domingo, 25 de janeiro de 2015

União

"o que significa a união dos escritores
é sem falta fazer assinatura
do jornal ucrânia literária
lembrar os bons tempos soviéticos
quando havia moradias gratuitas
deixar crescer bigodes cossacos
uma vez por ano escrever um artigo
sobre a degradação espiritual da nação
em casa ocasião citar a si próprio
levar colegas para tomar um gole
enxaguando-o com um suco de tomate para dois
inflamar-se no jubileu seguinte
conseguir comer o último sanduíche
ou então embrulhá-lo no guardanapo
e meu deus em toda a vida
não escrever nada que preste"

Andriy Lyubka
Tradução: Vira Vovk

sábado, 24 de janeiro de 2015

falta

"Não encontro
no meio de todas essas histórias
nenhuma que seja minha.
Nenhum desses temas me consola.
Espero ardentemente que me telefonem.
Espero que a chuva pare e os trens voltem a circular.
Espero como se estivesse em Lisboa
e sentisse saudades de Lisboa.
Bateriam à porta, chegariam os parentes queridos, mortos recentes,
e não me dou por satisfeita. Mas os figurinos na noite de
estréia!  Imediatamente antes!"

Ana Cristina Cesar

Quando você foi árvore

"Quero cunhar um termo
qualquer que seja (...)
e fundi-lo, e atirá-lo de volta a você,
como esmola.
Mas com força
(exercitarei muito o braço direito),
e isso não é brincadeira
nem poesia.
Pode ser um sinal, como o das suas costas
ou o &, que é o infinito desfeito, despontado.
Aí dirão: lá vai o poeta que recusava o epíteto
de poeta
e de espancador de esposas.
Mas ninguém diz nada hoje em dia.

E bem que eu poderia dizer mais simples,
mas Não. Sejamos feitos deles por algumas semanas:
imprimir um  em cada esquina da cama
para que o ritual seja bonito."

(Victor Heringer)

Brisa en la tardecita

Costumbres dulces que me han quedado
y al gusto me llevan
a la cocina de mi casa
extranjera
pan rico a los invitados
olor a alcohol que dura
el instante que flamea
la charla amiga en la terraza
el sol termina por descansar la masa
la noche ya pide otra cosa.

Ellen Maria

sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

Lugar estranho e estranhas as palavras que o nomeiam.

"Sou um homem obstinado, a ideia era viajar para diminuir o
mal que padeço, grande mal ou pequeno mal e seus danos
colaterais, sei que hei de viver minha vida inteira suportando o
mal que padeço, e seus danos colaterais, sei que a causa
verdadeira de minha morte será o mal que padeço, grande mal ou
pequeno mal e seus danos colaterais, não a apresentação
pública do mal que padeço, grandes ou pequenas
representações, nem o que dano colateralmente. Levo dente
de alho e outros atributos o tempo todo, no bolso de trás
da calça, mas esta tática familiar tem suas falhas. Preciso
pisar na merda, se fosse possível, pisar na merda de vaca. Só
encontro terra, a fauna está contraída.
Lugar estranho e estranhas as palavras que o nomeiam."


***


Extraño sitio y extrañas las palabras que lo nombran.

"Soy un hombre obstinado, la idea era viajar para disminuir el
mal que padezco, gran mal o pequeño mal y sus daños
colaterales, sé que he de vivir mi vida entera soportando el
mal que padezco, y sus daños colaterales, sé que la causa
verdadera de mi muerte será el mal que padezco, gran mal o
pequeño mal y sus daños colaterales, no la presentación
pública del mal que padezco, grandes o pequeñas
representaciones, ni lo que daño colateralmente. Llevo diente
de ajo y otros atributos todo el tiempo, en el bolsillo trasero
del pantalón, pero esta táctica familiar tiene sus fallas. Necesito
pisar mierda, si fuera posible pisar mierda de vaca. Solo
encuentro terrones, la fauna está contraída.
Extraño sitio y extrañas las palabras que lo nombran."

Juan Carlos Flores
Tradução Ellen Maria

Autorretrato

Pinta aquele que se vê
íntimo
em simultâneo estrangeiro
ínfimo onisciente,
com direito a olhar a si
distinto
e ao mesmo tempo inteiro
Voyeur com um espelho
que fita o vivo e opaco
personagem
que descreve uma fotografia
de um pedestal vazio
mas com flores
Um corpo frio que se expande
e que nunca houve
um outro igual
finaliza a gravura que aquece o homem
e honra o nome
orgulhosamente.

Ellen Maria


Elemento irônico

Parecia uma lebre
mas era um homem
com olhar
de quem está prestes
a escapar.

Ellen Maria

Manicomio de Mondragón

"Do céu chega aos loucos só uma luz que causa dano
e se hospeda em suas cabeças formando um ninho de serpentes
onde invocar o destino dos pássaros
cuja cabeça regem leis desconhecidas para o homem
e que governam também este trágico lupanar
onde as almas se acariciam com o beijo da porca,
e a vida treme nos lábios como uma flor
que o vento más sedento empurra sem cessar
pelo chão
onde se resume o que é a vida do homem."

***

"Llega del cielo a los locos sólo una luz que hace daño
y se alberga en sus cabezas formando un nido de serpientes
donde invocar el destino de los pájaros
cuya cabeza rigen leyes desconocidas para el hombre
y que gobiernan también este trágico lupanar
donde las almas se acarician con el beso de la puerca,
y la vida tiembla en los labios como una flor
que el viento más sediento empujara sin cesar 
por el suelo
donde se resume lo que es la vida del hombre."

Leopoldo María Panero
Tradução: Ellen Maria

quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

El día de la semana

"Cuando naciste,
en 1938,
César Vallejo moría.
Cuando tu cabecita,
tu ombligo,
tu cuquita virgen,
asomaban al mundo
entre las hermosas piernas de tu madre,
metían al poeta en un hueco.
Lo cubrían de tierra
y a ti,
te cubría la memoria.
No podías elegir.
Porque si eliges
vives.
Y si vives
gozas.
Pero el goce es el horros del sueño:
dormir va a ser para siempre.
Habrá un olor a pimientos fritos,
voces estruendosas en la barra.
Será un día de la semana,
cuando los muebles cambian de sitio durante la noche
y por las mañanas,
las mujeres hablan solas.
Tu nariz estará sellada y la cepa derecha
más caída que la izquierda.
Las caderas niveladas,
el cabello mal cortado y el cuerpo perdido
en alguna batola que disimule la grasa de tu cintura.
Si tuviste abuelos lunáticos y tristes,
constará en el reporte
de un funcionario responsable.
Te cruzarán los brazos sobre el pecho
y es fatal,
porque ya no podrás
usar el afrín
para respirar mejor.
Falso que tus abrazos fueran convulsivos
y tus furores impredecibles.
Falso el vidrio que aún empañas con tus eructos.
Falsos tus pezones, tus pecas rojizas.
La noche anterior estabas decidida:
si no puedo dormir, escogeré la muerte.
Pero no esperabas que el pernil de cordero se derritiera,
suave,
lechoso,
sobre tu lengua.
Sólo dijiste:
dos partos,
diez abortos,
ningún orgasmo.
Y tomaste un largo trago de vino.
Vallejo también buscó un pernil de cordero
en el menú de La Coupole.
Todos moraban sus ojos cazurros,
mientras él sólo pensaba en los callados oídos de Beethoven.
Le había preguntado a su compañera:
Por qué ya no me quieres?
Qué hice?
En qué fallé?
El chorizo del cassoulet dejó manchas de grasa en su camisa.
Como tú,
sintió una compasión fatigada por su cuerpo.
Y trató de adivinar quién nacería esa noche,
mientras él tratara de conciliar el sueño.
Morir
requiere tiempo y paciencia."

Miyó Vestrini (Francia 1938 - Venezuela 1991)

Franja de ensayo

Saco unos días
y me voy a la finca
Es necesario no pensar demasiado:

las gatas se lamen el costado
los perros corren por sus colas
las gallinas se pierden en si mismas
las ranas se secan
al sol
y después se mojan

descanso mirando al cielo
sin pensar en más allá
la naturaleza me basta
camino

me caigo en un charco de lama
el dolor mudo en el seno de la mónada
y el mundo para
la metafísica

excepto a la vaca
debo parecer un humano despreciable.

Ellen Maria

Diario de Cuba

"Se a esquerda fosse um traje de banho, se eu fosse Bertolt Brecht. O tempo todo se coça. Outra noite sem que eu possa dormir. Olhem nos meus olhos, disse. O tempo todo se coça, outra noite sem que eu possa dormir. Olhem para meus peitos, disse. O tempo todo se coça, outra noite sem que eu possa dormir. Olhem para minhas pernas, disse. O tempo todo se coça, outra noite sem que eu possa dormir. Olhem para minha bunda, disse. O tempo todo se coça. Quando a cachorra envelhece, até os cachorros velhos fogem dela. Nem a esquerda é um traje de banho, nem sou eu Bertolt Brecht."

***

"Si la izquiera fuera un traje de baño, si fuera yo Bertolt Brecht. Todo el tiempo se rasca. Otra noche sin poderme dormir. Mírenme a los ojos, dice. Todo el tiempo se rasca, otra noche sin poderme dormir. Mírenme a los pechos, dice. Todo el tiempo se rasca, otra noche sin poderme dormir. Mírenme a las piernas, dice. Todo el tiempo se rasca, otra noche sin poderme dormir. Mírenme el trasero, dice. Todo el tiempo se rasca. Cuando la perra envejece, hasta los perros viejos le huyen, dice. Ni la izquiera es un traje de baño, no soy yo Bertolt Brecht."

Juan Carlos Flores
Tradução: Ellen Maria

O jogo da imitação

O macaco faz sinais
e o humano não entende
o polegar direito do macaco se une ao indicador
e dá meia volta num sentido horário
enquanto a mão esquerda se afasta de si
com todos os dedos esticados
e a palma apontada para o humano
O humano pensa é um jogo
e sorri e consente e acena
se sente privilegiado, se sente escolhido
e coloca sua mão esquerda sobre a cabeça
e com a direita retira seu chapéu imaginário
O macaco nega e faz outros sinais
aponta para a perna do humano
o humano olha para sua própria perna
põe uma mão no bolso
o macaco faz um movimento com a cabeça para cima e para baixo
o humano aponta para a perna do macaco
e faz um movimento afirmativo com todo o corpo
O macaco leva as duas mãos a cabeça
parece dizer de-ses-pe-ra-da-men-te
com os olhos voltados para o alto de sua cabeça
depois repete todos os gestos pausada-mente
O humano acha graça,
gira seu corpo para esquerda
gira seu corpo para direita
e segue para a jaula dos leões
O macaco não pode fazer nada
voltou para o fundo do cenário
e não se moveu mais.

Ellen Maria

quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

La visita

En la Marquesa
ni siquiera los pájaros
grillos
perros
puercos
ranas
la canción de tu hermano
los hielos solos
derritiendo en el vaso
el silencio
sobre todo
sobra
mi oído en tu pecho
en la vuelta para casa.

Ellen Maria

sábado, 17 de janeiro de 2015

Cosas que no oscurecen con el tiempo

Conocer lo que nos comueve:
reconocernos
así solo ser aire
que susurra en el oido
de un amigo.

Ellen Maria

Café

"Sentado a aquella mesa de café que da a la puerta y la calle que es horizonte, yo soy una tardanza. Hasta tu ventana llegan los caballos que cruzan la calle y apoyan en ella una frente de hombre,
Suele llegar por las tardes un hombre con un reloj pulsera. Acaso perdido en el misterio de cualquier historia, se sienta a una mesa junto a la pared. No habla pero crea sin embargo un silencio que es prolongación del diálogo más ameno. Su pensamiento pareciera pasearese por las habitaciones de una casa abandonada. Al cabo de un momento llama al mozo y le pregunta la hora. La confronta con la suya. Acaso no está a punto de pedir algo para tomar?, el mozo así lo cree por unos instantes y se demora solícito junto a la mesa, luego sigue con sus ocupaciones más urgentes.
El sol entra aquí como en el cuarto del enfermo: desdeña los muebles oscuros y se pone a tintinear en las obras claras. Se posa en la mano abandonada como el amigo que prefiere el tacto a la palabra.
Son dos hombres y su historia es breve: uno llega con su valija, el otro se sienta a una mesa.
Hombre que espía a sus recuerdos.
Aquí tienen amistad el patio y la palabra patio. Crecieron esos sauces en voz baja. Aquí vienen unos hombres a callarse. Aquí el hombre es tardanza bienhechora.
Aquí se siente el hombre que es tardanza. Inmóvil, durante horas sentado en los diferentes lugares de la tarde, ya en pleno infinito pareciera despertar de una espera semejante a la vida.
Prefiero la puerta por donde entran los lugares comunes de la gente que pasa!
El hombre de las copas se va yendo por el pasadizo. Antes de desaparecer nos mira con un desaliento de tango en las sienes, sabe que los instantes de un café son irrecuperables.
Si estas cosas se pueden contar es porque somos cuento."

Arnaldo Calveyra

Renacer, en la lectura.

Yo quisiera ser Daniel Samoilovich
la vez que inventa todo
adánico enamorado
de lo que ve por primera
y siente por la última
voz.

Ellen Maria

quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

Hípica

Los caballos de raza hablan y hablan citan y citan corren platican listando cantando contando
chismes de otros caballos que les parecen horribles exhiben sus méritos sus cascos
enaltecen a otros los caballos muertos y los que viven en el extranjero me muestran sus bustos
ilustrados y ultrapasan me pasan nombres obligatorios sus medallas también brillan
a los ojos salgo con los oidos llenos de cera con los dientes agradezco el fin de la carrera.

Ellen Maria
DF jan/2015

terça-feira, 13 de janeiro de 2015

Saeriana

Ella mira a la luna desde la ventana del auto en movimiento
todos se distraen y hablan de cosas
ella piensa en todas las veces que ha podido quedar embarazada
y agradece la chance de la rutina impermeable
Todos se bajan y van a tomar mezcal en los bares
Ella no leyó las grandes obras
en la pared hay dibujos de plantas y botellas
todos cuentan historias y suspiran
días después duerme y sueña
ella camina por su barrio
la vecindad del azul con la muerte.

Ellen Maria
DF jan/2015

Granos del real

Aqui todos falam inglês melhor do que eu
todos já fumaram mais
usaram mais drogas
leram mais de literatura beat
e de literatura mexicana, melhor nem comentar.
Aqui ninguém me chama de El
porque aqui El significa outra coisa
todos sabem de memória poemas inteiros
e declamam primeiros versos de olhos abertos
quase sem pensar, sem precisar revolver documentos nos escafandros da memória
todos parecem se recuperar facilmente de corações partidos
e entendem a diferença entre Ginsberg e Bukowsky
e seus respectivos corações partidos
todos já participaram de oficinas e deram aulas
com ou sem drogas, entendem que a vida é dura
as vezes, passam dias sem voltar para casa
e sabem tudo sobre a vida sórdida que a rua pode oferecer
já participaram de festas infinitas, orgias históricas
bebedeiras que acabam em histórias que todos se lembram dos detalhes por mais bêbados que puderam estar
não voltam pra casa porque estão exatamente onde querem estar
guardam poemas inteiros numa folha de papel de seda na carteira
e guardam segredos em olhos úmidos trocados e nunca reveláveis
todos parecem ser indestructíveis ao mescal e o tomam por toda a noite
falam de miles de coisas sem nunca tocar naquilo que já sabem
o desencanto e o sem-sabor está presente mas fica pra depois
sempre sobra a prova da resistência corporal
todos parecem ser intactos e acredito que são
yo sin embargo me siento débil
extranjera entre tacos y todas las palabras que no son dichas
Em DF faz um frio dos diabos
e pareço estar entre eles
aqueles que pensam muito e me contam menos do que preciso para me sentir apenas numa zona governável.

Ellen Maria
DF jan/2015