quarta-feira, 10 de agosto de 2011

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Com-part-ilha-ndo

Adoro esse verbo. Em espanhol também é bonito: Compartir. Mas dá uma outra ideia, as vezes.
Ontem vi um filme que hoje eu acho águinha com açucar, mas ontem derramei uns três litros de lágrimas ao assistí-lo e depois dele, raspa de tacho.
Chama-se "The Greatest" e em português "Em busca de uma nova chance", com Pierce Brosnan (que não me convence, não faz uma boa atuação, mas tudo bem, até que saiu bem) e Susan sarandon (a belíssima, a maravilhosa, a idolatrada salve salve).
O filme é meio clichê, tem partes nada a ver, mas é bom pra caramba quando o assunto é família e suas crises, me identifiquei com todos os cinco personagens ou seis personagens do filme em algum momento.
E gente, filme que trata do assunto "mãe" é comigo mesmo. Posso ver vários seguidos. Neste filme, tem duas.
Há muitos anos venho querendo ser mãe (não tô dizendo que venho tentado ser - leiam a diferença), venho pensando em como deve ser ruim demais e bom demais ser mãe de alguém. Tremenda responsabilidade, sacrificio, esforço e jogo de cintura, além de inteligência que tem que ter para não transformar seu filho de célula pluricelular em uma ameba inútil.
Já tentei escrever contos, crônicas e até um romance (que parou na décima primeira página) sobre este assunto que tanto me comove/habita.
Quando li "Precisamos falar sobre Kevin", percebi ainda mais o quanto tenho que me preparar para o desafio-mor da minha vida que será criar-se mãe....
Sabe aquela coisa de professor preparar aulas nas férias e nos finais de semana para seus alunos? Tipo isso, preciso preparar o terreno (digo, o corpo e principalmente, a mente) para tal proeza.
Depois de ler que por mais vontade que você tenha do contrário, seu filho pode se tornar um assassino psicopata, doente suicida ou simplesmente um louco, pensei bastante e decidi:
ser mãe é a melhor maneira de conhecer a mente humana, é um curso de psicologia e psiquiatria que se pode ter ali, ao vivo e a cores.
Você vai conhecer um ser que teoricamente tem a mente em branco, até ela se transformar num monte de rabisco sem sentido.
Ontem por um instante pensei não vejo a hora de ser mãe, daí lembrei do Kevin e lembrei (tambem) que é bom que falte muito muito tempo pra ser uma.
E sempre vem um que diz: mas por que ser mãe? por que botar mais um parido no mundo com tanta gente por aí? olha a superpopulação, olha a bestialidade que todas as crianças estão se tornando, olha a erotização do corpo, olha a futilidade, olha o machismo, olha tanto lixo junto. Se quer tanto um filho, por que não adota? Há tanta mãe que não quer ser mãe e joga o filho no mundo, no rio, na rua... por que não adota?
Por aí eu adoto... sei lá. O lance é fazer crescer e não estou dizendo dentro da minha barriga, mas bem fora dela. O lance é fazê-lo se tornar gente e chegar a conclusões sozinhos.
Outro dia discuti com meu namorado sobre ter um filho gay. Ele disse que amaria, respeitaria, tentaria entendê-lo, mas se pudesse escolher, não gostaria. 
Entendo a opinião dele, ainda que não comparta. A minha obrigação é amá-lo e respeitá-lo. Se um dia, meu filho ou filha me disser que é homossexual, saberei que ele estará preparado para tal afirmação. Eu vou ter criado bem para ele se conhecer e se assumir como é. 
O meu prazer estará em presenciar essas afirmações, e as escolhas... se ele escolhe pintar o cabelo de roxo, virar um podólatra, estudar magia negra, virar evangélico, político, político evangélico, o que eu quero ver é o processo acontecer. Como do filme triste cheguei a pensar tudo isso, já nem sei. Hoje de noite vou ver outro. Quero saber já o que vou pensar depois.