terça-feira, 31 de maio de 2016

la ama de casa

"la ama de casa
no ama
la casa
que ama. a pesar
suyo
la limpia/la ordena
la habitahabilita
sobre todo:
cuando está sola
y es el momento de:

hacer pis parada como su marido, el señor y
manchar la tabla
(que después lavará)
jugar a la mucama
y ponerse un delantal
(para bajar a la verdulería y ser la reyna de las empleadas)
mirar a Cathy Fullop y
ejercitar 100% sus glúteos
(pero con el delantal puesto)
abrir el placar del señor y
probarse sus trajes
(con camisa, corbata, zapatos y bigotes incluídos)
llamar al amante a Ecuador y
tener sexo telefónico por más de una hora
(haciendo poses: 69, perrito, misionero, patitalhombro etc.)
abrir el archivo de la computadora que se llama "carta a mamá" y
anotar los datos importantes
(por si alguna vez los necesita para chantajear a su marido, si él quisiera divorciarse)
y es así
en esos momentos en donde
la ama de casa
sí ama
la casa
que ama pero que
en realidad
no ama
sobre todo:
cuando llega la gente
y es el momento de:

refregar la ropa y
en especial los slips
(que hasta ella, que perdi[o el asco por el gordo calvo, es decir por todo, le da asco)
preparar la cena y
cuidar todas las normas de higiene según lo disponde un papel en la cocina
(aunque lo haga después de los calzones)
sacarle los piojos a Marianita y
usar para eso el vinagre blanco de la ensalada
(así ella es su única amiguita cuando la dejen de lado en el colegio)
fingir amor por el perro y
obligarlo a dormir en la cuna del hijo
(pero acusarlo de no hacerle caso para que se baje)
llevar dos vasos de agua al cuarto a la noche y
aguzar los ojos para mirar a su marido, el señor, intimidantemente
(por si andaba pensando en divorciarse)

y es así
en esos momentos
donde la ama de casa
decide
aunque él no haya
pensado en divorciarse, que
ella
va a tomar:

la sartén por el mango
la taza por la asa
la olla por la manija
y
de todos modos:
chantajearlo. por estar
años y años y años
sometidamente sometida
y después:
viajará por el Panamá/
comerá guayabas con dulde de leche/
usará medias cancan todos los días/
bailará el baile del salón/
atarpa una cintita contra el mal de ojo en cada puerta que cruce/
saludará a la gente con dos besos/
limpiará sus dientes con cepillo eléctrico/
y
con la plata que le sobre
se volverá
su propia ama
de ninguna casa
en ningún lugar,"


Natalia Rozenblum

segunda-feira, 30 de maio de 2016

tomar as rédeas

"Aquilo que não pode ser concebido por meio de outra coisa deve ser concebido por si mesmo".

Spinoza

domingo, 29 de maio de 2016

sale el blues

"sale el blues del concepto musical occidental
en el sentido de que escapa, no proviene
si uno quiere soltarse las cadenas - lo que dudo
no hay cadenas, dudo que alguien quiera liberarse
de lo que no hay, tampoco de lo que hay, que desconoce
dudo más: dudo del deseo de liberación de la especie
humano acurrucado en el rincón del canto: he ahí la imagen
sosegado en el muelle del confort, un bienestar
miedo, nuevo lugar al sol
una acuarela de barca, tinta, agua chirle
-la omnipresencia se vuelve imperceptible
la omnipresencia del troll
era la idea de un dios de una especie impalpable
no se ve: lo toma todo, no se toca: manos quietas -
un perro de algodón
negros del blues, morenos del candombe
uno escribe de la misma forma de quien deja
deshilachando mucho, a la pregunta
la respuesta: hilachas
viene un día la desmesura de no ser
el ser, último bastón
si caes sigues sola sin mí hasta que encuentres otro antes
del momento de la desmesura de no ser y así."

Eduardo Milán

sábado, 28 de maio de 2016

Ignora o horizonte

"Ignora o horizonte.
Troca quentes trópicos por um doce de padaria.
Ontem pegou Ofélia pela mão no caminho para o lago e
soprou-lhe os olhos

Os sapos faziam ruído de máquina
Da consani que levava dedos
O fundo eram offsets
Roto? Flexo?

Por pouco não perdeu...
Separou corpo e mente,
a perfeição no leque repetido por vinte e cinco anos,
enxergava por um átimo o futuro.

Acordou

Anos separando verde e vermelho,
reciclando o lixo:
joio e trigo de plástico e chumbo,
gatos selvagens correndo na grama contaminada.

Toca árvores todos os dias,
olha suas folhas
desaprendeu as medidas da sua polar mor.
Cinco colheres de café e um copo de açúcar?

O esterno parou de doer no terceiro ano,
o solvente não queima mais por dentro,
mas lhe deixaram parafusos.

Abre a janela com o pé assustando as maritacas,
Que não comem cevadinha.
O cachorro late estressado no cubículo azulejado.

Cinco aqui aqui.
Cinco anos lá.

Abraços apertados,
o mar de Itapuã na boca de ferro,
o choro no ombro azul royal,
a canjica no café dos dias frios.

quero-quero."

Cristiane Gomes

sexta-feira, 27 de maio de 2016

desconcertos

talvez soubesse que havia perdido a minha vez, a minha senha, hipnotizada pelo monitor. falava alguma coisa sobre tentativa de homicídio, uma apresentadora de tv falando de outra apresentadora de tv. tv só fala de si mesmo e tudo cabe dentro dela. um hotel de luxo, um homem morreu, e eu esperando as cópias autenticadas, minha senha com três dígitos no monitor. pensei naquela vez que te levei até o aeroporto e seus olhos brilhavam diante de um café. não foi o último que tomamos juntos, mas foi o mais dolorido. e o mais bonito também. pensei naquela vez que você me buscou no aeroporto com meu pai e eu fiquei com cara de merda, agora vou ter que ficar com você, e eu mal sabia o que é mesmo que eu queria, tinha beijado outro cara na noite passada. pensei também em outra despedida, todo mundo saiu do quarto e a gente ficou lá sozinho querendo se beijar, mas com vergonha, e daí não deu outra: a gente se levantou e foi embora. com raiva deles, com raiva da gente. uma semana depois, a gente ficou e estragou o imprevisível. pensei também naqueles dez segundos antes de eu passar por outra porta de aeroporto, você me levou até lá com o carro da outra, e eu toda contente com o amor eterno até carimbar o passaporte e me sentir aliviada que estava voltando pra casa. pensei também no cachorro quente do posto de gasolina que você comeu e vomitou quando eu terminei o namoro que, na verdade, já tinha terminado na porta do cemitério. espera, que tem mais. pensei também no dia que você me deixou na porta da casa do meu pai e disse que ia me ligar no dia seguinte, mas eu sabia que não ia. você vai se casar com outra, e tá tudo bem, eu não quero me casar com você. só sentimos falta um do outro. o moço do meu lado me avisou que era meu número que estavam chamando. as cópias já estavam prontas. ainda deu tempo de pensar em mim mesma de olhos fechados e cabeça no vidro do ônibus, indo embora da sua casa para o terminal de trem, pela última vez. tem tantas mortes na tv e também numa vida só.


Ellen Maria

quinta-feira, 26 de maio de 2016

cão

"é muito admirado pelo homem
porque acredita
na mão que o
alimenta. um
arranjo
perfeito. por
13 centavos ao
dia você tem
um assassino de aluguel que pensa
que você é
Deus. um
cão não sabe distinguir um nazista de um
republicano de um comuna de
um democrata. e, muitas vezes,
nem eu."

Charles Bukowski

quarta-feira, 25 de maio de 2016

Consolo na praia

"Vamos, não chores...
A infância está perdida.
A mocidade está perdida.
Mas a vida não se perdeu.

O primeiro amor passou.
O segundo amor passou.
O terceiro amor passou.
Mas o coração continua.

Perdeste o melhor amigo.
Não tentaste qualquer viagem.
Não possuis casa, navio, terra.
Mas tens um cão.

Algumas palavras duras,
em voz mansa, te golpearam.
Nunca, nunca cicatrizam.
Mas, e o humour?

A injustiça não se resolve.
À sombra do mundo errado
murmuraste um protesto tímido.
Mas virão outros.

Tudo somado, devias
precipitar-se - de vez - nas águas.
Estás nu na areia, no vento...
Dorme, meu filho."

Carlos Drummond de Andrade.
em A rosa do povo.

terça-feira, 24 de maio de 2016

Feche os olhos e acorde

não se estuda um sorriso
aberto o choro não se interpreta um olhar
depois de virado não se analisa um sonho
realizado o desfecho não se compara
uma vida com a fantasia de um livro
oh, alguém vai se iludir. o universo tá aí.


Ellen Maria

segunda-feira, 23 de maio de 2016

Lenguas y afectos

"Escribo en inglés y me doy cuenta que extraño la lengua. No extraño el lugar, la ciudad, ni el país donde la hablaba, sino el entorno que esos sonidos y esa gramática construían. Sus giros idiomáticos, el modo de argumentar, las formas de exponer y debatir. El portugués, en cambio, de alguna manera, está siempre conmigo, y por lo tanto, no llego a extrañarlo del mismo modo. Entre lenguas, la vida recibe ondas afectivas y sonoras que arman una red enmarañada de intensidades."

Florencia Garramuño

domingo, 22 de maio de 2016

ellos

"Sentimientos encontrados
No es encontrar los sentimientos
Sino que los sentimientos
Se encuentren lado a lado
Mudos pero sintonizados."

Rodolfo Mata

sábado, 21 de maio de 2016

habitar o instante

Uma vírgula caída
no meio dos trilhos
e o que era ponto final
de uma sentença e começo
de outra, vida
se torna vocativo.


Ellen Maria

sexta-feira, 20 de maio de 2016

Dêitico

Em agosto faço três anos de mestrado
uma tese não cabe em três anos
mas quanta vida acaba
uma tese não acaba em três anos
mas quanta vida cabe
na contagem regressiva
do já
e do ainda.


Ellen Maria

quinta-feira, 19 de maio de 2016

Farelos

Um pássaro come farelos no pátio
sem a menor ideia de futuro
se seguir em frente
ou voltar
mas para onde?
Os farelos no pátio também não sabem.

Ellen Maria

quarta-feira, 18 de maio de 2016

Autotomia

"Diante do perigo, a holotúria se divide em duas:
deixando uma sua metade ser devorada pelo mundo,
salvando-se com a outra metade.

Ela se bifurca subitamente em naufrágio e salvação,
em resgate e promessa, no que foi e no que será.

No centro do seu corpo irrompe um precipício
de duas bordas que se tornam estranhas uma à outra.

Sobre uma das bordas, a morte, sobre outra, a vida.
Aqui o desespero, ali a coragem.

Se há balança, nenhum prato pesa mais que o outro.
Se há justiça, ei-la aqui.

Morrer apenas o estritamente necessário, sem ultrapassar a medida.
Renascer o tanto preciso a partir do resto que se preservou.

Nós também sabemos nos dividir, é verdade.
Mas apenas em corpo e sussurros partidos.
Em corpo e poesia.

Aqui a garganta, do outro lado, o riso,
leve, logo abafado.

Aqui o coração pesado, ali o Não Morrer Demais,
três pequenas palavras que são as três plumas de um vôo.

O abismo não nos divide.
O abismo nos cerca."


Wislawa Symborska
Tradução coletiva (publicada na Inimigo Rumor, 10)

terça-feira, 17 de maio de 2016

mobal da históbia

"alguns alegam
rom e buim
não se pode
enrabalhar.
mas que rubbice!"

Ernst Jandl
Tradução: Ricardo Domeneck

segunda-feira, 16 de maio de 2016

No te basta?

"Mis amigas me habían advertido:
ya te vas a ver rodeada de hombres jóvenes
como los pájaros que sobrevuelan a San Francisco.
Ahora, las nuevas generaciones me buscan
ese momento en que no sos joven ni vieja
y ellos son curiosos, quieren saber.
Me aplaudís cuando termino de leer
decís que te gusto, que escribo bien
me presentás a tu novia, estudia Letras.
Cuando ella se va me decís un piropo.
No sé si cambiaron los códigos
o te tomaste una licencia poética.
Nene, no te basta con tu novia?
Te agradezco, pero se trata de
habitar el instante, el presente
la vida son tres dias, y ya pasaron dos."

Griselda García
(en Valderrama 15)

domingo, 15 de maio de 2016

Una elegía

"En la época de mi madre
las mujeres eran probables.
Mi madre se sentaba junto a mi abuela
y las dos eran completamente de carne y hueso.

Yo soy apenas una secuela estable
de aquel exceso de realidad.

Y en la ansiedad del pasado indefinido,
en el aspecto durativo de elegir,
escribo ahora: una elegía.

(...)"

Mirta Rosenberg

sábado, 14 de maio de 2016

O invisível e o inesperado

"Traduza-me, não me traduza. Por um lado, não me traduza, isto é, respeite-me como nome próprio, respeite minha lei do nome próprio que está acima de todas as línguas. Por outro lado, traduza-me, ou seja, compreenda-me, preserve-me na língua universal."

Jacques Derrida.

sexta-feira, 13 de maio de 2016

A origem

e foi assim
que todas as letras se embaralharam
e formaram seu nome
que se escondeu por nove meses
entre as espumas do nosso colchão
antes de se revelar

mas isso foi só depois
que a poesia de nossos pés
ainda mais embaralhados
caíram de sono
(e por sorte dos corpos que habitamos
já estávamos deitados).


Ellen Maria

quinta-feira, 12 de maio de 2016

Noção de Pátria

"Que faz minha memória de outras gentes
aos poucos na distância e aos sustos intocável?
Que faz com que marchemos inodoros,
eu e vós - gentes - e nós, ventos salubres
que asseveramos a lei da contumácia
na falência do sopro, e o júbilo
do sopro na denúncia da morte,
nós- os meninos do beijo à verde voz?
- Apenas o amor e, em sua ausência, o amor,
o exílio do exílio à margem da margem."

Décio Pignatari

quarta-feira, 11 de maio de 2016

Ontem

"você se deixou abraçar pela primeira vez.
até assustei,
um enlaço de anos que eu queria tanto faz tempo e nenhum momento possível na minha vista, mas ontem
você estava Pronta, estranhamento aberta quando nossos corpos se encontraram e se grudaram
pelos segundos que ficaram estendido até
hoje quando acordei e
tentei de novo, a lavanda do teu perfume sumida de mim,
eu precisava dela
pelo menos mais uma vez.
saí da cama te adivinhando pelos cômodos,
te encontrei de costas
na cozinha fazendo
suco
tão dura
quanto um tronco
morto
por um machado na mão do homem que não sabe que se mata enquanto mata
o tronco, foi
triste e ver Fria
mesmo depois de
Ontem.
pelas cordas invisíveis em mim que me avisam do
melhor ir ou
melhor não ir (chamam intuição, prefiro
a Corda)
por ela notei
que ontem morreu como possibilidade de hoje.
alguma coisa que não se repete acontece com a gente dia a dia.
com o mar também. com as guerras. nada é igual a ontem nem 1 tiro dado igual,
nenhuma onda exatamente do mesmo ou no mesmo lugar,
o surfista ontem surfou,
hoje caldo e
natação, nenhuma pessoa
sobrevive ao
hoje. em um jornal da cidade
se teve notícias que alguém não mudou. depois descobriram
que o jornal era um livro de poesias,
vê? não adianta fugir da coisa.
ela é pequena e sem nome, mas tem nos quadros dos pintores que enlouqueceram.
é uma vírgula no vento que bate nos cílios,
uma bobagem na carne morta levemente viva quando o garfo a espeta,
alguma coisa entre o piano e o dedo além do
pó que
Muda
a gente
profundamente nos tornando 1 ser humano diferente por dia.
é Mínimo,
só percebe isso
quem já descobriu por dentro que somos esse alguém que nos abandona no fim do dia pra nunca mais.
o mas não percebe. a montanha os pássaros
não percebem. a água
só cai do olho de quem notou."

Aline Bei

terça-feira, 10 de maio de 2016

a supposedly fun thing i'll never do again

"Saber viver, saber ser preso, saber ser solto."

Augusto de Campos

segunda-feira, 9 de maio de 2016

Aproximação como busca, que nunca chega ou encontra

fechadura enferrujada
                                   chave também
as janelas sujas cheias de marcas
são dedos
um batizado antes do nascimento é prefigurar a morte
compro flores
pago em notas miúdas
                                    aqui segue o inverno
elas que vêm de fora
de um país onde
tampouco duram muito
                                     não conhecem a manha
há tantas coisas sobre a cama que às vezes durmo sobre
outras no sofá
até que o sol me cubra ou exploda
escrevo.


Ellen Maria

domingo, 8 de maio de 2016

Saudação

"Oh geração dos afetados consumados
e consumadamente deslocados,
Tenho visto pescadores em piqueniques ao sol,
Tenho-os visto, com suas famílias mal-amanhadas,
Tenho visto seus sorrisos transbordantes de dentes
e escutado seus risos desengraçados.
E eu sou mais feliz que vós,
E eles eram mais felizes do que eu;
E os peixes nadam no lago
e não possuem nem o que vestir."

Ezra Pound

sábado, 7 de maio de 2016

O que é o desejo

se incha o algodão de sangue antes do sangue
antes de cair
uma só gota se incha o algodão
de sangue.


Ellen Maria

sexta-feira, 6 de maio de 2016

Em forma mais feliz

"em forma mais feliz e produtivo
satisfeito
nada de beber demais
exercício regular na academia (3 vezes por semana)
lidar melhor com seus colegas de trabalho na empresa
em paz
comer bem (nada de jantar de microondas e gorduras saturadas)
motorista melhor e paciente
carro mais seguro (bebê sorri no banco de trás)
dormir bem (sem sonhos ruins)
sem paranoia
cuidadoso com os animais (nunca mandar aranhas pelo ralo)
manter contato com velhos amigos (um drink de vez em quando)
sempre checar a conta (buraco no muro) no banco (de boas ações)
favor com favor
afetuoso não apaixonado
caridade por débito automático
compra de mês no domingo
(nada de matar mariposas ou ferver formigas)
lava-rápido
não ter mais medo de escuro
ou de sombras ao meio-dia
é tão ridículo adolescente & desesperado
tão infantil
num ritmo melhor
mais lento e calculado
sem chance de fuga
agora autônomo
preocupado (mas impotente)
membro capaz & informado da sociedade (pragmatismo não idealismo)
não chorar em público
menor risco de doença
pneus de chuva (foto do bebê com cinto no banco de trás)
boa memória
ainda chora num bom filme
ainda beija com saliva
não mais vazio nem fora de si
como um gato
preso a um pau
que se crava no
cocô gelado de inverno (a habilidade de rir nas fraquezas)
calmo
em forma, mais saudável e produtivo
um porco
numa jaula
sob antibióticos."

Thom Yorke
Tradução: Dirceu Villa

quinta-feira, 5 de maio de 2016

Breve relato mitológico inspirado en las tareas del hogar

"Pasa el polvo
y el polvo vuelve.

Progresión geométrica
a su alrededor
en las opciones del desorden.

La suciedad se aparta, se destruye
y regresa.

Cada día en la ropa
nuevas manchas
de dificil limpieza.

Etc."

Sandra Santana

quarta-feira, 4 de maio de 2016

O que vale

"Eu vou dizer, não há nada muito importante. A vida é só uma vinheta, um haikai perto da eternidade. Então talvez o que valha mesmo no fim das contas são os segundos que você passa apreciando uma gravura do Hopper ou aquela gota de suor que escorre pro umbigo da mulher que você ama. O que vale são os pequenos detalhes. O que vale não é o poema, é o verso que resume todo o poema. O que vale não é a peça de teatro que escrevi. É ficar esperando a peça inteira para dizer aquela fala. A fala exata, aquela que eu sempre quis dizer, e por isso acabei escrevendo uma peça inteira só pra poder dizer."

Mário Bortolotto

terça-feira, 3 de maio de 2016

Ainda é cedo

olho pro céu buscando algo
me escapa o nome daquilo que sobra do cigarro
seja o que é
                                jogo longe
estou em terra nova de cinquenta estrelas
faz frio mas ainda não tremo
e não conheço ninguém por mais de vinte e quatro horas
um rosto
                 no entanto
                                   na fumaça que sopro se volta
com certa familiaridade
que sinto ter em situações de tímido desespero
brando (alguma vez já te aconteceu isso?)
e quando me vejo incapaz de seguir
olho pra ele
e ainda é cedo
falta mais música
                a dança
                              uns tragos
                              canções em guitarra
o corpo aguenta muito sem filtro
até que a noite pertença somente aos gatos
olho pra ele sem desculpa
(te tive aí, por uns segundos, em pause)
e de repente, vem o nome:
                                             bituca
                                                         guimba
(como será que diz em tua outra língua?)
e já é hora de voltar
                               ao ponto
                               de partida.


Ellen Maria

segunda-feira, 2 de maio de 2016

Durante tantos años tuve hambre

"Durante tantos años tuve hambre-
Hasta que llegó mi mediodía - mi hora de comer -
Temblando me acerqué a la mesa -
y probé el vino extraño -

Era lo que había visto sobre otras mesas -
Cuando volvía, hambirenta, a casa
y veía por las ventanas la opulencia
que no podía pretender para mí -

No reconocí la abundancia del pan -
Tan diferente de las migajas
que los pájaros y yo compartíamos
en el comedor de la naturaleza -

La plenitud me lastimó - era algo tan nuevo -
Que me sentí enferma - y rara -
como un fruto del árbol montañés -
transplantado al camino.

Tampoco estaba hambrienta ya - descubrí
que el hambre - es algo que sienten
aquellos que miran por las ventanas desde afuera -
y que, entrando, lo pierden."

Emily Dickinson
Traducción: Isaías Garde

domingo, 1 de maio de 2016

El pacto

"Si me enciendes, no aguardes
de mí un lenguaje al uso,
los desgastados ritos del amor,
las consabidas normas,
los burdos reglamentos
que matemáticamente predicen
cómo todo se teje y se desteje.
Si me prendes,
no dejes leña para un día
que acaso nunca ha de llegar,
y arriésgate al juego prohibido
que ignora la aritmética y el cálculo.
No te cubras, no conserves:
organiza tu vida para el fuego.
Este es el pacto: si me incendias,
arde conmigo."

Alfonso Brezmes