta este milagro,
tenemos que aprender a no asombrarnos
de habernos encontrado,
de que la vida pueda estar de pronto
en el silencio o la mirada.
Tenemos que aprender a ser felices,
a no extrañarnos
de tener algo nuestro.
Tenemos que aprender a no temernos
y a no asustarnos
y a estar seguros.
y a no causarnos daño."

Julia Prilutzky Farny, 
de Antología del amor (Bs As, 1977)

quinta-feira, 16 de outubro de 2014

Livro de cabeceira

Em cima da minha cama
tem uma janela
uma janela sem tela de proteção
o texto na minha frente
é tão bonito que dá vontade
de escrever poesia com os olhos
e quando é hora de levantar
fecho os olhos de novo
guardo o céu no travesseiro
a imagem da literatura
daí começa bem o dia.

Ciclo

De cada uno que se va me queda algo
en mi casa, una olla.
en mis gestos, fuego.
en la mirada, agua.
Sobrevivo con estos restos
como si no hubiesen ido.
como si fuesen míos.
como si estuviesen vivos.
Pero después de un tiempo
la historia tibia.
la memoria vibra.
la nostalgia evapora.
Y la vida, por fin, condensa
para caer sobre mí.
para empezar otra vez.

quarta-feira, 15 de outubro de 2014

Ajustes

Não faço média
com quem merece um terço
Mas faço inteira
com quem merece um quarto.

Cuaderno de preguntas

La vida cotidiana te aburre?
Sientes ganas de morir?
No te reconoces en el espejo?
Nada parece tener significado?
Solo quieres volver a la niñez?
Te parece dificil amar a alguien?
Eres incapaz de volar?
Todo que hablas parece imitación?
No, no eres un insecto.
Eres un pavo, Gregor.

terça-feira, 14 de outubro de 2014

Tratado

Despertarse y despertar
sin que haya rabia de ser
lo que uno es
no solo
al mirarse en el espejo
el presente está
en las elecciones diarias
en la medida que consume
en la palabra
en lo que calla
para los otros
la vejez nace hoy.

Pena

Hacer el trabajo
Todos los días
Sin pena de sí mismo.

segunda-feira, 13 de outubro de 2014

Transcendente fantasia

Meia três quartos
Grávida
Hoje estou vestida de lua.

Para preencher aqui

Bebo quanto puder
Vendo quanto quiser
Devo quanto tiver
pudor não nego
Pago enquanto mulher.

Tempo

Nada está superado
mas as coisas começam
a apaziguar:
uma parede de papel
se sustenta, cega
bloqueando a vista
o som segue
as ondas chegam
independentes à métrica
ao mesmo tempo
face a meu calendário
na primavera
as folhas secas também caem
lábios rachados
língua que molha
e o ar que sai pela boca
quando sorriem
os olhos se confundem
com as linhas do tempo
não chove
não há tormenta
mas uma brisa começa a correr
lisa a pedra do rio
pesa sobre as folhas
do testamento
a unha cresce
ganha forma
e pergunta pela cor do depois
ad infinitum...

Ellen Maria

sexta-feira, 10 de outubro de 2014

No Subject

El hijo que nunca tuvimos
se encuentra con el hombre que ya no está
en algun lugar
entre las lineas de la ficción
y la realidad

de los dos solo nos restó el nombre
entre la memoria
el olvido
la magia
y la imaginación

la historia sin estoria
de quien vivió ayer
se habla hoy
y desaparece después.

quinta-feira, 9 de outubro de 2014

Dupla leitura

Quando sua mãe diz,
com um sorriso no rosto
que você está mudada
ela está dizendo
que você está
cada vez mais igual
a ela, minha cara.


A view to a kill

Enfrento al hoy con las marcas del pasado
y con el brillo que existe resistiendo en mis ojos
miro al espejo a un duelo con mí misma
duran duran que no cree en el azar
me ayuda a hablar
en este mundo ordinario
quien tiene de amigo alguien como él
tiene confianza suficiente para decir cualquier cosa.

Jornada

Vas a pasarla muy bien
en everywhere
escuchando the cure
balanzas con las manos ocupadas
mientras un oso te come la cena
en la televisión del supermercado
caminas lento entre vegetales
arroz sin fecha de caducidad
papel higiénico tres hojas
la vida sonrie otra vez
empieza the pretenders
ves la hora en el celular
las galletas de miel están en promoción
pagas en cuotas
parece que todo termina en una caja.

editorial

El diario solo habla de política
la falta de agua
tráfico de drogas
adelgacé 4 quilos
de pizza, birra y faso
en medio de la crisis de abstinencia
de noticias tuyas.

terça-feira, 7 de outubro de 2014

Metonímia

O que é de cima nasce
O que é debaixo fica

Foi esta tarde

Eu sinto cheiro dessa erva verdinha entrando pela minha janela e já não penso em que lugar está você. Que faz, que fuma, que toca, que desenha. Penso imediatamente na gente dançando chapado no meu quarto, sem vergonha de ir até o chão. Até a lua. Daí eu pego minha caixinha de óculos e ah... ficou guardada tanto tempo ali que hoje ainda conserva o perfume daquele dia. Daquela vida. E nem sei mais que música tocava na hora. Eu fechei os olhos e peguei sua mão e eu tava tão doida que me perdi entre seus dedos medos desejos e cigarros. E você ria. Ria com todos os dentes. Nem precisávamos ter fome. Tínhamos o mundo na barriga e matávamos a sede com a saliva dos nossos beijos. Seu presente você não me dá. Mas tudo bem, sem receio. Sinto que ficou comigo a melhor versão de sua polaridade.


Ellen Maria

El baile

No hago planes de viajes largos
entre tú y yo quedó mucho más que una grieta
y nunca fui buena en caminar por la soga
Tu retrato bienvenido se adapta en mi album de fotos
junto a los que quedaron en ruinas al cielo abierto
juego de ingeniera
y un corazón roto de nuevo se recupera
juego de médica
y en esta operación sobra espacio por todos lados
dueña de mi casa
paso la escoba detrás de la puerta
mientras descubro nuevos sonidos
aunque sean viejas canciones de Neil Young
Bailo sin disfraces y sin verguenza.

quarta-feira, 1 de outubro de 2014

"{diz pra mim o que você come longe de mim. se ainda bebe água naquele mesmo copo pequeno. foi de repente que eu, que pouco ligava, fiquei querendo saber. como é que você vive longe de mim? um dia eu quis escrever sobre você e você mesmo amanheceu ali, tão perto, uma janela entreaberta que deixava o sol chegar. e você dormia como dormia sempre, muito e profundamente, fora de hora como tudo que tinha a ver contigo. sempre atrasado ou cedo demais, nunca exato, eu sabia. que ia ser assim eu desconfiava: um dia ia acordar querendo saber do seu paradeiro. simples. levantaria de onde estivesse, pegaria o pensamento e transformaria em qualquer coisa que não fosse te procurar pra saber a resposta}"
(Mariana Paiva)