sábado, 27 de dezembro de 2014

cenário

não há nenhum nome onde morar
tudo é estrangeiro
não há nenhuma expectativa lograda
é o menor dos males
melhor parar de contar
há quem sofra por antecipação
há quem deixa a pedra no meio do caminho
e só volta a olhá-la pelo retrovisor
ou nem isso
abaixa os óculos escuros
e segue a vida
passando no débito
paisagens
há quem coça o olho
pra ver tudo embaçado
mas esse está numa rede
já longe dali
há também os que desistem antes
e quem vai sem saber o endereço
nem o botão do ejetar
há quem vai mas volta antes
foge pra debaixo da cama
ou pra qualquer cama
e geme para dentro
há quem se ocupa com ideias
ou imagens
conheço quem apela a outros seres
não há nada de novo
que bela infelicidade

Ellen Maria
DF jan/2015

sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

Fim do fado

As trinta fantasias possíveis
transformadas em trinta cigarros
as trinta palavras mais lindas
convertidas em mais de trinta tragos
são trinta mulheres esquecidas
são trinta poemas dedicados
trinta livros que tinha guardado
e você só me diz não estranhe
se apareço de braço dado
a outro
são trinta as formas que tenho pensado
em dizer obrigado (irônico) por não me dizer nada
antes desse adeus frustado
no mês que faço trinta anos
findas as tranças da nossa filha
imaginária
o trilho que nunca te trouxe
de volta pra mim hoje 
traz a pior notícia de seus lindos lábios.

Ellen Maria

terça-feira, 23 de dezembro de 2014

Mandarina

"el otoño despliega su hálito sobre todo, despacito e inexorable. la lluvia me ha despeinado, o peinado, no lo tengo claro, pero me enfría la cabeza. frío que siento en las manos y en los hombros aunque los lleve tapados. tengo hambre y, en casa, lo único que encuentro para saciarme es un bol de mandarinas. pelo una y devoro y saboreo cada uno de los gajos. entonces observo las pieles abandonadas en el plato limpio, y pienso que es un desperdicio. y me imagino frotándotelas en el pelo, para que después se me pegue el olor en mis dedos, y las siento recorriendo tu piel, aunque tú no te despiertes, y me llega tu calor mezclado con un rumor de patio de colegio. me bebo la inocencia ácida que exudan tus ojos cerrados. y me lloran los míos salpicados por las gotitas que me llegan de exprimir tus mejillas. el naranja y el rosa combinan pecaminosamente bien. te amo, te lamo, te adoro, te devoro. mi extraña pelotita naranja que aún no he mondado, porque aún estás en mis manos y no te he descubierto."

albert

quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

My first poem

Think a book
take this thing
imagine that scene
and kill the quill.

Ellen Maria

terça-feira, 16 de dezembro de 2014

Saudade de Ellen Maria

"Como un viento que entra por la costa
como un rumor de alta marea
de abejas que se despiertan al unísono
como una premonición de sereno
como el olor del incendio
todo comienza en mi cabeza
Ahí se agitan los barcos contra el muelle
así se desperezan los erizos
ahí parten las parvadas hacia el sur
Yo ando con un fuego anticipado
Yo cargo el peso de mi cuerpo
sobre una única columna
que en el instante edifica sus mármoles
y tensa sus enredaderas
Qué alienación de mundos
Qué par de islas gemelas
sobre las que yerguen dos volcanes activos
Qué noche tu cabello
derramándose sobre tu espalda
Qué olas quietas rompen en tus tobillos
Quisiera no pensarte tanto, no verte en todo
pero tu cuerpo salta del paisaje
invade como el mar bajo mi piel
como un ejército de hormigas
como un himno en las iglesias
como un temporal como la arena
La soledad es un tesoro que desprecio
una tierra a la que renuncio
un trono sin pueblo ni lacayos."

Manuel Colina

Tempo

O preto já não é tão preto
O branco já não é tão branco
Deixo de molho em água morna
peças sensíveis
Deixo secar na sombra
sem deixar o que tem brilho virar fosco
As roupas me mostram que o tempo passa
a ferro do lado do avesso
ou sou eu que digo a elas?

Ellen Maria

sábado, 13 de dezembro de 2014

Teoría del cansancio

Me senté en el medio del camino
me gritaron piedra
me tocaron piedra
me miraron piedra
me quisieron piedra
no lloré, no moví, no canté, no sentí
me cubrieron de musgos
hormigas e flores
me hicieron un poema
me tradujeron
proyectaron llevarme a un museo
cuando al final descansé
yo con mis retinas libres
me levanté y partí.


Ellen Maria

A fábula da pedra

Talvez o título falte
É bem provável que falte

O título foi tirar o título
Atingiu a maioridade

Entrou em coma
Antes deixou por escrito:
Doador de órgãos

Nenhum outro título no mundo
o substitui

Mas foi possível
viver sem o título

Hoje borda ponto cruz
sabe o ponto da bala
e não sonha com o ponto final.

Ellen Maria

Educação

Sem culpa de haver sido
cavalo
quando podia ser somente
homem
no direito de permanecer calado
tal o animal
prefere ainda deste as patadas
e daquele a capacidade de humilhar o próximo
com seu garbo
não havia salvação, pensavam uns
mas melhor que sacrificar
é derrubá-lo de si mesmo
marcha lenta
marcha lenta
sem reproduções do coice
até o dia em que as ferraduras
se tornem peso de papel.

Ellen Maria

sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

claxon

Hoje me lembro daquela noite
e tento pensar quanto tempo durou
que horas começou e quando terminou
enquanto escuto gotas vindo de um xilofone
no meu fone de ouvido
e escrevo
e arranco a cutícula
como faz ele também na ansiedade
E aquela noite
às vezes parece um instante
um só instante no mudo e no rec
estou gravando, eu sei que estou gravando
você fala e eu não ouço nada
eu te abri a porta
você joga meu computador no chão
eu não lembrava, minha amiga me lembrou
quando falamos disso semana retrasada
você me cospe
não não isso foi bem depois
você fala mais e joga as coisas
eu não consigo te escutar
procuro raciocinar
eu já não tenho tv
não tenho cama
eu me preocupo com você
e a minha integridade física
o que será que a polícia ia falar?
minha amiga acha que eles iam me culpar
são sempre eles
e de repente ganha som outra vez
com o final da música
você volta a gritar naquele instante
que eu coloco a mão no bolso
e tento tatear no celular um um um nove e
você agarra minha mão e diz
você não precisa ter medo de mim
e me solta da parede
lembro dos seus dedos
meus braços contra a parede
foi puta ou pelotuda
os dois ou não sei
não sei mais se isso foi antes ou depois
de você quebrar a outra parede
chutar até quebrar
e eu não sabia se te puxava ou se fugia
depois te entreguei meu dinheiro pra você ir embora
e você disse que não ia
depois que ia
que eu não tinha nada de dinheiro
que aquilo era nada de dinheiro trinta e dois
reais eu lembro que tinha pouco dinheiro aquele dia
e você chorou
não sei mais se foi nesse dia que você sentou e chorou
acho que foi nos dois
eu não sei como nem que horas você foi embora
eu não lembro se tranquei a porta
acho que tranquei
não lembro se liguei pra minha amiga
ou se
acho que fui ver se meu computador funcionava
da outra vez eu tinha limpado tudo
os cacos
as farpas
quanta madeira tinha naquela casa
dessa vez eu não me lembrava
eu não me lembro se deixei tudo pro dia seguinte
dessa vez eu fiquei ainda mais transtornada
da outra vez você dormiu em casa
eu no sofá
no outro dia você acordou triste mas sorrindo
dessa vez você foi embora
porque não morava mais lá
acho que tranquei a casa inteira
hoje eu penso que eu parecia bêbada depois
sem acreditar desacreditada
a música acabou e você foi embora
não tem mais ruidos em nenhum lugar
nem hoje agora
escrevo em silêncio
acabaram as gotas faz tempo
nunca mais consegui ver um copo quebrado sem lembrar de você.

Ellen Maria

quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

Gente das letras

Dividindo os cílios que caem
a sujeira do umbigo
a história dos filhos in vitro
o coração inteiro
(você fica com o fígado)
a calça e o chocolate
para o mendigo
um poema amigo
a falta de alma
(ou a celebração da memória)
o artigo
a casa, a cama, o lençol macio
as pílulas, as contas
os planos e o veredicto
multiplica os sonhos
o resto a gente escreve
o mundo em portunhol antigo.

Ellen Maria

Tenho quebrado copos

"Tenho quebrado copos
é o que tenho feito
raramente me machuco embora uma vez sim
uma vez quebrei um copo com as mãos
era frágil demais foi o que pensei
era feito para quebrar-se foi o que pensei
e não: eu fui feita para quebrar
em geral eles apenas se espatifam
na pia entre a louça branca e os talheres
(esses não quebram nunca) ou no chão
espalhando-se então com um baque luminoso
tenho recolhido cacos
tenho observado brevemente seu formato
pensando que acontecer é irreversível
pensando em como é fácil destroçar
tenho embrulhado os cacos com jornal
para que ninguém se machuque
como minha mãe me ensinou
como se fosse mesmo possível
evitar os cortes
(mas que não seja eu a ferir)
tenho andado a tentar
não me ferir e não ferir os outros
enquanto esgoto o estoque de copos
mas não tenho quebrado minhas próprias mãos
golpeando os azulejos
não tenho passado a noite
deitada no chão de mármore
estudando as trocas de calor
não tenho mastigado o vidro
procurando separar na boca
o sabor do sangue o sabor do sabão
nem tenho feito uma oração
pelo destino variado
do que antes era um
e por minha força morre múltiplo
tenho quebrado copos
para isso parece deram-me mãos
tenho depois encontrado
cacos que não recolhi
e que identifico por um brilho súbito
no chão da cozinha de manhã
tenho andado com cuidado
com os olhos no chão
à procura de algo que brilhe
e tenho quebrado copos
é o que tenho feito."

(Ana Martins Marques)

quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

Mal da eloquência

Aqui descreve
Pêro Vaz de Caminha
o achamento das Índias.

Allá no escribe
pero va y camina
lentamente hacia las indias.

Ellen Maria

Ora, direis, não tem humor?

"Não espero exatamente do Brasil, a esta altura, um Monty Python, e já não leio há anos a Folha e os grandes autores contemporâneos nacionais que lá escrevem, a não ser quando algun amigo virtual posta um artigo precedido por aquela curiosa repetição da letra K para demonstrar seu riso. Gosto de riso, caio como mosca no mel. Pessoalmente, preferiria que brasileiros não usassem a letra K desta forma, pois sempre me faz imaginá-los não rindo, mas cacarejando sob um capuz branco pontiagudo. Poderiam usar o R e o S juntos, como fazem outros, ainda que isso sempre leve minha mente para o Rio Grande do Sul, e sei que é preciso escrever um poema sobre o Rio Grande do Sul, mas eu estive lá o mesmo número de vezes que esteve Drummond na Bahia. Sempre sugiro o inglês LOL, porque me lembra o SOS, e penso que todo riso tem seu aspecto de braços agitados em alto-mar, o corpo já meio submerso."

Ricardo Domeneck

Descubrimiento verde y sol en un páramo indecible

A Ellen
"Donde
            viejas ciénagas
            prístinas aguas
donde
           la negación de la piedra
           y la reivindicación del musgo
donde
           la trágica gota
           rompe en claros
           veloces colibríes
donde
           antes ruinas, abandono
           abatimiento
donde
           una tranquila emergencia
donde
           abrevan fúricos
           caracoles de viento
donde
           cáusticos leucócitos
           se amotinan
           contra los pronósticos
yo
           que entre otras palabras
           no creo en el alma
sin más
           dejo caer esa
           como el lugar donde me habitas."


Manuel Colina.

sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

Quando não digo seu nome

Quando não digo seu nome
falo de tantas outras coisas
da minha lista
e menciono os coelhos que comem tabasco nos campos de cenoura da Holanda
e relato sobre os pinguins estuprados por focas numa ilha do Atlântico Sul
e descrevo como uma pessoa pode entrar em auto combustão
e detalho acerca da senhora que acordou falando três novas línguas
e converso ante as vantagens de comer pão sem glúten e tomar leite sem lactose
e rio de nervoso.

Ellen Maria

Cantiga

(Para William, quem afinal sobreviveu)

Foi assim
que depois de um pedido
afasta se não eu atiro
com direito a lágrima
e abraço de amigo
o gatilho não dispara
e a suposta vítima
fica de cara
desacredita
ainda por cima
(e ainda bem)
eram balas de festim.

Ellen Maria

Manobra fiscal

Tá bom
que a economia
não anda bem das pernas
não anda com as próprias
pernas
deficiente, (pobre!)
precisa de cota
bater a meta da rifa
hora extra
pra comprar cadeira
de rodas
que o déficit bateu em minha porta
Abre a porta fora
do ponto
que ela já vai descer
(mas pimenta nos olhos
dos outros é refresco).

- Senhoras e senhores,
põe a mão no chão.

Ellen maria

Música

O encontro com um, que é outro
e ao mesmo tempo conectado
não como se fossem dois
ou só um
mas como uma unidade dobrada
Sem pensar em números
ou em mitos platônicos
Mas na forma
e conteúdo
da mínima nota e metáfora
Sem jogo de palavras
somente o encontro
entre letras, lunares e miradas,
os dedos se tocam, tocam,
fazem contato
livre expressão inventada
Pausa
Volto ao ponto
rosto sério, fixo
decisão tomada
depois um sorriso
que é abrigo das tempestades
caladas
só pra dizer que fico
ou melhor dito, que vou
(passagem comprada)
só pra dizer que fico
ou melhor, repito, eu voo
(passagem comprada)
Não há mais como dormir
nem despertar
sem pensar que há no agradecimento
beijo na mão
de olhos fechados
Obrigada
cheio de graças
sem saber a duração
do desejo que hoje me cheia
semi colcheia
e ultrapassa escalas
Dando nó na rosa
dos ventos
Caminho de lado
descompassada
E mostro dentes
e sentimentos
sem medo de ser
sem medo de ser inteira
ainda que rime com nada.

(para Victor, que durou
o tempo que dura
uma canção dos Ramones)

Ellen Maria

quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

margens desbordadas

(Para Ricardo Escudeiro)

Mergulho
mas nado de peito
Me debruço
mas durmo de lado
nos teus poemas
molhados
sono lentos

Um retrato
de meu tempo
sem espaço.

Ellen Maria

Retratos

Eu não me lembro dos meus avós paternos
Eu tinha quatro e cinco quando Emilia e Osny faleceram
Não tirei foto com eles
e depois nunca consegui falar deles
Mas sempre que viajo sozinha
e encontro uma borboleta branca ou preta
sorrio e digo Oi vó ou Oi vô
Na minha cabeça,
eles têm a cara da Virginia Woolf
e do Carlos Drummond de Andrade.

Ellen Maria

terça-feira, 2 de dezembro de 2014

Confraria do Vento

O frio que inspeciona o apartamento
vem com as cartas que chegam
por debaixo da porta
e se acumulam
sinal de outros tempos
ou os mesmos
ou ainda dos que ainda não nasceram

é que na espinha jazeu o último medo
ou o primeiro
e por hora
o coração sua em outro trópico

Volta, volta
sabe que volta
mas quando
não importa

Com a internet
as contas são pagas
e as distâncias de quem permanece
na cidade se encurtam
enquanto agora
o coração sua em outra de suas
voltas

já sem medo
já sem tópico
só felicitando quem está de peito aberto
no inverno
dançando
lá fora.

Ellen Maria

Un poema

Que no sucumban en las miserias
con miedo de las trincheras
Que no cierren los ojos
con miedo de las trincheras
Sí, es cierto que parece que todo ya fue a la mierda
No, no sabemos cómo hacer para que no se vaya
todo a la mierda
pero la sangre sigue latiendo
la sangre de varios sigue corriendo
y aunque haya más sangre fuera que dentro
mientras haya una sola gota hirviendo
habrá fuerza, habrá vida, habrá sueño
Habrá quienes vuelvan a mojar los ojos.

Que no sucumban en las trincheras
con miedo de la explosión
Que no cierren los ojos secos
con miedo de la explosión
Sí, es muy posible que todo explote
No, no sabemos dónde va a caer la granada
hasta dónde va el hilo de la dinamita
a quienes van a rescatar con vida
a quienes van a dejar hasta que se acueste la muerte
Pero habrá quien rescate, habrá quien resuscite
Habrá quienes vuelvan a mojar los ojos.

Luchamos
aunque haya mucha explosión
aunque haya mucha miseria
aunque haya mucha sangre y polvo
y granada y mierda
El sueño de los heridos renuevan
nuestras fuerzas
La libertad de los desaparecidos
late en nuestras venas
Las lágrimas de quienes ya fueron
mojan nuestros ojos.

Ellen Maria

Foe gras

Eu poderia morrer afogada
no óleo natural
das linhas da testa
de Willem Dafoe.

Ellen maria

Divórcio eterno

para meu pai.
Ressentido
ele mal fala dela
ele ainda fala dela
ele ainda fala mal dela
ele ainda pensa sente fala xinga ama grita aos céus odeia ela
é por isso que ele ainda
se odeia tanto.

Ellen Maria

Performance

Y en un acto
de presencia
mi personaje
articula
el epitáfio
:

aquí yace
un texto
aún en proceso

Ellen Maria

Poética

Escribo
para traducirme.

Ellen maria

Meias Notícias II

Dezembro, por fim.
Acabou agosto.
Já era hora de começar o inverno.

Ellen Maria

segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

Sabiduría familiar

Viéndote pasar
con prisa casi
que también me apuré
pero al mirarte un poco más
yo acá con mis madres
pensé
arena que mucho brilla ofusca
ya decía mi abuela
mucho trabajo para poca perla
y a la concha mía
me volví a meter.

Ellen maria

Testamento

una vida entera por ti
pero no esta.

todas las gotas que he derramado
todas las gotas
las gotas
que he derramado
derramé

el agua es un bien renovable.

Ellen Maria

sexta-feira, 28 de novembro de 2014

Correções

Sonhei
que entre tantas
folhas e falhas
encontrei
uma citação
de um poema meu.

Mas sigo a procurar poesia
nas redações do dia.

Ellen Maria

Gol, filho da falha

"tenho pena do goleiro
patética figura (tão humana)
sempre à espera
do que não pode ser
eternamente
contido"

Nydia Bonetti

terça-feira, 25 de novembro de 2014

Números

15
"Si se pudieran elegir
personalmente los deseos
yo elegiría estos tres:
no volverme a olvidar
el corazón en casa
como si fueran unas llaves
y que no me cuenten ya
más cuentos chinos
ni de otras nacionalidades,
por favor.
Este último deseo
bien puede valer por dos."

19
"Inmensamente proporcional
- veo veo
- qué ves?
- pues en general:
mucho gusano y poca mariposa."

20
"También en general, detecto
mucho miedo y poco peligro.
No hay peligro suficiente
para tanto miedo como tenemos."

Ajo Micropoetisa

...

"Escribo en el olvido
en cada fuego de la noche
cada rostro de ti.
Hay una piedra entonces
donde te acuesto mía,
ninguno la conoce,
he fundado pueblos en tu dulzura,
he sufrido esas cosas,
eres fuera de mí,
me perteneces extranjera."

Juan Gelman

Cómo decir, amor

"Cómo decir, amor, en qué momento
te rompes dulcemente entre las manos,
sin quejas, sin recuerdos, sin arcanos
y tal vez sin temor si sufrimiento.

Cómo volver a amar, qué sentimiento
de elementos divinos o profanos
puede reverdecer entre desganos,
en la etapa final del desaliento.

Pregunta al corazón por qué no cree,
pregúntale al mirar qué cosas lee,
pregunta al labio cruel por qué no besa,

y te dirán, sin duda, su fatiga
del amor fiel o la pasión mendiga,
su falta de esperanza o de sorpresa."

Julia Prilutzky Farny (Kiev, Ucrania 1912- Argentina 2002)
de Antología del amor, Editorial Plus Ultra, Buenos Aires, 1977

A larva

"Eu me estico para fora de minha folha de cerejeira
e sono a eternidade:
a eternidade hoje está grande demais
Acho que vou ficar aqui em minha folha de cerejeira
avaliar o tamanho de minha verde folha de cerejeira."

Werner Aspenström

quinta-feira, 13 de novembro de 2014

Em punho

Sempre saio
com um apito no bolso
um canivete na bolsa
dinheiro no tênis
rg na calcinha
são tantas as mensagens pra mim mesma

e o medo de olharem pra mim
o medo de me notaram sempre
que passo por alguém
que me assusta
faço cara de dor
e falo sozinha

passos rápidos
procurando um ansiolítico
na mochila das formigas

a velha calça cargo
com seis bolsos
pra levar o aluguel
a imobiliária não entende
quando saco duzentos reais de cada tênis
cem de cada bolso
ninguém entende
são as doze quadras mais longas da cidade
caminho com meu punho
fechado
fazendo força

Todo sigilo é pouco
eu sei
todo homem é louco
eu também sou
homem digo
e fico pensando em cada coisa

só o homem sentado na calçada
me dá
o olhar que dou
para aqueles que não me passam medo

não quero ficar louca
não quero ficar louca
não quero ficar na rua
lá vai outra louca na rua
repito
tantas vezes até voltar pra casa
com os pés quentes
e as notas
e o rg molhado

estará o perigo acontecendo agora?
estará o perigo
acontecendo onde?
pergunto enquanto
em punho
ainda ando.

Ellen Maria

Direto ao grão

Corto a maçã ao meio
arranco as sementes
com os dentes
elas vão para longe
o coro de Eurípides geme
como se eu acabasse de matar
meus filhos.

Ellen maria

quarta-feira, 12 de novembro de 2014

Hobbes.pdf

para DPF
Qual um lobo
me devoras
lunático
me escapas
entre o mito e o homem
me sobram
restos de maçãs mordidas
nem te conheço
quando sai o sol
és apenas aquele que leio
Tu santificado
mas sou eu quem visto a capa.

Ellen Maria

segunda-feira, 10 de novembro de 2014

A ver si me entienden

Yo soy una chica rutera
me gustan las gasolineras
los baños de restaurantes
las ruedas llenas de grasa
las rutas llenas de ratas
las heces llenas de tierra
las miradas llenas de sierras
de playas de playeras
de frentes de fronteras
y que no me siga nadie
por la calle o carretera
llevo balas en los ovarios
mi soledad es mi bandera
y en el día en que me muera
no busquen mi paradero
que derrita mis cenizas
un volcano en la cordillera.

Ellen Maria

Conductos

Suena zamba para no morir
parto el espejo
en un solo golpe
derrumbo la verdad
mi imagen en pedazos
mientras vierto sangre
por mis piernas
el destino da la humanidad:
alguien alguna vez me dijo
'hay que querer lo que nos pasa'
y creo en los caños
en el agua
que tiñe las aguas
en las radiaciones
que modifican sin alterar
El rojo vivo
no me deja renacer.

Ellen Maria

sexta-feira, 7 de novembro de 2014

Bienes

Lavábamos todo junto
Colgábamos entre los dos
yo pasaba mi mano en tu pelo
tú me planchabas el vestido
Salíamos oliendonos rico de casa
Siempre con ganas de quedarnos
tú encharcando sábanas
yo mordiendo almohadas
Después discutimos por un xampú
o era acondicionador? anti caspa
tú te fuiste con la cama
yo cambié la soga
Ya viste cuánto cabe en un tendedero de techo?
De nuestra casa cerré las ventanas
y un año después también me mudé
Al final nunca más pedí a nadie
que sacara la ropa
porque iba a empezar a llover.

Ellen Maria

Jams

Mañana no voy a leer
una vez leí y fue horrible
el ruido de una lata que abre
y todos miran al que tiene sed
un sarau para quién sirve
el ganador se hizo una paja
y eyaculó un poema
unas babeaban
leí mientras tartamudeaba
después saludé al que me oía
sudaba por los ojos más que yo
al final me regalaron una ficha
saliste muy bien pero te faltaron
performance y rola
distracción masiva
fumé hasta la colilla
y me vine caminando
hablando sola.

Ellen Maria

quinta-feira, 6 de novembro de 2014

.................Yo creo como hablo.................

me gusta montar rompecabezas por el lado 
del cartón cuando estoy sola cual un 
poema neobarroco nado me ahogo 
en la playa un caracol me lame 
la cara y dice palabras 
mágicas en 
arameo

terça-feira, 4 de novembro de 2014

Desague

Dos rayitas de color
y otra vez el miedo
de la sangre
que siempre estuvo por venir
y que yo termine
echando un producto azul
para limpiar el váter.

Dos rayitas de color
y otra vez el secreto
de blindar cualquier sonrisa
antes del tercer mes
y la espera eterna
de quien nunca vio
el sol nacer.

Dos rayitas de color
y otra vez el silencio
el duelo por nadie
a veces tengo ganas
de estar sola
a veces quiero
que todo no se parta.

Dos rayitas de color
y la lectura del prospecto.
Me canso de esa escritura
sin relato.
"Es tan lejos pedir.
Tan cerca saber que no hay."

Ellen maria

Rastros

después de la película Abuelos
La remoción de la tierra
los huesos sin embargo
no fueron tocados
fueron vistos por muchos ojos
los nuestros
mojados
y el olor se mezcla con el mareo
de estar en un cementerio en la playa
Mi abuelo fue encontrado
dije a mí misma
en voz tan suave
que creia improbable existir
Mi abuelo es tocado
por las yemas de los dedos
de los especialistas
escafandristas de la tierra
buscadores de tesoros perdidos
de la dictadura
que hoy parece
no pasar de cenizas
así como los pelos de mi abuelo
guardaré en la memoria
las gotas de lluvia
que cayeron en mi boca
mientras caminaba por la arena
mientras volvia a mi casa.

Ellen maria

At the same time

hilachas
firulas
minha fascinação pelos restos
barganhas
chalaneos
los retos que me sobran
dos homens que eu costumava ter
recuerdos de las varias lenguas
dos homens que eu costumava ser
las ruinas me quedan bien.

Ellen Maria

Insinuaciones

Habrá conocido tanta gente
compartido tantas sonrisas
querido tantas
besado tantas
pensado tantas cosas
y hoy me pide la mano
y hoy le doy mi mano
y en este momento me olvido
que yo también a todos
ya les he olvidado.

Ruminescência

Como toda má vegetariana
como mato
com a vaca já nos dentes.

Interrupções

Foi de um tombo a outro
até que aprendeu a levantar só
merthiolate para os joelhos ralados
pedra-pome nas calosidades
e as quedas se tornaram mais frequentes.

segunda-feira, 3 de novembro de 2014

Verbete I

qué significa: ehm... ahm... te extraño:

despertar
querer tu desayuno
comer beber saciar
mirar en tus ojos
sentir que el hambre volvió.

Mi despegue, tu aterrizaje

"Volver, vuelvo todos los años, pero no para quedarme. 
La pregunta para mí no es por qué no vivo en la Argentina
 sino por qué vivo en México. 
Y la respuesta es muy simple: 
Porque estoy enamorado de mi mujer, 
eso es todo". (Juan Gelman)

siete mil cuatrocientos cuarenta km
de rayos

que se caiga el avión en la tormenta
así volamos hacia el espacio sin paracaidas
y de ojos abiertos
donde la gravidad no hace su efecto

o caemos en la isla de las imágenes
donde morel lee un poemario
y lo analiza sin apuro
el equipaje tampoco pesa

que el destino de nuestro viaje ciego
sea las manos dadas
entre dos astronautas jugando rayuela.

sexta-feira, 31 de outubro de 2014

Señales de los dioses

Es noche de regalos
Toco tus lunares
con la punta de los dedos
mientras duermes
Camino entre ellos
hasta que te despiertas
y me comes entera
con tu boca seca
el cielo está limpio
pero dentro de mí, llueve.

quinta-feira, 30 de outubro de 2014

Intrucciones

En mi centenario de nacimiento y muerte
favor invitar a un delirante
que repita dos o tres veces los mismos versos
la autora estupenda que vale la pena leer
aunque casi nadie la conozca
aunque casi nadie sepa explicar bien por qué
y comente la ambiguedad de alguna fórmula
la poesía y la anti poesía novedosa
que hay en todos los que están muertos
que alguien me haga una crítica que no critica
y lea algunos de mis mejores poemas
cortándolos todo el tiempo para analisar alguna palabra
que a los que escuchan les dan sueño
pero hay que respetar a los viejos
quizás parta a algun bello ensayo
que a los lectores se les hacen escurrir miles de lágrimas
artificiales
y que cuenten algun chiste o anécdota
que haga el público reir
un homenaje a mi figura seria e irónica
por el narrador de acento raro y venido de lejos
y que este no se olvide de la frivolidad de mi persona
a la paciencia y al dolor
En mi centenario de nacimiento y muerte
favor ofrecer mate a todos los presentes.

terça-feira, 28 de outubro de 2014

Cinema e Renascimento

Querido Mark, Querida Mania,

Assim como vocês, escrevo em minha língua materna. Não é meu idioma preferido, nem o qual creio que escrevo melhor, mas há certas tradições a manter quando se escreve uma carta. 
Assisti o filme A vida pode ser (Life May Be) há menos de uma semana, numa sexta-feira a noite, sozinha, embora acompanhada de pessoas desconhecidas em uma sala de cinema na cidade de São Paulo. Todos muito bem vestidos. Todos em silêncio. Nem riram da propaganda que passou antes do filme começar sobre um jornal da cidade que diz dar espaço para todas as opiniões que divergem das escolhas políticas do jornal. Em outras sessões, as pessoas riram. Muros.
Quando o filme começou, ouvi sua voz entre névoas, Mark. Sua voz me hipnotizou. Ouvir você foi aprender inglês instantaneamente. Nem mesmo Frank Sinatra tem melhor dicção. Consegui imaginar suas cordas vocais abrindo e vibrando, fazendo o mesmo movimento que as nuvens da imagem que você gravava a Mania Akbari, enquanto sua boca articulava todas as letras e sibilava os poucos esses na leitura da primeira carta. Um espelho da alma.
As montanhas da Escócia também me hipnotizaram, Mark. E os outros cem lugares onde você esteve também. Cada céu, cada chuva e estrada me transportaram a um lugar, e também a um não lugar. Fico imaginando os postos de gasolina em que você esteve, os restaurantes de estrada. Você já reparou como eles são impessoais, Mark? Como uma torta de mirtilos pode ser deliciosa e ao mesmo tempo não ter gosto de nada? O que faz esse pedaço ser só seu e ser de qualquer um? Qual será o ingrediente? Imaginei como você lavava seu rosto e as mãos na pia desses restaurantes, Mark, e depois as esfregava, uma com a outra, para se aquecer.
Os vi em fotos, os vi deitados, em pé, em movimento, observando, viajando, escrevendo. Ouvi suas vozes, suas queixas, comentários, acentos e sotaques. Nunca tinha ouvido ninguém falar em persa. Nunca fiquei íntima de um irlandês. Nunca pensei que iria participar de um road-movie.
Os centro comerciais de Dubai eram tão estrangeiros para mim quanto os memoriais da Lituânia. Hoje não. Os conheci por uma janelinha. Mas não como um turista que enxerga tudo da lente de sua câmera, ou que visita Paris desde a poltrona de um barco pelo Sena. É a fascinação da forca e a consternação do silêncio. Não sei bem como explicar. Os conheci pela dor que rasga a leitura, pela verdade que desaba, ainda que o exterior permaneça intacto. Eu poderia passar horas conversando com vocês sobre os olhares das manequins do shopping e das estátuas do monumento aos mortos.
Assim como analisar em cada cena, cada traço de Martin Scorcese, Abbas Kiarostami, Virginia Woolf, Forough Farrokhzad, e outros cineastas e escritores de quem vocês beberam, e eu beberico. Nomes que me deixaram arrependida de não ter levado um caderninho para anotar todas as referências ditas e escondidas nas entrelinhas. Minha memória não é boa. A caixa é preta. Meu nome não é Pandora.
Mania, depois de vê-la na banheira, e Mark, depois de vê-lo completamente nu, consegui sentir mais a vontade com meu próprio corpo. Foi estranho. Foi incrível. A medida que eu ouvia você, Mania, e a via, tocando suas pernas, era como se estivesse eu com as luvas ensaboadas de espuma. A medida que eu via você, Mark, e ouvia, parecia que era eu que caminhava sem roupa por um quarto de hotel e sentia a cerveja circulando em minhas veias. Deixe-nos acreditar que está começando uma temporada fria. Agora tenho vontade de arrancar meu vestido em qualquer lugar que eu vá. Não o faço. A polícia pensa em grades, os advogados em leis, eu penso em peles. Graças a vocês.
O cinema e a literatura, as artes plásticas, a escultura e a arquitetura, cada minuto seu, Mania, foi poesia para todos os meus sentidos. Assistir com os olhos é bom, mas descobri outros poros abertos, espalhados, assombrados, aturdidos. Maravilhados, prestando atenção nas palavras suas e pausas. Não vi outro filme dirigido por você, Mania. Não conheço One2One, nem 20 fingers, ainda. Conhecerei. As suas cartas acompanhadas de vídeo, áudio e emoção fizeram que a solidão da escritura epistolar ganhasse outras proporções. Eu também estava vendo um ensaio, um documentário. Também estava vendo ficção. Todos em primeira pessoa. A paisagem é real. A solidão é real. O exílio é real. Mas a ausência não. Irã está presente em você, Mania. Foi o que eu mais senti. Você pode morar na ilha britânica de fumaça prateada, você pode visitar o Brasil, Irã a acompanha, não importa onde esteja, como um tapete persa de dois metros, mágico e voador.  Irã está em seus olhos, em sua doença, em sua cura. Irã a acompanha nas cartas a Mark Cousins.
Queria confessar a vocês que a troca de cartas que fizeram tivera mais de um destinatário. Talvez por engano, talvez por intenção. Acho até que já desconfiam. Tive a impressão de que estava vendo um filme feito por amigos, vocês dois, Mark e Mania. Amigos e amantes, de longa data e meus também. E com um amor tão retrato e sem moldura... que embora eu não os conheça, já me sinto da casa, de confiança. Já me sinto recém nascida, outra vez. Obrigada por serem meus Adão e Eva.

Ellen Maria.

domingo, 26 de outubro de 2014

Movimento retrógrado

Tem gente que sem querer desperta
uma tensão
por mais amável que comigo seja
e me protejo projetando o ácido do meu estômago
bem no centro dela
e ataco sem saber se haverá defesa
Depois fica a pena de tratar mal
quando até a empatia foi sintomática
mas como explicar uma coisa que nasce
sem palavra
e no final me cala?
Às vezes uma corda arrebenta só
quando acontece me vejo
mesmo sem entender nada
Como por a cabeça no travesseiro
quando sinto que ela melhor seria
se atravessada por uma serra?
Tem gente que sem querer desperta
o pior de mim
e às vezes só percebo
tarde demais depois
do agradecido adeus cansado
nessa hora sinto
que caminhei pra trás
que fiz o inverso na escala evolutiva
e até durmo, mas com certa mágoa
de ter sido selvagemente eu mesma.
Nos meus sonhos, eu sempre peço desculpas.

sexta-feira, 24 de outubro de 2014

"Recomún que todos los que tienen una historia
al costado del lecho dejen la ropa.
Que caigan muchas resistencias en livianas remeras,
en jeans un poco sucios. Algunos entre la oscuridad
tienen formas irreconocibles,
medias y el nombre: paños menores. Para sobrevivir
a todos y a todas las preguntas con las que
se van deshaciendo las cuadras de la calle Rosetti
retomo el momento en el que como una tribu
frente a la pila de ropa que se confunde clasificamos y nos
vestimos
de nuevo, parcial, para recorrer el departamento. También
cuando
pasó del momento encendido y lo más próximo es la calma
de dormir imitando la respiración del otro.
"Todo está conspirando contra"
debe pensar el que espera el bondi en la parada de abajo
del ventiluz. Muchas veces firmo ese diagnóstico.
Lo sostengo en las misiones errantes.
Encendemos un fuego que se ve desde
adentro del naranja de ese trazo nervioso.
Este es el minuto de silencio especial
en honor a todo lo que se desplomó.
A los que cayeron. Dedicado a la insistencia
con las que las olas rayan el suelo dorado de la cocina
y los caprichos agrandan la política y hacen
que la historia nos aplaste y nos, es una percepción, escuche."

(Sebastián Morfes, un minuto.)

sábado, 18 de outubro de 2014

Cenário

de quem sua
em show de rock, afro, samba, instrumental e até rap
enquanto canta em seu nome
Quando alguém envia luz enquanto chora
as lágrimas tem gosto de música
e ninguém nota.

sexta-feira, 17 de outubro de 2014

Loira gelada

Cada vez que eu vejo
uma propaganda de cerveja
me dá uma ânsia
aquelas mulheres todas
e o macho-paxá com copo na mão
penso no seu colarinho
enforcado
ou morrendo afogado
num mar de cabeças ocas
do departamento de espermarketing.
Seus restos aparecem na espuma branca
da ignorância que aparece
no canto da boca.

Bonjour

"Couteau et peigne sur la table
l'un près de l'autre avec
le silence sur eux
plus profond que la mer
Entre ces phrases l'historie d'une femme
Qui trancha suele
Les amarres du jou".

Guy Goffette

Cómo decir de pronto

"Cómo decir de pronto
tómame entre las manos
No me dejes caer. Te necesito:
acepta este milagro,
tenemos que aprender a no asombrarnos
de habernos encontrado,
de que la vida pueda estar de pronto
en el silencio o la mirada.
Tenemos que aprender a ser felices,
a no extrañarnos
de tener algo nuestro.
Tenemos que aprender a no temernos
y a no asustarnos
y a estar seguros.
y a no causarnos daño."

Julia Prilutzky Farny, 
de Antología del amor (Bs As, 1977)

quinta-feira, 16 de outubro de 2014

Livro de cabeceira

Em cima da minha cama
tem uma janela
uma janela sem tela de proteção
o texto na minha frente
é tão bonito que dá vontade
de escrever poesia com os olhos
e quando é hora de levantar
fecho os olhos de novo
guardo o céu no travesseiro
a imagem da literatura
daí começa bem o dia.

Ciclo

De cada uno que se va me queda algo
en mi casa, una olla.
en mis gestos, fuego.
en la mirada, agua.
Sobrevivo con estos restos
como si no hubiesen ido.
como si fuesen míos.
como si estuviesen vivos.
Pero después de un tiempo
la historia tibia.
la memoria vibra.
la nostalgia evapora.
Y la vida, por fin, condensa
para caer sobre mí.
para empezar otra vez.

quarta-feira, 15 de outubro de 2014

Ajustes

Não faço média
com quem merece um terço
Mas faço inteira
com quem merece um quarto.

Cuaderno de preguntas

La vida cotidiana te aburre?
Sientes ganas de morir?
No te reconoces en el espejo?
Nada parece tener significado?
Solo quieres volver a la niñez?
Te parece dificil amar a alguien?
Eres incapaz de volar?
Todo que hablas parece imitación?
No, no eres un insecto.
Eres un pavo, Gregor.

terça-feira, 14 de outubro de 2014

Tratado

Despertarse y despertar
sin que haya rabia de ser
lo que uno es
no solo
al mirarse en el espejo
el presente está
en las elecciones diarias
en la medida que consume
en la palabra
en lo que calla
para los otros
la vejez nace hoy.

Pena

Hacer el trabajo
Todos los días
Sin pena de sí mismo.

segunda-feira, 13 de outubro de 2014

Transcendente fantasia

Meia três quartos
Grávida
Hoje estou vestida de lua.

Para preencher aqui

Bebo quanto puder
Vendo quanto quiser
Devo quanto tiver
pudor não nego
Pago enquanto mulher.

Tempo

Nada está superado
mas as coisas começam
a apaziguar:
uma parede de papel
se sustenta, cega
bloqueando a vista
o som segue
as ondas chegam
independentes à métrica
ao mesmo tempo
face a meu calendário
na primavera
as folhas secas também caem
lábios rachados
língua que molha
e o ar que sai pela boca
quando sorriem
os olhos se confundem
com as linhas do tempo
não chove
não há tormenta
mas uma brisa começa a correr
lisa a pedra do rio
pesa sobre as folhas
do testamento
a unha cresce
ganha forma
e pergunta pela cor do depois
ad infinitum...

Ellen Maria

sexta-feira, 10 de outubro de 2014

No Subject

El hijo que nunca tuvimos
se encuentra con el hombre que ya no está
en algun lugar
entre las lineas de la ficción
y la realidad

de los dos solo nos restó el nombre
entre la memoria
el olvido
la magia
y la imaginación

la historia sin estoria
de quien vivió ayer
se habla hoy
y desaparece después.

quinta-feira, 9 de outubro de 2014

Dupla leitura

Quando sua mãe diz,
com um sorriso no rosto
que você está mudada
ela está dizendo
que você está
cada vez mais igual
a ela, minha cara.


A view to a kill

Enfrento al hoy con las marcas del pasado
y con el brillo que existe resistiendo en mis ojos
miro al espejo a un duelo con mí misma
duran duran que no cree en el azar
me ayuda a hablar
en este mundo ordinario
quien tiene de amigo alguien como él
tiene confianza suficiente para decir cualquier cosa.

Jornada

Vas a pasarla muy bien
en everywhere
escuchando the cure
balanzas con las manos ocupadas
mientras un oso te come la cena
en la televisión del supermercado
caminas lento entre vegetales
arroz sin fecha de caducidad
papel higiénico tres hojas
la vida sonrie otra vez
empieza the pretenders
ves la hora en el celular
las galletas de miel están en promoción
pagas en cuotas
parece que todo termina en una caja.

editorial

El diario solo habla de política
la falta de agua
tráfico de drogas
adelgacé 4 quilos
de pizza, birra y faso
en medio de la crisis de abstinencia
de noticias tuyas.

terça-feira, 7 de outubro de 2014

Metonímia

O que é de cima nasce
O que é debaixo fica

Foi esta tarde

Eu sinto cheiro dessa erva verdinha entrando pela minha janela e já não penso em que lugar está você. Que faz, que fuma, que toca, que desenha. Penso imediatamente na gente dançando chapado no meu quarto, sem vergonha de ir até o chão. Até a lua. Daí eu pego minha caixinha de óculos e ah... ficou guardada tanto tempo ali que hoje ainda conserva o perfume daquele dia. Daquela vida. E nem sei mais que música tocava na hora. Eu fechei os olhos e peguei sua mão e eu tava tão doida que me perdi entre seus dedos medos desejos e cigarros. E você ria. Ria com todos os dentes. Nem precisávamos ter fome. Tínhamos o mundo na barriga e matávamos a sede com a saliva dos nossos beijos. Seu presente você não me dá. Mas tudo bem, sem receio. Sinto que ficou comigo a melhor versão de sua polaridade.


Ellen Maria

El baile

No hago planes de viajes largos
entre tú y yo quedó mucho más que una grieta
y nunca fui buena en caminar por la soga
Tu retrato bienvenido se adapta en mi album de fotos
junto a los que quedaron en ruinas al cielo abierto
juego de ingeniera
y un corazón roto de nuevo se recupera
juego de médica
y en esta operación sobra espacio por todos lados
dueña de mi casa
paso la escoba detrás de la puerta
mientras descubro nuevos sonidos
aunque sean viejas canciones de Neil Young
Bailo sin disfraces y sin verguenza.

quarta-feira, 1 de outubro de 2014

"{diz pra mim o que você come longe de mim. se ainda bebe água naquele mesmo copo pequeno. foi de repente que eu, que pouco ligava, fiquei querendo saber. como é que você vive longe de mim? um dia eu quis escrever sobre você e você mesmo amanheceu ali, tão perto, uma janela entreaberta que deixava o sol chegar. e você dormia como dormia sempre, muito e profundamente, fora de hora como tudo que tinha a ver contigo. sempre atrasado ou cedo demais, nunca exato, eu sabia. que ia ser assim eu desconfiava: um dia ia acordar querendo saber do seu paradeiro. simples. levantaria de onde estivesse, pegaria o pensamento e transformaria em qualquer coisa que não fosse te procurar pra saber a resposta}"
(Mariana Paiva)

terça-feira, 30 de setembro de 2014

is about blank

é sobre pintar de branco
de novo
e ter todas as aquarelas abertas

sagrado

Te veo
es tres de junio otra vez
observo los rayos de luz de la calle
desde tu azotea
mi boca se mueve habla cualquier cosa
sobre mis cosas y mil oraciones aleatorias
solo pienso cómo puedo quererte tanto
y mi sonrisa te dice así no más
entiendes todo
sientas en el piso
y tus piernas me llaman
que llegues, piden
siento el fuego por dentro
un beso y contesto que te amo
mi piel empalidece
pero no tengo miedo de las palabras
ellas son mis mejores representantes
paramos de charlar y nos miramos
el silencio me confiesa
no es más tres de junio
dices que mis ojos son otros
que tengo la cara chistosa
y algun detalle de mujer
y através de la pantalla
repito en transe la frase
la que es nuestra, eterna
como si no hubiera mañana.

segunda-feira, 29 de setembro de 2014

End (continue) Start

Terminada a temporada de pathos
Nueva fase
(game over)
Volto a caçar gambuzinos
nos olhos dos outros
{Games two player}
Vestida para matar
- fatality -
porque não há vantagem na camuflagem
[I WIN].

segunda-feira, 22 de setembro de 2014

Per.donar.me

"Un día te despiertas
- y con algo de cautela -
comienzas a quitarte
los insultos de encima,
como trozos de corteza.

Te vas quitando la ansiedad

como finas gasas de seda.

Te arrancas el menosprecio

que se fue incrustando en tus venas.

Te enfrentas al espejo

como si fuera la vez primera.

Vistes tu cuerpo con capas de ternura

y perdonas.

No queda tiempo

para arrojar piedras."
(Silvia Cuevas-Morales)

sábado, 20 de setembro de 2014

Sintomas

No baby
não tem amor
não tem mais nada
é a espera atrás do poste
é a paulada seca
o golpe duro na cabeça
o som e depois o vácuo
de não conseguir pensar no próximo passo
porque do chão não há movimento
se houvesse forças ao menos
abriria os olhos

No baby
não há esperanças
As fotos sobrevivem
mudá-las de lugar todos os dias
não fará diferença
abaixar os retratos, voltar a mirá-los
os pés juntos numa delas
para onde vão?
para onde foram?

No baby
não haverá mais fotos
não haverá mais baby
esqueça
faça de conta como ele
faça de conta como M.
não há memória
não há lembrança
nada demais aconteceu
não importa se é ignorância ou indiferença
já passou

e a mãe canta boi da cara preta
enquanto passa a mão na sua cabeça
fecha os olhos
já passou, já passou
ela dizia em prece
vai ficar tudo bem
vai ficar tudo bem
como pode o infinito acabar?

e lá no fundo
em sussurro
uma outra voz suave
no ouvido ainda soprava
No baby
don't worry
nada é tão ruim que não possa piorar.

quinta-feira, 18 de setembro de 2014

A Poesia Vai Acabar

"A poesia vai acabar, os poetas
vão ser colocados em lugares mais úteis.
Por exemplo, observadores de pássaros
(enquanto os pássaros não
acabarem). Esta certeza tive-a hoje ao
entrar numa repartição pública.
Um senhor míope atendia devagar
ao balcão; eu perguntei: «Que fez algum
poeta por este senhor?» E a pergunta
afligiu-me tanto por dentro e por
fora da cabeça que tive que voltar a ler
toda a poesia desde o princípio do mundo.
Uma pergunta numa cabeça.
— Como uma coroa de espinhos:
estão todos a ver onde o autor quer chegar? —"


(Manuel Antonio Pina)

quarta-feira, 17 de setembro de 2014

Manifesto "O rei é réu"

Mais distopias noir futuristas. Menos romance de mocinha.
Mais bestsellers. Menos poesia.
Não à brincadeira realista.
Sim à ficção científica.
Morte ao autor.
Viva o personagem.

Assinado: aquela que cansou de assinar.

Vida que...

Dos pasos adelante
uno para tras
una lágrima que seco
dos que caen.

Flores

"Algunos hombres nunca lo piensan.
Tú sí, tú te presentabas
Y decías que casi me habías traído flores
Pero algo había ido mal.
La tienda había cerrado. O tuviste dudas -
De la clase que mentes como las nuestras
Tienen sin cesar. Pensaste que
Yo podría no querer tus flores
Aquello me hacía sonreír y abrazarte.
Ahora sólo puedo sonreír.
Pero, mira, las flores que casi trajiste
Han durado todo este tiempo."
(Wendy Cope)

terça-feira, 16 de setembro de 2014

Sono

Depois de um pesadelo terrível que me fez despertar hoje cedo chorando, rezei e voltei a dormir pra ver se a "coisa" melhorava. Daí sonhei que estava na Alemanha. Via duas mulheres se aproximando e fazia sinal para fazer uma pergunta. Uma delas puxou a outra, mais solícita, para que essa nem me olhasse, mas contrariando a amiga, esta veio até mim. Eu falei: "I'm brazillian. And I..." E ela me interrompia, já prevendo a apresentação do que eu iria falar. Me responde em inglês, mas entendo como se fosse português. Eu falo pra ela que participo de um projeto, para ver quanto tempo dura um sorriso. Ela diz que topa, na hora. Daí eu a levo pra uma sala, onde ela participa de uma série de "mini" torturas psicológicas. São rápidas. A sala muda o ambiente, com projeções na parede, som muito alto, e fumaça, ela é transportada para a Alemanha da Segunda Guerra Mundial, depois pro Japão, China.... enquanto eu filmo em close o rosto dela, que de feliz vai ficando o mais triste possível, até que eu me entristeço também e paro a seção. Durou pouco, mas suficiente. Ela agradece, eu agradeço, ela me entrega o cartão dela e vai embora. Nós duas estamos com cara de exaustas. Leio o cartão. Ela é atriz de teatro. Vou vê-la encenando tempos depois. Ela está linda no palco, maquiada, com a cara branca, recebendo aplausos, sorrindo de novo. Eu fico feliz por ela. Mas ainda continuo triste. Acordo. Passou mais uma hora e meia. Melhor levantar.

segunda-feira, 15 de setembro de 2014

La incontinencia

llego al bar - huyo, no, no me quedo, no conozco a nadie, soy tímida, tengo verguenza, no, no, mejor me voy, mira, allá está el editor, lo conozco por fotos en internet, y aquel es el escritor del libro, vi su perfil en facebook, y a-já, aquella es la novia, no, no, no me quedo, me voy - holaaaa, qué tal, un placer, hola, sí, soy ellen, vine a prestigiarte, felicitaciones por tu libro - y paso dos horas tomando cerveza con ellos, haciendo brindis, sacando fotos y charlando sin parar con todas las personas que llegan, las abrazo, hablo pavadas, las hago reir, sonrio, el último vaso de cerveza y me voy, las abrazo, me despido - nos vemos pronto - y asi, aun en la puerta del bar, guardo las manos en los bolsillos, vuelvo a ser tímida, así soy, o no?, vuelvo a mi casa.

quinta-feira, 28 de agosto de 2014

El plan Ve

Novios ya no
yo nava
vos navío


Ellen Maria

quarta-feira, 27 de agosto de 2014

Amalia

"Sí, Eduardo, cuando uno tiene la conciencia de que es amado, cuando uno ama de veras, la vida se reparte, se encarna con otra vida, y al morir queda un pedazo de uno mismo en la tierra, y eso es lo que se siente".

José Mármol

En la ciudad

"con los que me olvidaron
se podría poblar una ciudad
incluso desde aquí nuestra ciudad está siempre al alcance de la mano
si cierras el puño cabe en el bolsillo
yo soy de aquí pero cambio a menudo de coordenadas
latitud de las relaciones longitud de las camas temperatura de los sentimientos
sé muy bien que nuestra ciudad se entremezcla por todas partes
y que no se la puede abandonar en ninguna
cada uno lleva su ciudad en el corazón
incluso con los ojos cerrados
incluso en el corazón de otra ciudad
en ese momento piensa en mí
aunque yo no esté
en ningún mapa"

Marta Eloy Cichocka

segunda-feira, 25 de agosto de 2014

La marca del próximo encuentro

No duermo o mejor dicho no dormí la noche
y aún así me desperté con un dolor de cabeza más infeliz
y una hora después, cuando resolvi levantarme
ya no tenia la puta idea de cómo seria mi dia
fiebre?
te toca trabajar me decía la niña del espejo-yo
aun de piyamas y cara de almohada
que insistia en atar el pelo antes mismo de abrir las cortinas
arreglé el cuarto prendi la compu y me fui por un banano en la cocina
después por leche
y cuando volvi ya no tenia la puta idea de cómo iba a termina mi día
el golpe aun tardó tres horas para ocurrir
no me muevo de aqui y sin embargo fui abrir las cortinas de la sala también
tomé agua y agua más
empecé a revisar, faltan 150, faltan 100, faltan 50
y dio la hora de comer otra vez y responder el mensaje de texto
encuentro sí hora fecha local ok
duerme mi pie duele mi cabeza y sin embargo el estomago vive
la parte de mi cuerpo que sigue totalmente enamorada
no lloro hace días porque estoy demasiada cansada
que será que será pregunta la cantante
y una amiga ruega a los cielos que yo permanezca bien
no es hambre no es drama es pura nada digo al estómago
cuando fue que dejé de creer en la esperanza
cuando fue que dejé de tener expectativa
sin embargo, no me debo exigir nada en este momento
solo que termine de revisar el texto.


Ellen Maria

Alguien Algo Alguna

Sarna con gusto no pica
Lo que pica con gusto sarna
Sarna con gusto pica con gusto
Lo que pica sin gusto no sarna
Lo que sin gusto sarna sin gusto pica
Lo que no sarna no pica
Lo que no pica no gusto no sarna
Lo que gusto
Lo que sin gusto
Lo que me sarna
Lo que
Lo que me pica y me sarna me gusta

Ellen Maria

domingo, 24 de agosto de 2014

Líquido translúcido

Eu escrevi no vidro
de canetinha
não seu nome
mas o da filha
que não tivemos
assim a luz pôde passar
o sol pôde entrar
e esse nome amarelar
maria bela
emilia ela
e depois de uns dias
apaguei com álcool
para esse apartamento deixar
e só a memória dela
conservar
assim como o amor
o nosso
que o tempo não apagou
mas fez evaporar
e depois se precipitar
como a chuva que se anunciou
agora na minha janela.

Ellen Maria

quinta-feira, 21 de agosto de 2014

E você,

bicho lusco-fusco
vagalume
que acende e apaga
dia e noite
vive e morre
que indolência pensar que não sinto dor
quando sou feita da mesma matéria
que as moscas
que as flores
que você

Ellen Maria

Conjuga-me

Quando a terra me chama
mergulho e me afundo
no barro do fundo
de uma cachoeira

do ferro a ferrugem
da fuligem ao nada
cara limpa
alma lavada

Gêmeos
de ascendente touro
e lua em aquário.


Ellen Maria

Ofício

Acordo, começo a revisar, dá fome, como uma banana e ponho roupa pra lavar, volto a revisar, dá fome, estendo a roupa no varal, faço um sandubão com ovo, queijo, presunto, requeijão e manteiga, um café com leite decente, volto a revisar, como dois terços do pão, metade da caneca de café com leite, reviso meia página mais, e daí olho o pão. Tô comendo pão verde embolorado. Enfio o resto na boca, tomo mais café com leite por cima, e continuo a revisar.

Ellen Maria

terça-feira, 19 de agosto de 2014

Retrato en Sepia

"Algún día escribiré un poema que no lleve tu nombre
despojado de vacío y ausencia
que no tenga tu aroma extraviando recuerdos
trascenderá tu cielo
superará tu altura
no tendrá el azul de tu mirada
la línea perfecta de tus labios
escribiré un poema donde no hable de ti
donde no te describa sobre mi cuerpo en fuego
derritiéndome
donde no evidencie que sin ti,
la felicidad es una circunstancia
no estará lleno de memorias y destinos
será escrito desde esa parte de mí que ya no habitas
Cuando llegue la hora de olvidarte."

Georgina Ramírez

Revisora

Prendo fuego
y un sahumerio
tomo café con leche
se queman mis neuronas
mientras nacen otras
y disminuye la testosterona
soy aquella que pasa
quince horas por día
frente a la computadora
señalando los errores del otro
y borrando los míos.

Ellen Maria

sábado, 16 de agosto de 2014

O invisível

Foi ontem. Deitei na cama, pouca roupa, três cobertores. Luz apagada. Fecho os olhos e escuto um barulho. Será que tem ratos entre um apartamento e outro? lembro de Naziazeno, os ratos, o leite. Escuto outra vez o barulho. Tem ratos no décimo andar? Depois barulho de tacos de salto alto. Com certeza é o andar de cima. Acendo o celular. Apago. Escuto o mesmo barulho, meio ganido. Acendo o celular. Vejo a foto de fundo. A macaca tiradora de selfie. Sorri pra mim. E diz que tudo vai ficar bem. E me manda uma risadinha. Foi uma boa escolha de foto de fundo. Lembro de mandar uma mensagem a minha melhor amiga. Desculpe pelas bobajadas que disse hoje, às vezes me comporto muito mal. Quero que seja feliz, etc. Send. Vejo a foto da macaca e todos os seus dentes. Apago o celular. Deito de bruços, nariz pro lado direito. Nariz por lado esquerdo. Deito de lado. Nariz para janela. Nariz para porta. Não vou dormir enquanto não rezar, claro. Barriga pra cima. Ajeito os cobertores. Quase não toco o lençol. Muitos cobertores. O barulho sumiu. Começo a respirar fundo, tentando prestar atenção na respiração. Parecem mil vozes na minha cabeça, não consigo me concentrar. Tento outra vez. Pai Nosso, e começo a falar, sem prestar atenção. Recomeço outra vez. Pai Nosso, que estás no céu. Vosso nome, vosso reino... Vem a imagem do meu ex namorado. Rezo pra ele, sempre rezo pra ele. Pra ele ficar bem. Pai Nosso, e imagino o que ele estará fazendo. Que horas são? Meia noite e pouco acho. Respiro fundo. Vem a imagem dele. Ele está bem, vai ficar bem, respirando fundo também. Melhor tento Ave Maria. Não passo do quarto verso. Bendita sois vós, entre as mulheres. Vem a nós o vosso reino... Adormeço por dois segundos, será? Ave maria, e imagino Maria com seu manto fininho cobrindo a cabeça, nos céus, mãezinha. Sempre pronta pra fazer um carinho. De olhos fechados tenho a impressão que vou começar a dormir mais pesado. Tento mais uma vez me concentrando o máximo, em todas as palavras da oração. Preciso agradecer ao dia de hoje. Ave maria. Tudo bem que passei mal, vomitei no curso, estou vomitando direto. Gastrite nervosa. Obrigada santos, orixás, protetores, anjos, Deus... Melhor rezar pro anjo da guarda. Santo anjo do senhor. Adormeço. Creio que adormeço. Respiro fundo. Santo anjo, senta do meu lado, faz cafuné na minha cabeça, me proteja. Se a ti me confiou, há piedade divina. Adormeço. Acordo. Sempre me reje, me guarde. Adormeço. Acordo. Santo anjo do senhor. Preciso me concentrar. Preciso agradecer ao dia de hoje e pedir que siga protegendo meu ex namorado. Me reje, guarde, governe. O que vem depois de governe? Preciso começar de novo, pra me lembrar. Tem uma oração no meu mural de imãs do lado da cama. Fala da sagrada mãe divina, vida maravilhosa, santos e orixás. Passa a mão na minha cabeça pra eu dormir, parar de pensar e ficar bem. Há piedade divina, sempre me rege, guarde, governe, ilumine, amém.


Ellen Maria
"Solo los insensatos
- o los no nacidos -
son felices sin temor."

Cristina Peri Rossi

sexta-feira, 15 de agosto de 2014

Numa manhã fria

as flores começam a murchar no momento seguinte em que são arrancadas
e busco seu carro para deixá-las murchando aí no vidro da frente
deixá-las murchando porque basta a vida para morrer
- não o encontro -
as deixo num banco de concreto para que terminem de murchar
ou se acaso alguém as veja, possa pensar em alguém querido
- como eu pensei em você -
e sigo a vida, porque basta estar viva para renascer.

Ellen Maria

quinta-feira, 14 de agosto de 2014

You haven't even got email

meg ryan encontra tom hanks
kathleen kelly & joe fox 
em um parque florido em west side
brinkley latindo e saltitando aparece primeiro
louis armstrong dá conta do recado musical
em algum lugar além do arco-íris
e Você se dá conta que seus olhos se enchem de lágrimas
(as lágrimas de mensagem pra Você são falsas
as lágrimas de mensagem pra Você não são suas)
Você sabe disso
quando meg ryan diz queria que fosse Você
e tom hanks a beija como clark gable
e Você já está em prantos, scarlett
e a janela do lado direito confirma
chove enquanto Você chora
não há flores na sacada
e o brigadeiro esfria na cozinha.

Ellen Maria

quarta-feira, 13 de agosto de 2014

Por el amor de amar

"Yo te voy a dar la espalda
Para que alcances bien tu meta
Que yo me voy porque mi mundo
me está llamando
Voy a marcharme deprisa
Que aunque tu ya no me quieras
a mí me quiere la vida
Yo me voy de aquí
Jodida por contenta
Tu me has doblado pero yo aguanto
Dolida pero despierta
Por mi futuro
Con miedo pero con fuerza
Yo no te culpo ni te maldigo
Cariño mío
Jodida pero contenta
Yo llevo dentro una esperanza
Dolida pero despierta
Pá mi futuro
Con miedo pero con fuerza."

Buika

terça-feira, 5 de agosto de 2014

Grandes: veredas

Para M. que nunca fue mío
Por ahí volvemos
Por ahí nos vamos
pero nunca regresamos.

El camino es solo uno
dijo el cantante
y es adelante.

Novios o no
al caminante el paso
es siempre lento.

Novios o no
al caminante el paso
es siempre nuevo.

Ellen Maria

quarta-feira, 30 de julho de 2014

Olhos espreitados

A Genial Ellen
"Mira espreitada as linhas em branco
Olhos grandes "Betty Boop" de São Paulo.
Mira palavra certeira na mosca da questão
Gênio sorrateiro, sincera opinião.

Mira um corpo deitado num leito,
Mira uma pessoa com dor no peito.
Mira uma cobra e a mata no chão.
Mira o futuro-tristeza, uma saudade sem fim.

Escreveria um soneto
Traria flores de Soweto
Só pra ver o seu sorriso.
Mas confesso...
Sou fraco quase indeciso.

Linhas retas. Cobertas. Quem sou eu?
Difícil imaginação aguçada,
Agulha fina indolor
Que espeta minha mente
Nas tuas estórias sem amor."


Lucas Pereira (Boaz Ben Avraham)

terça-feira, 29 de julho de 2014

Autorretrato

Sou uma carta de amor
contemporânea
e ridícula.


Ellen Maria

Resíduo

"De tudo ficou um pouco
Do meu medo. Do teu asco.
Dos gritos gagos. Da rosa
ficou um pouco


Pouco ficou deste pó
de que teu branco sapato
se cobriu. Ficaram poucas
roupas, poucos véus rotos
pouco, pouco, muito pouco.


Se de tudo fica um pouco,
mas por que não ficaria
um pouco de mim? no trem
que leva ao norte, no barco,
nos anúncios de jornal,
um pouco de mim em Londres,
um pouco de mim algures?
na consoante?
no poço?


Cabelo na minha manga,
de tudo ficou um pouco;
vento nas orelhas minhas,
simplório arroto, gemido
de víscera inconformada,
e minúsculos artefatos:
campânula, alvéolo, cápsula
de revólver... de aspirina.


De tudo ficou um pouco.
E de tudo fica um pouco.
Oh abre os vidros de loção
e abafa
o insuportável mau cheiro da memória.


Às vezes um botão. Às vezes um rato."


Carlos Drummond de Andrade

domingo, 27 de julho de 2014

Esquilos de Pavlov

"Pense bem, amigo urso, pois a vida não é
um parque
um museu
um edifício-garagem
uma fábrica
a casa de alguém
(você entrando
pelo fundos
uma doninha com dois ou três
chocalhos de Maputo ou o amigo
distante que veio ontem
e ficará por quase um ano)
não é
um café
um sótão
uma taba
uma caixa-preta
um castelo nos Cárpatos
o interior de uma escola
não é uma torre
um romance negro
um autoengano com gerânios e piscos
e aranhas e vassouras e
não é dentro de uma novela gótica
no centro irradiador de todas as tensões
não é em ninguém
nem de lugar nenhum
não se abre nunca
mas pode fechar-se
duas vezes antes
de se fechar."

Laura Erber, p.32/33

sábado, 26 de julho de 2014

[poema gris y sensato]

Salta
y si el paracaidas no abre
Vuela
mientras el piso no llega
Aprovecha
y si te mueres
pues, se acabó el poema.

Ellen Maria

quarta-feira, 23 de julho de 2014

[poema careca e laranja]

Vivo sem alegria e sem tristeza
porque vivo com alegria ou com tristeza
mas por pouco tempo.

Ellen Maria

quarta-feira, 16 de julho de 2014

Enciendo la lámpara de sal de la montaña

"junto a mi cama.
Me suelto el pelo
recordando las canas invisibles.
Me acuesto entre las sábanas de hilo
con la bata dorada de la China.
Debajo mi piel blanca no desea
ni en sus botones rosados
ni en sus lunares pálidos.
Sobre la almohada se escuchan mis anillos
porque está fresco, quizás,
y se afinaron mis dedos.
El oro, la plata, la amatista.
Afuera la noche se ha espesado
porque terminó la luna llena.
Empieza el mes que precede al invierno.

Qué ligera que soy sin tus deseos.

Qué dulce corre el alma
en mi esqueleto.
Qué cierta es esta cara y estos flancos
qué ciertos que son,
qué delicados.
Me admira mi gata, blanca y parda,
y yo la admiro a ella en su silencio.
Qué dulce corre el alma
Hasta el perfume rojo de las flores
tengo.

Qué ligera que soy sin mis deseos."

Carina Sedevich

quinta-feira, 26 de junho de 2014

Agua

4:16
Me despierto sudorosa
qué soñaba?
miro la hora en el celular
estoy espantada
qué soñaba?
estoy desnuda
me saco las dos frazadas de encima
qué soñaba?
escucho un ruido
la chica del cuarto al lado está despierta
un ruido
toma un té o se masturba?
no quiero escuchar
no quiero escuchar el goce
se levanta
debe reposar la taza en la pileta de la cocina
la luz del pasillo se prende y después se apaga
veo por debajo de mi puerta
el calor se me está pasando
pero qué soñaba?

4:27
Necesito volver a dormir
me cubro otra vez
pero qué soñaba?
o qué fue que me despertó?
cierro los ojos
siento que voy a empezar a dormir otra vez
viene la imagen de mi novio
ah sí...


Ellen Maria

Modo de empezar

Ensucio las manos
Conservo la selva
sin yuyos
Les doy nombre
palabra con minúscula
Reorganizo mis macetas
água húmus luz sol tierra
Describo mis sueños
y mis cuentas
Escribo un poema
y la lista de compras 
a las seis de la mañana.

Ellen Maria

quarta-feira, 25 de junho de 2014

Mujeres del desierto

"Las mujeres del desierto sabemos
sobrevivir.
Calores y fríos feroces
han quemado y engrosado
nuestra piel. Como cactus
hemos aprendido a acaparar,
echar raíces profundas,
parecer dormidas, y despertar
al perfume de la suavidad
en el aire, esconder
dolor y pérdida a través del silencio,
ninguna rama llora
o murmura nuestros tristes cantos
seguras tras las espinas.

No se engañen:
al florecer, asombramos".

Pat Mora

terça-feira, 24 de junho de 2014

Simio

"No te has terminado tu simio, le dijo madre a padre, que tenía pelo de mono y sangre en las barbas.
Suficiente mono, gritó padre.
No te comiste las manos, y me tomé la molestia de hacer aritos de cebolla para los dedos, dijo madre.
Picaré un poquito de su frente, y con eso bastará, dijo padre.
Le he rellenado la nariz con ajo, tal y como te gusta, dijo madre.

¿Por qué no haces que el carnicero te trocee estos simios? Lo pones entero en la mesa cada noche; el mismo cráneo fracturado, la misma piel chamuscada, como alguien que hubiera muerto horriblemente. Esto no son cenas, son disecciones post-mortem.

Prueba un pedacito de encía, le he rellenado la boca de pan, dijo madre.
Agh, parece una boca llena de vómito. ¿Cómo voy a hincarle el diente a la mejilla con el pan derramándosele de la boca? gritó padre.
Parte una de las orejas, están tan crujientes, dijo madre.

Daría lo que fuera por que les pusieras calzoncillos a estos simios; aunque fuera un suspensorio, aulló padre.
Padre, cómo te atreves a insinuar que veo al simio como algo más que simple carne, aulló madre.
Bueno, ¿qué hay de esa cinta atada con un lazo en sus partes nobles? aulló padre.

¿Estás diciendo que estoy enamorada de esta criatura inmunda? ¿que rendiría mi abertura de mujer a esta bestia? ¿Que después de que hubiéramos hecho el amor en el suelo de la cocina lo metería en el horno, tras romperle la cabeza con una sartén; y que se lo serviría después a mi marido, para que mi marido se comiera las pruebas de mi infidelidad...?

Solo digo que estoy jodidamente harto de cenar simio cada noche, gritó padre."

Russell Edson
Traducción de A. Catalán

quarta-feira, 18 de junho de 2014

O que nos faz semelhantes

merthiolate na infância
arnica na catapora
bicicleta no paralelepípedo
cinta na porta
concepção de amor e esperma
hoje mortos sepultados
sobrancelhas e cílios
olhos marejados
copos de requeijão
gosto pela cozinha
ódio pela intolerância
desconfiança por todo o resto
quilos de livros na estante
de uma petulância...
a mesma mãe
e o medo do vácuo.

Para Igor

Ellen Maria

primeira viagem

para Eme
caminhar na praia
sem levar toalha
entrar no mar
brincar de gangorra humana
minhas pernas e sua cintura
e o balanço das ondas
que não te deixam estabilizar
voltar pro hotel
e os olhos vermelhos
daquela noite e de hoje
são por motivos diferentes.

Ellen maria

terça-feira, 17 de junho de 2014

tudo menos


Hai Kai

Uma ponte rui
e a curva do rio
a socorre.


Ellen Maria


Satie et Tiersen

Geleia viva
Matéria amorfa
Poça d'água
quando alguém me toca.


Ellen Maria

O meio e a mensagem

Não cai uma gota
desde o ano passado
e na única emissora de rádio
com espaço para música clássica
não há previsão do tempo
mas depois do intervalo
o locutor sem esperança
deixa tocar As Quatro Estações.

Do outro lado
o ouvinte chora.

Ellen Maria

Fado vencido

E no fim do canto
gosto amargo
é o fim da seca
chove
e sem guarda-chuva
corre
é o fim da sede
Se esconde sob o toldo
da padaria
Cheiro de sonhos.

Ellen Maria

El cumpleaños

No te iba a decir nada pero te acordaste
la sensibilidad de mirarme a los ojos leerme y decirme
felicitaciones
aunque ya no hay lo que nos acerque.

Ellen Maria

sexta-feira, 13 de junho de 2014

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.
.

Poderia chover logo.




Desistência

Numa manhã sóbria
cigarros à mesa
para tornar cinza
a comédia da vida
para tornar lírica
a derrota de lambuja
para tornar trágica
a história da conquista
para tornar épica
a vitória fatídica
E ao meio-dia
a caixa vazia
se encaminha
sozinha ao lixo.

Ellen Maria

cores e demonios

Nenhuma parede branca
é realmente branca.
Nenhuma parede negra
esconde toda a sujeira.

Ellen Maria

segunda-feira, 9 de junho de 2014

A insustentável delicadeza do ser

Ter a pele morena e os ossos brancos
ter o sangue vermelho e dar um sorriso amarelo
ficar roxa de raiva
verde de fome
azul de frio
e acreditar em auras negras
e não acreditar no racismo
nem por um momento
nem no pote de ouro
no fim do arco-íris.

Ellen Maria

quinta-feira, 29 de maio de 2014

Instinto

Deixe-me sair
prometo não deixar bilhete
dizendo pra onde fui
ou por qual motivo tive de ir.

Deixe-me sair
prometo não perder o rumo
vou com um mapa no bolso
para não me perder por aí.

Deixe-me sair
prometo não acender a luz
e voltar quando a hora certa
ou mesmo a incerta eu sentir.

Deixe-me sair
também levo outras promessas
como aquela que te fiz outro dia
e te fez sorrir.

Ellen maria

La cruel duda

No hay forma
o respuesta
que explique
la incerteza
si como merluza
o milanesa
si salgo temprano
o si me quedo
en la hora sagrada
de la sobremesa.

Ellen Maria

Guanuqueando

Cuando se extraña la noche
y el charango resuena en el llanto
es que es hora de seguir el rumbo
y salirse del sueño del otro
para irse a su propio futuro.

Chacarera del norte me llama
a vivir nuevas risas y glorias
y a contar viejas tristes historias
que figuran en la viva memoria.

Pie ante pie forman el viaje
aunque pidan raite en el camino
con los deseos puestos y los ojos abiertos
se encuentran con el viento y el destino.


Ellen Maria