terça-feira, 25 de dezembro de 2012

"He asked me to stay and he told me to sit anywhere,
so I looked around and I noticed there wasn't a chair."

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

domingo, 16 de dezembro de 2012

"Como ninguém hoje mais escreve cartas… 
Imagina lamber o sétimo selo!"

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

é...

Nova York, 31/05/1939

Maria Martins,

No fundo, minha pequena, estou profundamente entristecido ao ver nossa vida se desbotar rapidamente sem que nenhum de nossos sonhos tomem forma. Será que nos falta coragem? Por que nos devemos subjugar se nada é realmente um obstáculo? Eu lhe amo, mas gostaria de lhe amar melhor.

Marcel Duchamp.”

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

"Nada es tan débil como la fuerza de la costumbre"

Reza brava

Lá vai o ano virar outra vez
o Liquigás deixar nova folhinha mais uma vez
você pular as sete ondinhas como já fez
eu jurar mudar de emprego pela quinta vez
e prometer pagar as contas no fim do mês
se meu time for campeão mundial
pela segunda vez.

Ellen Maria

umbigo ambíguo

Há quem diz que não te esquecerei
que nunca superarei, e que em algum momento
vou desabar e ter o luto que eu não tive
Mas por enquanto
e acho que esse enquanto pode durar toda a vida
estou muito bem, obrigada.

Ellen maria

sexta-feira, 30 de novembro de 2012

¿Hacia dónde iba la piba?

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

la mirada hacia la escrita siempre resulta la misma

Esa no soy yo.
No es mi voz, no es mi cuerpo.
No es mi pelo, ni mi piel.
No son mis ojos, ni mis manos.
No reconozco a esos pies.
Esa es una extraña, una desconocida.
Pero de aquellas que no podrá ser nunca mi amiga.
Sin embargo, algo en su poesía
se identifica con algo que hay en la mía
aunque algo en mi poesía
falta en la suya.
ad infinitum

sábado, 24 de novembro de 2012

Um café pra você

"Parece que aquele café funcionou mesmo. Não sei se pra bom ou pra ruim. Pra falar a verdade eu cheguei a pensar as duas coisas. Primeiro quando vc apagou a luz e eu, deitado, vi que não ia conseguir tão fácil assim, foi ruim. Fechei os olhos, esperei o sono vir, mas ele não vinha. Tava tudo escuro. Tinha passado pouco tempo, mas acho que vc já estava dormindo. Resolvi levantar, mas daí desencanei pensando "ela vai achar que isso é charme só porque eu disse que tenho problemas pra dormir às vezes... e blá blá blá e ainda é capaz de me chamar de blazê".
Decidi ficar te olhando então. Ficar te encarando de perto, com meu rosto quase colado no seu, que eu não sei se vc já percebeu, mas é como eu gosto de te olhar... bem de perto. Passou um tempo. Minha pupila dilatou. O quarto já não estava tão escuro e eu conseguia ver seu rosto razoavelmente. Comecei a me divertir. Deitado mesmo. quando vc não estava de costas comigo te abraçando, eu ficava vendo o seu rosto de perto, tentando ver aquela leve penugem que toda pele tem, quase não conseguia. Daí ficava encarando o seu rosto de várias formas diferentes. Às vezes, com os dois olhos abertos, às vezes com o esquerdo e outras só com o direito. Ficava olhando o seu nariz. Dormia um pouco, acordava, dormia mais, acordava hora com calor, hora com frio. O quarto foi ficando mais claro e eu via mais detalhes. Ficava olhando uns pontos que vc tem no rosto, não sei se são espinhas. Que vergonha te contar essas coisas. Não pense que sou retardado.
Reparei que você se mexe bastante. Ou melhor, vc se mexe demais. Ora uma posição, aí muda, deita de costas, muda, deita de um lado, de outro, virava de barriga pra cima e colocava o cobertor sobre o rosto. E eu ficando horrorizado com aquela cena pensando em como devia estar sufocante ali dentro. Daí virava de novo. Virava de lado e punha de novo o cobertor na cara, afff... Daí eu tentava dormir e reparei - não se zangue - que horas vc respira forte quando dorme, não é toda hora, mas tem vezes que vc respira bem forte. Chegava a quase ser um ronco e, em alguns momentos, até era mesmo. Outra vez fico horrorizado pensando "meu deus, como uma moça deste tamanho consegue roncar assim. Será que é porque ela falou que tava com a garganta zoada?". Daí vc vira novamente. Minha cabeça está encostada no travesseiro e o seu rosto fica de frente pro meu. Você me faz um leve carinho encostando o seu nariz no meu e eu adoro. Sua respiração se torna leve, eu fico te olhando ali, assim, e durmo."

Juliano Domingues

terça-feira, 20 de novembro de 2012

"Dadme un bello naufragio verde
Un milagro que ilumine el fondo de nuestros mares íntimos
Como el barco que se hunde sin apagar las luces."
(Huidobro)

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Taller de Narrativas

Llegada la hora, concluí:
No todo tiene un título
pero nada escapa del punto final.

Ellen maria

terça-feira, 13 de novembro de 2012

learning with my suck's english.

United States of America Hymn

Level one - basic - (when you are a child)
Oh, say can you see by the dwan's early light
What so proudly we hailed at the twilight's last gleaming?
Whose broad stripes and bright stars thru the perilous fight,
O'er the ramparts we watched were so gallantly streaming?

Level two - intermediary - (when you are a adolescent)
Oh, you steel do not see?
I took everything in the world to me
I would like to own the universe and more
but now I'm poor and my enemies are stronger for war.

Level three - advanced (when you are a dummy adult)
Oh can't you see?
You belong to me
I don't care what you say
what I want, it's free, I take.

perfil

Nació en el día que tenía que nacer. Por suerte, no fue comemierda. Medio del año, medio del més, a la mitad de la madrugada. Por pasar unos días con el cordón umbilical enredado en el cuello, nunca pudo usar bufanda. Dolor de cabeza inmediato. Nació dormida y exactamente por eso, no le gustó dormir el resto de la vida. Hiperactiva comedida, doce horas después de la primera tragada de aire, en la mitad de la tarde, despertó hambrienta. Su reloj interno la avisó.Ya era hora de mostrar al mundo su personalidad.

Ellen Maria

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

A arte imita a...


Depois de lida a poesia
Desceu Ismália enlouquecida
convencida de que a melhor saída
não era a morte descrita pelo autor:
"Alphonsus me devolveu a vida", dizia
E repetia em entrevista
Ismália ficou famosa, filmou sua biografia
seguiu carreira de artista
A torre em que vivia foi destruída
Hoje vive em outra, mais bonita.

Ellen Maria

domingo, 11 de novembro de 2012

Wendy condenada a crescer

É brincadeira?
Me olho no espelho e reconheço:
tenho o mesmo corte de cabelo
e provavelmente os mesmos planos
que eu mesma na foto
que tirei há vinte anos
e hoje guardo na carteira.

Ellen Maria

Donrèmy-Reims

Joana D'arc,
não dê brecha,
partiremos em viagem.
Chegarei com meu arco
e minha flecha
Não faça cena
traz suas armas.
te esperarei as três
na floresta de Lorena.
Assinado: Jean de Metz.

Ellen maria

sábado, 10 de novembro de 2012

El caracol y la sirena

Querido Rubén,
Não me escrevas redondilhas
que fujo com outras ovelhas.
Tua poesia me enchia de lágrimas
quando delas não tratavas.
Que comeces já
buscando outros temas
métricas, estéticas e rimas
a tua pena
Deves seguir praticando
e mandar só a mim
o que tiver que ver com esplín,
com modernismo
Uma mulher con-tempo-rânea
não perde tempo
com romantismo.
Sacia tua sede
com novas viagens e leituras.
Espero-te saudosa,
assina a sempre tua
melhor leitora,
Rosario Murillo.


Ellen Maria

Pedido de casamento

O processo é lento:
perderemos discos
filmes não devolveremos.
O barato é louco:
louvaremos o tempo 
dinheiro não teremos.
O bagulho é sério:
ganharemos quilos 
filhos nos foderemos.
A parada é sinistra:
cairemos lágrimas
cabelos
não sobreviveremos.
Trocaremos de bala
como quem faz amor 
de roupa. Topa?


Ellen Maria

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Vida de formiga

Trabalharás muito todos os dias
Sofrerás de insônia crônica
Passarás frios intensos
Andarás por desertos escaldantes
Sobreviverás de chuvas torrenciais
Comerás o pão que do diabo sobrou
Jogarás no lixo todos os teus sonhos e ideais
Mas se tiveres uma grande bunda,
poderás valer muito no mercado gastronômico.

Ellen maria

terça-feira, 6 de novembro de 2012

Engolindo sapos

Use luvas
Capture uma palavra
Mate-a com um chinelo
Prenda as extremidades com agulhas
Jogue sal
Deixa-a no sol
Aumente a potência com uma lupa
Atente-se às transformações
vida - morte - ressecamento - dissecação
Solte-a
Assopre-a
Alguns conceitos voarão
O que sobrar vai lhe servir
Agora coma.
Ou melhor: engula.

Ellen Maria

terça-feira, 30 de outubro de 2012

El ruido de las cosas al caer

Sos mi médico y mi monstruo
Aquél que me cura y me enferma
Y la culpa ni es tuya
De vos, soy enamorada
pero mi skitalietz es congénita.

Ellen maria

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Corazón

"Porque te tengo y no
porque te pienso
porque la noche está de ojos abiertos
porque la noche pasa y digo amor
porque has venido a recoger tu imagen
y eres mejor que todas tus imágenes
porque eres linda desde el pie hasta el alma
porque eres buena desde el alma a mí
porque te escondes dulce en el orgullo
pequeña y dulce
corazón coraza
porque eres mía
porque no eres mía
porque te miro y muero
y peor que muero
si no te miro amor
si no te miro
porque tú siempre existes dondequiera
pero existes mejor donde te quiero
porque tu boca es sangre
y tienes frío
tengo que amarte amor
tengo que amarte
aunque esta herida duela como dos
aunque te busque y no te encuentre
y aunque
la noche pase y yo te tenga
y no." 

Mario Benedetti

terça-feira, 23 de outubro de 2012

3 [falsos] poemas do [poeta] Claudio Daniel e 2 [velhas] notas de [equivocados] pêsames.


I - O Cautivo

Ai, que dor de ser ilha.
Guardo a letra na pena
a palavra na língua
e o poema na gaveta.

Assim, quando a dor me desgarrar
e a poesia madurar,
estarei pronto para os aplausos
e para a experiência de ser poeta.

II - O Vanguardista

Distancio-me de meu nome
para figurar o poeta
que desejo.

Comunico-me de outros mundos
para criar o poema
que não vejo.

Invejo a forma que exprime
a relação agônica com a linguagem.


Descrevo a literatura que oprime
qualquer contato com a realidade.

III - O procrastinador

Envelheço
fazendo curso de línguas
para quem sabe um dia
tornar-me um grande tradutor.

***

Claudio, não se afobe não. 
A dor se defenestra.
Ainda te resta 
a profissão de ator.

E se você precisar
te empresto meu Camus
o meu Rimbaud ou meu Keats
caso queira se lembrar
que escritor jovem não é kitsch.

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

llegada

"Llegué siempre tarde
y me sigo nutriendo
de urgente futuro
de tiempo inexplorado
de riesgos y esperas,
como si fuera cierto
que renacieran los días."

Alaide Foppa

domingo, 21 de outubro de 2012

Al fin de cuentas

Es cierto que sos más grande que yo.
Cierto que has vivido un montón de cosas
y que no las vi,
ni las vencí, perdí,
sentí, o probé.

Quizás hayas matado más hormigas que yo
durante la infancia.
O derramado más lágrimas. O comido más granos
de arroz. O besado más bocas. O más seguido la misma boca.
Tal vez.

No pelearé por la contabilidad.
Solo por la chance de ser una.
Aquella que te hace abandonar la calculadora
y bancar que puedo ser
la última de sus probabilidades matemáticas.

Ellen Maria

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

De início

"investir em jardins
livros, discos e poucas
roupas, parar de fumar
tomar mais chá, menos
café e comer
mais frutas – todas.

correr muito atrás sem
freio sem ficar pratrás
cultivar afetos, não gastar
com bobagens, viajar, dançar
e amar demais porque pra isso ainda não existe remédio.

voltar a fumar."

http://emvladivostok.blogspot.com.br/

“Vou desenhar para vocês, os jovens de hoje. Porque vocês não estão entendendo nada”


terça-feira, 16 de outubro de 2012

Las cuerdas de mi reloj

(No seguí las instrucciones)

Uno
Te vi y me acuerdo de verte así, de lejos,
como quien observa y analiza algo por primera vez
y se sorprende por reconocer pedazos precarios del otro, desconocido,
en sí mismo.
Hay algo ahí… decía.
aunque no sabía qué.

Dos
Los primeros contactos no fueron de un dragón de Komodo
que es capaz de ver de lejos el peligro y también, lo que quiere.
Nos acercamos 
y solo con el tiempo me di cuenta que no había caza,
ni cazador. Fuimos bien civilizados.

Tres
La naturaleza es tan sabia que nos hizo analfabetos de nacimiento
pero expertos en las lecturas de miradas 
cuando todavía no sabíamos ni hablar.
Con el intento de evitar lo inevitable, nos deseamos en silencio.
Fue cuando empecé a subir las escaleras rumbo
al momento alucinante que me esperaba. 

Cuatro
Ya no somos extraños.
Por un instante, sentí que nos completamos, aunque siempre fuimos enteros.
Y por más que sea cursi, sellamos lo cierto con un beso,
una caricia y una mordida para cerrar el casual encuentro.
No sé no extrañarte todo el tiempo.

Cinco
Nos perdemos, sin la urgente necesidad de encontrarnos
tal cual un barco que sabe su destino, pero avanza lento.
Qué ironía que seamos ateos. Ahora estamos apegados a esa magia,
el aura que nos rodea aunque el ambiente no sea propicio.
Nunca será lo mismo.

Seis
te abrazo, tic tac tic tac
nada más tiene importancia…
los árboles despliegan sus frágiles hojas
porque ya no hay tiempo de estar juntos.
El reloj se disuelve en emociones.

Ellen Maria

Masa insurgente busca vanguardia revolucionaria

Requisitos obligatorios:
Liderazgo, espíritu de equipo, lista activa de contactos con variados grupos oprimidos, autonomía y dinamismo.
Fundamental conocimientos en el área de gestión de personas y experiencia con resolución de conflictos.
Excelente dicción, fluidez en al menos 3 lenguas y habilidad de trabajar bajo presión.
Disponibilidad para viajar.

Conocimientos indicados:
Retórica, historia general, educomunicación, principales corrientes críticas filosóficas y sociológicas, literatura universal, geopolítica actual, manejo de armas.
Deseable especialización en Revolución Rusa y movimientos proletarios.

Documentos exigidos:
Un manifiesto coherente y perspicaz que dialogue con la coyuntura de Latinoamérica.
Carta de propuestas a corto y largo plazo.
Curriculum vitae con indicación.
Licencia para manejar autos y camiones.

Funciones:
Responsable por transmitir información de manera objetiva a las delegaciones y liderar el comité ejecutivo, asegurando que el trabajo intelectual siga en confluencia con el trabajo manual.
Coordinar las reuniones con las diversas comisiones (recursos humanos, relaciones públicas, financiero, medios de comunicación, limpieza, alimentación, cuidados médicos, fabricación y almacenamiento de armas, tecnología).
Fiscalizar diariamente las acciones de los equipos de estrategia política y resolución de problemas inmediatos, forneciendo y colectando ideas creativas para el seguimiento de la revolución.
Supervisar la desestructuración de las instituciones coercitivas legitimadas por el sistema capitalista y garantizar el buen andamiento de la lucha de clases.

Beneficios:
Desarrollo profesional y personal.
Paquete salarial atractivo.
Incluye tres comidas diarias, alojamiento en el local de trabajo, asistencia médica.

Otras informaciones necesarias:
Trabajo de dedicación integral.
No es necesaria experiencia anterior en este cargo.
Contratación inmediata debido a la proximidad del colapso del capitalismo.
Interesados en la vacante y que cumplen con el perfil, entrar en contacto urgente con movimientos sociales, organizaciones políticas, mediadores de asambleas locales, líderes de acciones populares, resistentes de la causa obrera y editores-jefes de la prensa de izquierda.

Ellen maria

terça-feira, 9 de outubro de 2012

"A verdadeira e religiosa pornografia é a intimidade."


amantes


O Turismo segundo DFW

“É provável que ser turista faça mesmo algum bem para a alma, mesmo que apenas de vez em quando. Todavia, não que faça bem para a alma de algum modo revigorante ou alentador, mas de um jeito severo e obstinado de vamos-encara-os-fatos-com-honestidade-e-tentar-encontrar-um-modo-de-lidar-com-eles. Minha experiência pessoal não é a de que viajar pelo país seja relaxante ou amplie os horizontes, ou de que mudanças radicais de lugar e contexto tenham um efeito salutar, mas sim de que o turismo é radicalmente constritivo e humilhante da pior forma – hostil à minha fantasia de ser um indivíduo genuíno, de viver de algum modo fora e acima de todo o resto. Ser um turista massificado, para mim, é se tornar um puro americano contemporâneo, alheio, ignorante, ávido por algo que nunca poderá ter, frustrado de um modo que nunca poderá admitir. É macular, através de pura ontologia, a própria imaculabilidade que se foi experimentar. É se impor sobre lugares que, em todas as formas não econômicas, seriam melhores e mais verdadeiros sem a sua presença. É confrontar, em filas e engarrafamentos, transação após transação, uma dimensão de si mesmo tão inescapável quanto dolorosa: na condição de turista você se torna economicamente significativo mas existencialmente detestável.”

David Foster Wallace

Sodade

Ouvia Cesaria Evora
nua
e se lembrava de uma terra onde nunca viveu
Aquela terra dura
de amar
ser amada e ser sofrida
sozinha
embaixo da ducha.

Ellen Maria

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

des-atrum


"Si hay algo que odio es el desastre (el des-astrum, como desestrellarse): el sentimiento de catástrofe. Es que algunos nacimos con estrellas, otros estrellados, y a otros las estrellitas se nos pinchan como globitos fálicos.
Me siento histérica, y balbuceo, y una chica como yo no recurre a esas concesiones gestuales de las vanguardias artísticas. En fin, cuando mi pensamiento de economía carroñera tiende a tambalear casi que miro con miedo los restos de música de Arjona en mi pc. Pero no, me digo que esa etapa ya pasó, y puede solo justificarse por mis hormonas de inicio de la secundaria.
Cuesta mantener mucho las economía libidinales, y el convite post-estructural, seamos claros sólo son cotorritas locas, despechadas por sus chongos, y más histéricas que yo. Y además se murieron postradas a su amor eterno, algo que sí, es romántico y me hace llorar, de vez en cuando. Solo los justifica el lecho de muerte y la vejez. Tiendo a pensar que son pocas las nobles almas que se aferran a sus economías, y que son pocas las que las consiguen llevar a cabo sin ninguna dietética disciplinaria.
Como me gustaría estar entre tus brazos Pierre, y que con amor, me entregues a tu pueblo turco."     

Leonel Cherri

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

A avareza

Considerava ser uma mulher desprendida. Sem apegos materiais, afetivos, pessoais.
Não tinha uma biblioteca, porque doava os livros que comprava depois de lidos.
Não guardava cartas, não sabia que era valor sentimental.
Nunca fez uma lista. Nem de caras que já transou, nem de os melhores filmes que já viu.
Nunca escreveu um ranking de nada. Nunca chamou ninguém de melhor amigo.
A agenda telefônica foi programada para ser randômica.
No mercado, comprava de marcas aleatórias, sem ser preconceituosa com preço, elegia cortes diferentes do boi e do porco.
Há quem lhe chamava de "encima do muro". Não votava em um partido, não tinha preferência por um corte de cabelo, lugar para sair, ficava sempre a cargo do outro.
Há quem dizia que era "livre". Poderia ir aonde quisesse, e não sofreria de saudade nem nostalgia.
Mas ela sofria.
O único sentimento que não conseguia largar de jeito nenhum era exatamente essa teimosia de não se prender a nada, nem a ninguém.

Ellen Maria

A gula

Quando comprava uma barra de chocolate, sabia que seria a única.
Mas ao invés de comer um quadradinho por dia, e pelas contas, teria um pequeno prazer para uma dúzia de dias, ela comia toda de uma vez.
Talvez nos dias seguintes, quando desse vontade, se arrependesse.
Mas a sensação da barra inteira no seu estomago naquela noite do chocolate, ganhava o valor de felicidade.
Aquele sentimento de dever cumprido, de sonho conquistado, de sapatos tirados.
Foi a "noite do chocolate", apesar de todo o resto.

Ellen Maria

terça-feira, 25 de setembro de 2012

servilleta perdida en la verbena

a Paco perdido

Niña, cuando me dejaste me dijiste
que no podía más ofrecerme tu amor
que la vida era corta y cortarme sería lo mejor
que aunque me amaba no soportaba
que por una sola noche te abandoné
por una niña aún menor.

Ellen Maria

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Primeiras aulas de voo

para L., que não sabe pilotar
Piloto automático uma ova.
Da próxima vez que quiser voar
controle o manche próprio
que eu prefiro o ponto morto.
Câmbio, desligo.

Ellen Maria

protesis sentimental

Hasta ayer creía
que nunca me recuperaría,
que la vida no más luciría,
que sería siempre una abierta herida.
Pero hoy tuve noticias tuyas.
Me dijeron de tu nuevo adorno,
pirata sin loro,
Tu diente de oro
me dio brillo propio.
Gracias.
No me imagino con un hombre
de sonrisa amarilla.

Ellen Maria

domingo, 16 de setembro de 2012

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Classificados

Massa insurgente busca vanguarda revolucionária.

Requisitos obrigatórios:
Liderança, espirito de equipe, lista ativa de contatos com variados grupos oprimidos, autonomia e dinamismo. Fundamental saberes na área de gestão de pessoas e experiência com gerenciamento de conflitos. Excelente dicção, fluência em 3 línguas, capacidade de trabalhar sob pressão. Disponibilidade para viajar.

Conhecimentos indicados:
Retórica, história geral, educomunicação, principais correntes críticas filosóficas e sociológicas, literatura universal, geopolítica atual, manejo de armas. Desejável especialização em revolução russa e movimentos proletários.

Documentos necessários:
Um manifesto coerente e perspicaz que dialogue com a conjuntura da América Latina.
Carta de propostas a curto e largo prazo.
Curriculum com indicação.
CNH.

Funções:
Responsável por transmitir informação de maneira objetiva para as delegações, liderar o comitê executivo.
 Coordenar as reuniões com as diversas áreas (recursos humanos, relações públicas, tesouraria, meios de comunicação, limpeza, alimentação, cuidados médicos, fabricação e armazenamento de armas, tecnologia), assegurar que o trabalho intelectual siga em confluência com o trabalho manual. Fiscalizar diariamente as ações das equipes de estratégia política e resolução de problemas imediatos, fornecer e coletar ideias criativas para o seguimento da revolução. Gerenciar a desestruturação das instituições coercitivas legitimadas pelo sistema capitalista, garantir o bom andamento da luta de classes.

Benefícios:
Desenvolvimento pessoal e profissional.
Pacote salarial atrativo.
Inclui três refeições diárias, moradia no local de trabalho, assistência médica.

Outras informações:
Trabalho de dedicação integral.
Não é necessária experiência anterior neste cargo.
Contratação imediata devido a proximidade com o colapso do capitalismo.

Interessados nesta vaga e que se encaixam no perfil, entrar em contato urgente com movimentos sociais, organizações políticas, mediadores de assembleias locais, líderes de ações populares, resistentes da causa operária e editores-chefes da imprensa de esquerda.

Ellen Maria

terça-feira, 21 de agosto de 2012

Pretexto

La tres primeras veces culpamos el alcohol
las otras tres, la soledad
Después desistimos de manchar la consciencia
com excusas para libertarnos
y decidimos enpachurrarnos
de alcohol, soledad, consciencia y libertad.
El amor sirvió al nuestro contexto.

Ellen Maria

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

De dentro pra fora


De fora pra dentro


Ao escolher um fim é necessário eleger os meios.

quarta-feira, 25 de julho de 2012

Penha

Ensinem os homens a respeitar
e não as mulheres a temer.


quinta-feira, 19 de julho de 2012

Siempre hay algo a qué querer,
a veces
es sólo lo que hay.



segunda-feira, 16 de julho de 2012

Presentación de una familia


"- A ver, déjame a mí, que tú no te aclaras.
Nadie le había explicado a Lucía que los tomates hay que limpiarlos antes de cortarlos. No tenía ni idea de que la ensalada cargada de pesticidas es peligrosa para la salud. Pero su madre sí que lo sabía. Se lo habían enseñado desde pequeña. Eso, y pocas cosas más. Y no quería dejar pasar la oportunidad de hacérselo notar a su hija para que ella, como mínimo, sintiera un poco de vergüenza:
- Es que eres una patosa.
Vergüenza que habría de sumarse a la culpa que le había hecho sentir poco antes, cuando preparaban la mesa. Lucía había colocado los cubiertos de manera incorrecta y ella le había dicho que a pesar de los años y el tiempo que habían invertido en educarla, parecía no haber aprendido nada en absoluto, de ninguna manera, nada, como si el objeto de toda educación consistiera, básicamente, en saber colocar la mesa en las casa ajenas y en saber colocarse la servilleta sobre las piernas como un signo de distinción y elegancia.
En esa casa nada cumplía la función que se esperaba. El reloj no servía para informar acerca de la hora, sino para determinar como un sargento desdeñable, de bigotillo facha y tripa opulenta, el comienzo y el final de las tareas que la madre tenía que cumplir a lo largo del día sin interrupciones y a tiempo para poder sentirse completa, más o menos realizada, y libre. Y ni siquiera era su madre. Lucía la llamaba así porque era muy pequeña cuando ella llegó para ocupar el lugar que había dejado vacante su verdadera madre, muerta de un ictus fulminante mientras regaba el jardín pocos meses después de haber parido a Lucía. No era su madre. El instinto se lo recordaba cada vez que la miraba: esa cara simiesca no tenía nada que ver con la suya.
Y los cojines que se habían escogido para decorar el sofá no habían sido seleccionados para resultar cómodos, sino para parecer bonitos. Eran inútiles, ninguna cabeza podía apoyarse en ellos sin lamento. Las cortinas compradas en Turquía no podían descorrerse porque, según madre, le daban un toque oriental a la casa que nada, ni siquiera las acrobáticas palizas que de vez en cuando le daba su marido, podía otorgárselo. Así era esa mujer apócrifa. Así leía los libros sólo para fardar de que los había leído y así pregonaba a gritos su profunda repulsa por el gobierno de turno: necesitaba mantener un enemigo ficticio que la reforzara en los momentos de debilidad. Porque era una desgraciada. Y aunque le dolía reconocerlo, le gustaba ridiculizar a Lucía. Algo en la ofensa la calmaba; entonces se sentía bien. Disfrutaba con ella, ejercitaba la sutileza de los golpes dados y soñaba con el día en que sus palabras llegaran a ser dolorosas y nadie lo percibiera. Llamaron al timbre.
- ¡Abro yo! -anunció padre levantándose del sofá a duras penas, fatalmente gordo, mantenido con vida por la gloria de un cuádruple bypass y calcificado por el tabaco del que ahora sólo podía disfrutar los sábados por la tarde, si había fútbol. Atravesó el salón apoyándose en la estantería de ficción -Frederik Pohl, Jack Vance, Harry Harrison, Larry Niven, Philip J. Farmer- y se detuvo para coger aire en el umbral del recibidor. Quién sabe por qué se agita en sueños la cabra. Habían llegado Erik y su novia, Martina. Traían unos bombones y parecían dispuestos a alegrar el ambiente. Lucía apenas levantó la cabeza por encima del hombro desde la cocina a modo de saludo. No es que no soportara a Martina. Ella le parecía bien. Pero como ocurría con su madre, había algo en la cara de la novia de su hermano que le recordaba a ciertos tableros de billar que ocupan los bares nocturnos y que nadie utiliza. Sentía todo el tiempo que, de alguna forma, esa chica sobraba, o quizá lo contrario y peor, que faltaba, como el tornillo que se echa de menos en toda operación de bricolaje. Nadie sabía nada de ella. Su boca sólo pronunciaba tonterías; a veces emitía pequeñas sonrisas de animal que vive acorralado y no es capaz de comprenderlo. Qué sabía su Erik de ella, esa era una buena pregunta.
Madre, con su habitual elocuencia impostada, los recibió con vozarrón de júbilo y no dejó pasar la oportunidad de buscar cierta complicidad burlándose de Lucía, el único método que conocía para trabar afinidades:
- Si os lo cuento no lo creéis. ¡Lucía no sabe que la fruta hay que lavarla antes de comerla! ... es que...
- ¡Ja ja ja! -la carcajada salió de la boca de Martina, fuera de lugar, feroz y desatada."

Victor Balcells Mata

Nevera vacía



El ahorro es un lujo.
F. SCOTT FITZGERALD
Nuestra nevera nunca estuvo llena.
Se congelaba, hacía ruidos raros
como diciendo «mira, no me usáis,
vendedme a alguien del barrio, no será muy difícil»
–todo esto, claro está, en un lenguaje
propio de las neveras;
un idioma sintético, volátil,
una lengua compleja, cargada de freón–.
Con todo éramos pobres para poder tener
la nevera vacía,
debíamos llenarla de algún modo.
Fue mi mujer quien dio la idea de los libros.

Ben Clark
Traducción: Andrés Catalán

sábado, 14 de julho de 2012

reglas

"Si la aplicación de reglas resulta tan imprecisa, bien cabe hablar de una poética de la excepción. La aplicación de reglas es una conducta estética en la medida en que ninguna regla con­tiene en sí misma el método de su aplicación. Si una ley contuviera en sí misma el método de su aplicación, enton­ces no habría ningún libre juego entre la acción y la ley, y la conducta de seguir una norma sería un puro automatismo mecánico que no dejaría lugar para la libertad en ningún sentido relevante. En cambio, nos resulta algo bastante natural y evidente que haya algo así como vulneraciones de las reglas, por ejemplo, en el lenguaje, cuyo potencial no se puede reducir a un conjunto de reglas o procedimientos. Así lo recuerda la poesía o el procedimiento metafórico. Similarmente los juristas hablan de “interpretación constructiva”, lo que testifica que la interpretación es siempre creativa. El momento heurís­tico de la razón indica que hay un cierto saber involu­crado en cualquier aplicación de una ley, reglamento u orden, que la conducta de seguir una regla está mediada por la interpretación de la norma y supone una habilidad específica que estriba precisamente en saber utilizarla (J. Vicente Arregui 1988). El hecho de que ninguna regla con­tenga en sí misma el método de su aplicación significa que en la con­ducta de seguir una regla está implicado siempre un cierto tipo de co­nocimiento, una capacidad inventiva que cabe explicar por analogía con los procedimientos de la imaginación poética. Al final va a resultar que sin imaginación no hay conducta buena ni orden razonable, que el bien y la verdad tienen más que ver con la estética de lo que pensábamos." 

Daniel Innerarity

sexta-feira, 13 de julho de 2012


El que he sido hasta hoy cruza de nuevo
sus bosques interiores,
los lugares contiguos en los que la mirada
se vuelve y se apacigua, donde un rumor apenas
pone nombre a las cosas
que sólo he presentido.
[...]
Basilio Sánchez

Prometeu Acorrentado

filho de peixe

Dá medo. Pelo risco. Mas a gente engole o medo, ignora o risco, e se joga. Mergulha de cabeça.

Daí as vezes, a piscina não dá chão. E a gente sai dela com os dedos enrugados e sem fôlego. 
As vezes, tenta nadar rápido, mas a borda tá longe, e parece que o afogamento é o caminho mais fácil.
Não é. 
Passa um tempo, e lá vem a vontade de novo. De entrar com tudo. 
Se vai dar pé? Vai saber! Só dá pra saber se cair lá.
E como se fosse uma ampulheta, dessas que a gente vai virando quando acaba a areia, a gente faz com a vida.
Não deu? Tudo bem, parte pra outra. Sempre há outra possibilidade, outra história pra contar, dizem.
Mas cansa... quase sempre cansa. E depois de um tempo descansando, a gente volta pra cantar nessa roda. Quer dizer. A gente busca outra piscina. 
De outra cor. Profundidade. Com menos cloro. Com mais capacidade em litros.

Ou compra uma máscara de mergulho. Um tanque de oxigênio. Um escorregador ou um colete salva-vidas.
Eu preferi casar com um professor de natação.

Ellen Maria

domingo, 1 de julho de 2012

Que la noche me encuentre viajando.
Nayarit.


domingo, 17 de junho de 2012

Que el soneto nos tome por sorpresa.

sexta-feira, 1 de junho de 2012

quarta-feira, 30 de maio de 2012


"Sos capaz de cerrar los ojos por un rato?"
Andres Pereyra

terça-feira, 29 de maio de 2012

Fuga permanente

Quisiera yo ser dos
una para dejarte
y otra para besarte
una para irme
y otra para quedarme
las dos serían yo
y las dos te quieren a vos,
pero adiós.

Ellen Maria

segunda-feira, 28 de maio de 2012

Cheran Keri

"Y cuando no se olvida que no hay
libertad regalada, sino tallada
sobre el mármol y la piedra
de monumentos llenos de flores y de tierra,
y por los héroes muertos en las guerras
se tiene que luchar y ganar,
se tiene que reír y amar,
se tiene que vivir y cantar,
se tiene que morir y crear." 

Sara González

terça-feira, 22 de maio de 2012

Deseo

para Paco

Yo quisiera que el agua 
del lago que está debajo 
del zócalo 
inundara tu coche 
y tu cochera, 
tu cuerpo entero, 
toda tu casa 
y la casa de tu mamá también.

Ellen Maria

domingo, 13 de maio de 2012

cuando nos regalan flores



tambien regalan parte de si mismo.

quarta-feira, 9 de maio de 2012

Historias de la conchinchina


Ella tenía un cuaderno donde escribía todas las historias que no le ocurría. Cuando terminó el último cuento se dio cuenta que no había otras historias para contar, ni tampoco hojas para arrancar. El cuaderno no existía. Y en el último cuento, ella reveló al lector que ella misma nunca existió. Firmó como La escritora fantasma.

Paisaje después de la guerra
Una de las historias escritas en el cuaderno invisible era sobre una chica que al elegir una vida, renunció un montón de otras y por ese motivo, no pudo vivir todas las otras vidas posibles y destinadas a ella. Podría haber sido una profesional en ballet clásico como su papá lo había soñado. Podría haber sido una profesional en sistemas de información como su papá lo había soñado después que ella desistió del ballet clásico. Podría haber sido una lesbiana drogadicta como su mamá lo había temido. Podría haber sido una abogada penalista como su mamá lo había previsto. Podría haber sido una fotógrafa aérea de las fuerzas armadas como una vez lo había imaginado. Podría haber sido una periodista de guerra como una vez también lo había pensado. Sin embargo, la chica que desistió de muchas posibilidades de acierto y error, para vivir una gran sola vida, no se arrepentía por haber desistido de ser bailarina, abogada, fotógrafa o jugadora de fútbol, como también un par de noches llegó a creer que pudiera ser. La chica, que como no era gata, no pudo obtener las menciones y sufrir los horrores de siete vidas, eligió lo mejor que podía y fue ser vendedora de lo que decía ser el elixir de la vida. Vendía medicinas, ampollas y cremas contra el envejecimiento a las señoras en un salón de belleza. Andaba siempre con revistas de cosméticos, lencerías y productos domésticos para un lado y para el otro. Murió atropellada por un taxista que llevaba como pasajera a una mujer embarazada. Sus cosas volaron y al caer, despedazaron y quedaron en el piso durante dos horas.

La hamburguesa del burgués
Otra de las historias del cuadernillo misterioso tiene como protagonista una chica impaciente, que no sabía hacer muchas cosas bien hechas en la vida y tampoco podía aprender, porque sentía que mientras ella aprendía a hacer alguna cosa bien perdía el tiempo de conocer y hacer alguna otra cosa. Esa chica que no se acordaba de sus canciones favoritas, despertaba todas las mañanas angustiada por no saber qué había soñado, tenía sueño y mal podía descansar. Nunca viajaba porque no sabía qué haría con su pez, no podía dejarlo solo. ¿Cuál era el sabor del helado que le era más rico? Todos los días salía a trabajar sin saber cuándo podría cambiar de empleo sin que perdiera dinero en esa mudanza y sin que se sintiera perdida durante este tiempo. Todas las tardes comía cualquier cosa en la calle porque no sabía cocinar y no tenía tiempo para perder preparando algo en la estufa o calentando algo en el microondas o dentro de un supermercado haciendo las compras. ¿Qué tenía verdaderamente ganas de comer? Todas las noches estudiaba algo que ella ya no sabía por qué, pero no podía dar el lujo de perder un año en la indecisión, un título es importante para ganar más dinero y poder vivir más tranquila. ¿Qué le tranquilizaría en un día de lluvia y relámpagos? Esa chica que en los fines de semana veía películas y dormía delante de la televisión, un día se sintió mal después de una pizza individual de chorizo, vomitó y lloró sola en el baño por no saber quién iría a su entierro caso muriera en el día siguiente. Pensaba que si pudiera cambiar su vida, ella tendría otro trabajo y estudiaría otra cosa, y lloró nuevamente sin poder imaginar qué otra cosa podría ser, algo que no la fastidiara algunos meses después. Esa chica, que lo que menos tenía era paciencia, en el mismo año, dejó su trabajo  y abandonó su carrera. Nunca fue feliz.

El temblor del cielo azul
El primer cuento del cuadernillo de hojas arrancadas se llamaba “El río que corre debajo del puente” y narraba con mucha fluidez la primera vez que una compañera de natación, a los 11 años, menstruó y manchó la ropa de baño. Los chicos que estaban en la piscina y entrenaban con ella le dijeron muchas cosas feas en ese día y ella, que se sintió muy mal, odió tornarse mujer. La chica, que no quería nunca más ver a nadie, le contó a su mamá su tristeza, y su mamá, muy contenta con el hecho que su princesa ya no era una niña, la preparó un té de manzanilla y le regaló dos paquetes de absorbentes. En el día siguiente, la chica menstruada tuvo que ir a la escuela aunque estuviera con mucho dolor de cabeza. Ella fue y no comentó nada sobre el asunto con sus amigas. Cuando adolescente, siempre que menstruaba se acordaba del episodio, y pensaba que ese día trágico nunca hubiera pasado si ella hubiera nacido hombre. Y sobrevivió. En la secundaria, dio su primer beso en un chico en el intervalo y sintió asco. Creía que era por el bigote que empezaba a nacer en su amigo. Intentó un otro día, con otro compañero de la sala y el resultado no fue exitoso. Los granitos de la cara de él no dejaban que ella pudiera concentrarse. Meses después, sin bigotes y granitos, ella también sintió repulsa a tocar con su lengua la lengua de otro chico y juró no hacerlo más con los chicos de la escuela, para no ser considerada una puta por sus conocidos. Dos años después, al ingresar en la Escuela Preparatoria de Profesores, conoció a una chica y tuvo ganas de besarla. Decidió que le contaría sus deseos después de la clase, y sonrió al descubrir que la chica sentía lo mismo. Empezaron a salir juntas, estudiar juntas e vez u otra, ir al cine. Tenían mucho en común. Una cierta noche, cuando no había nadie en casa, la chica muy tímidamente le preguntó a su amiga si podría tocar todo su cuerpo. La amante, muy enamorada, la permitió, advirtiendo apenas que estaba en el fin de la menstruación. Al oír esas palabras, la chica, por primera vez, se sintió feliz por ser mujer.

La prueba que Dios no existe
Cuando encontré el cuadernillo, supe que no podría seguir mi vida como antes la llevaba. El último cuento, que también era el único, era demasiado fuerte y tenía tantos datos biográficos de quien lo había escrito que, yo, como lectora, tuve la impresión de conocer de toda mi vida la escritora fantasma. Lo vi como un pedido de socorro, lo entendí como un grito lanzado en tres cuartillas de renglones azules, tinta azul, rasuras azules. La escritora pedía a quien leyera que no la tomase en serio, que la carta suicida del medio del cuaderno era solo un cuento de ficción, que la historia de la chica menstruada era fruto de su imaginación, que la trama de la chica que tatuó en su cuerpo todos los nombres que le gustaría tener, era una idea que tuvo en las clases de escrita creativa. Pedía que no la creyesen en nada, que las vidas no vividas de otra chica inventada era puro lirismo, que la impaciencia de otra protagonista frustrada era más bien sacada de una revista femenina, que el cuento de la chica que quería vivir en un volcán era resultado de la lectura de Freud y que todas las otras historias del cuaderno eran ejercicios del taller de prosa que hizo en el último semestre de la facultad, y no reflejaba su verdadera persona. Por lo tanto, como no eran relatos autobiográficos, no tenían nada de su esencia y no podrían servir para analizarla como mujer. Necesitaba aclarar bien esos puntos porque muchos compañeros ya le decían que ella era una chica recalcada, traumada y con cierto aire feminista por sus cuentos. A ella no le gustaba  todos los sellos que le ponían, su único deseo era escribir libremente. La entendí perfectamente, pobre muchacha escritora fantasma, confundida con sus pobres protagonistas. De cierta manera, hasta me identifiqué con el dolor que ella sentía, por eso la leí hasta el final. Es bastante deprimente ser considerado personaje de algo que se es creadora.

segunda-feira, 7 de maio de 2012

vermelho e outros sabores



Qual é o cheiro do seu livro preferido?

quinta-feira, 3 de maio de 2012

CDA sabe das coisas.


“Alguém observou que cada vez mais o ano se compõe de 10 meses; imperfeitamente embora, o resto é Natal. É possível que, com o tempo, essa divisão se inverta: 10 meses de Natal e 2 meses de ano vulgarmente dito. E não parece absurdo imaginar que, pelo desenvolvimento da linha, e pela melhoria do homem, o ano inteiro se converta em Natal, abolindo-se a era civil, com suas obrigações enfadonhas ou malignas. Será bom.
Então nos amaremos e nos desejaremos felicidades ininterruptamente, de manhã à noite, de uma rua a outra, de continente a continente, de cortina de ferro à cortina de nylon —sem cortinas. Governo e oposição, neutros, super e subdesenvolvidos, marcianos, bichos, plantas entrarão em regime de fraternidade. Os objetos se impregnarão de espírito natalino, e veremos o desenho animado, reino da crueldade, transposto para o reino do amor: a máquina de lavar roupa abraçada ao flamboyant, núpcias da flauta e do ovo, a betoneira com o sagüi ou com o vestido de baile. E o supra-realismo, justificado espiritualmente, será uma chave para o mundo.
Completado o ciclo histórico, os bens serão repartidos por si mesmos entre nossos irmãos, isto é, com todos os viventes e elementos da terra, água, ar e alma. Não haverá mais cartas de cobrança, de descompostura nem de suicídio. O correio só transportará correspondência gentil, de preferência postais de Chagall, em que noivos e burrinhos circulam na atmosfera, pastando flores; toda pintura, inclusive o borrão, estará a serviço do entendimento afetuoso.
A crítica de arte se dissolverá jovialmente, a menos que prefira tomar a forma de um sininho cristalino, a badalar sem erudição nem pretensão, celebrando o Advento.
A poesia escrita se identificará com o perfume das moitas antes do amanhecer, despojando-se do uso do som. Para que livros? perguntará um anjo e, sorrindo, mostrará a terra impressa com as tintas do sol e das galáxias, aberta à maneira de um livro.
A música permanecerá a mesma, tal qual Palestrina e Mozart a deixaram; equívocos e divertimentos musicais serão arquivados, sem humilhação para ninguém.
Com economia para os povos desaparecerão suavemente classes armadas e semi-armadas, repartições arrecadadoras, polícia e fiscais de toda espécie. Uma palavra será descoberta no dicionário: paz.
O trabalho deixará de ser imposição para constituir o sentido natural da vida, sob a jurisdição desses incansáveis trabalhadores, que são os lírios do campo. Salário de cada um: a alegria que tiver merecido. Nem juntas de conciliação nem tribunais de justiça, pois tudo estará conciliado na ordem do amor.
Todo mundo se rirá do dinheiro e das arcas que o guardavam, e que passarão a depósito de doces, para visitas. Haverá dois jardins para cada habitante, um exterior, outro interior, comunicando-se por um atalho invisível.
A morte não será procurada nem esquivada, e o homem compreenderá a existência da noite, como já compreendera a da manhã.
O mundo será administrado exclusivamente pelas crianças, e elas farão o que bem entenderem das restantes instituições caducas, a Universidade inclusive.
E será Natal para sempre.”

Carlos Drummond de Andrade

segunda-feira, 2 de abril de 2012

Filosofia caracólica

Vivo de criar novos desejos e fazer grandes planos
para que o futuro não chegue logo, nem se realize nunca.


Ellen Maria

quinta-feira, 15 de março de 2012

Viver bem, em Grécia.

Ser três dias cínico
três dias peripatético
e espectador de teatro
aos domingos.

Ellen Maria

quarta-feira, 14 de março de 2012

NOSSAS ESCOLHAS


são bombas atômicas diárias
que mudam completamente o rumo da história.

terça-feira, 6 de março de 2012


C'est toi!

quinta-feira, 1 de março de 2012

Descreencia ventajosa

Si me muero mañana y voy al cielo, ojalá que el fondo de pantalla sea verde, porque el color azul me da sueño y quiero permanecer bien despierta para ver los ángeles desnudos tocando instrumentos celestiales.
Si me muero mañana y voy al cielo, voy a comer todo lo que dejé de comer en la Tierra para permanecer delgada, ya que gente gorda no es muy apreciada acá en la vida plana.
Si me muero mañana y voy al cielo, quiero leer todos los libros y ver todas las películas que no tuve tiempo de ver, porque tenía que trabajar todos los putos días para pagar mis cuentas.
Si me muero mañana y voy al cielo, espero ser amiga de San Pedro, el administrador del tiempo, para recordarle que los días de sol son reservados para los fines de semana, y los días de lluvia y frío para los miércoles solitarios.
Si me muero mañana y voy al cielo, tendré que saber volar, porque en la Tierra siempre tuve ganas de escalar montañas y apreciar bonitos paisajes y mi miedo a la altura siempre fue mayor.
Si me muero mañana y voy al cielo, ¡bailaré siempre! Y sin sudar, porque nadie merece mi olor después de unas tantas salsas y valsas.
Si me muero mañana y voy al cielo, no quiero nunca más fingir un orgasmo, porque si allá es el paraíso que todos me dicen, tendré horas infinitas de placer incalculables.
Ahora, si me muero mañana y voy al infierno... hmm... ¿sabes qué?
No voy al infierno.
No creo en esas cosas.

Salamanca, 2009