segunda-feira, 13 de outubro de 2014

Tempo

Nada está superado
mas as coisas começam
a apaziguar:
uma parede de papel
se sustenta, cega
bloqueando a vista
o som segue
as ondas chegam
independentes à métrica
ao mesmo tempo
face a meu calendário
na primavera
as folhas secas também caem
lábios rachados
língua que molha
e o ar que sai pela boca
quando sorriem
os olhos se confundem
com as linhas do tempo
não chove
não há tormenta
mas uma brisa começa a correr
lisa a pedra do rio
pesa sobre as folhas
do testamento
a unha cresce
ganha forma
e pergunta pela cor do depois
ad infinitum...

Ellen Maria

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