quarta-feira, 27 de novembro de 2013

imagem

Sinto o vento enquanto
olho o barco no porto
Teu olho me vê no carro
O vento em meu cabelo seco
Meu olho que te vê
no espelho do carro
Sentimento molhado
Teu olho que molha
meu olho enquanto
O vento seca
o barco no porto.

Ellen Maria

quinta-feira, 21 de novembro de 2013

Altar. Atuar. Alta. Au tá!

"Quando aparece um amor que belo é assim 
Na redoma quero preserva-lo e tê-lo 
Tocá-lo, senti-lo e até enfim também sê-lo 
Até receber a resposta que seja um só sim 

Quando parece que esse amor é pra mim 
Pra mim mesmo me pergunto qual meu medo? 
Que me pára e me faz travar logo tão cedo... 
É a paúra de quebrar tão frágil marfim. 

Caço dentro de mim preciosa tranquilidade 
Afinal não há fim que não tenha começo 
E nem ansiedade que não tenha calma 

Aproveito o agora, a minha atual idade 
E faço o que posso pois me conheço 
E assim continuo caminhada de minha'lma... "

Felipe Ribeiro
Poesia escombro
poeira até os ombros
mas respira.

Ellen Maria

quarta-feira, 20 de novembro de 2013

Essa boca
cheia de dentes
você esconde
a boca os dentes e você
onde?


Ellen Maria

Máquina de escrever Maria

"Maria nasce quando a noite cai,
quando cai o corpo nas profundezas de si -
ruminando maravilhas
quedas em tristes fins
É sempre em tê-la por perto
Intocável atrás das pálpebras.
Têm em Maria todas
As cores que escreveria.
A máquina que criou Maria
Não tem tempo nem forma:

é uma borra."

(Flávia Santos)

terça-feira, 19 de novembro de 2013

insônia

colirio meus olhos
vermelhos pingo
s e não vingar tento
com vinho tinto e deu:
durmo.

Ellen Maria

meu

amigo,
só a lua
míngua
a mágoa.
só o tempo
tampa minha
tristeza
e a tua.

(para Daniel Barboza)


Ellen maria

quinta-feira, 14 de novembro de 2013

Querer ter

"O ponto chave que não é outra coisa que a rica abundância da particularidade do mundo interior, se é que algo assim existe e não esses quartos fartos de palavras, de falsos espasmos e prazeres verdadeiros, mas não menos efêmeros e cabelos, muitos e compridos cabelos castanhos grudados aos lençóis junto com o cheiro, o meu cheiro – isso dizem – que eu mesma desconheço. Isso, a umidade e a música e a estúpida pugna pela janela seja aberta ou fechada. E eu faço essas coisas, ver e fazer que não vi, esperando que a situação se resolva sozinha e assim uns minutos até, ao ver que nada aconteceu, me forçar a intervir e aparecer. Agir é executar e trepar é morrer, dizer trepar é uma forma de distanciar e distanciar é minimizar, minimizar é se preservar e se preservar é querer morrer um pouco menos. Agir é matar e trepar é morrer, quando a consciência da carne, da materialidade, da fetidez, é tão evidente. A proximidade, a evidência da carne, a contundência da carne que – ainda assim – pode voar em mil pedaços, se desvanecer ou se envenenar ou se despencar ou se projetar e cair sobre as pedras e sangrar até morrer. Como o monge. Sinto suas mãos sobre meu corpo quente semidesnudo, como pinças que aprisionam todos e cada um de meus membros, me prensa, suas garras me prensam e só penso em me safar das toneladas que sua demanda deposita em minha nuca, justo aí, nesse lugar, o mais vulnerável de todos: só de eu tentar me incorporar me desnucaria, minha cabeça ficaria prensada sobre o asfalto sob o peso o peso do desejo, do teu desejo egoísta de possuir, de querer ter e não só tocar, mas também engolir, engoli-lo tudo faminto guloso, não queira lamber nem uma mínima porção de minha miserável figura, não ouse desejar ser dono de nem uma gota de meu suor ou de meus gemidos nem sequer está permitido imaginar querer ter querer ter haben wollen haben wollen haben wollen, não será demais? Tanta gula não pode levar a outra coisa senão ao fastio e no melhor dos casos, ao vômito. Achei que você sabia que eu sim valorizo as palavras, não só as coleciono mas também as recordo e as coleciono, as coleciono e as cuido, cuido delas e por isso te peço que em ocasiões futuras recorra a elas com mais cuidado, com muitíssima segurança, porque se não pesam, pesam sobre as nucas quais quilos de ansiedade, ansiedade e atropelo e um carinho tão mas tão atropelado".
(Querer tener, do livro Vos me querés a mí? - Romina Paula - tradução Ellen Maria)

quarta-feira, 13 de novembro de 2013

um pouco

Amar de novo é
ganhar o céu
sem perder o chão.


Ellen Maria

Por que o senhor atirou em mim?

Sobram cruzes
fuzis e sangue.
Vazam vozes
fuzis e sangue.
Faltam luzes
vida e poesia.
São Paulo, esvazia
os bolsos não porte
balas só cores.
Nenhuma parede
suporta o cinza.

Ellen Maria

Lista de presentes

Mais gargalhadas que tímidas risadas
Mais amigos em pé que família sentada
Mais música velha que hits da última parada
Mais refrigerante e água que cerveja gelada
Mais lasanha quatro queijos que macarrão a carbonara
Mais pés descalços que sandálias calçadas
Mais gravatas na testa que camisas abotoadas
Mais momentos eternos que fotos clicadas
Mais abraços sinceros que lembranças embrulhadas
Mais esperança guardada que paixão declarada
Mais ansiedade por mais diversão que felicidade pela certidão
e muito mais sentimento do que rende uma festa de casamento.

segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Pulp

Sobra
presentes
no meu presente.


Ellen Maria

sexta-feira, 1 de novembro de 2013

sabrosa anatomia

chupando la panza
besando cachetes
lamiendo rodillas
mordiendo codos
y llegando a conclusión
de que sos todo
un gran pedazo
de carne con huesos
de primera calidad.

Ellen Maria

el ruido del ascensor

para eme.
Que sí, me decías
y nos besábamos
y yo no podía creer
que estuviéramos tan cerca uno del otro
y me contabas donde habías pasado tu infancia
y el último año nuevo
me brillaban los ojos
y me despedí en la puerta del ascensor
después pensé que alguna vez
entraría en tu casa
apretaría la mano de tu padre
y le diría que pasé el año nuevo
muy cerca de su hijo, le diría
en la misma playa
quizás él sonreiría
y que quizás en el próximo
te besaría al abrir la puerta del ascensor
quieres tener un hijo conmigo
alguna vez?
que sí, me decías
y nos besábamos...

Ellen Maria

dia de finados

o assum preto veio
pássaro abutre
velho
urubu agouro
carniceiro
vejo
rondando a sua casa
o tempo inteiro
algum assunto
pra tratar tem
agora ou passa
no ano que vem.

Ellen maria

si em pre

Que fique ciente:

ciúme não acaba
nem tem prazo
de validade

não há esquecimento
quando não passa...

o tempo
nenhuma maturidade

é suficiente!

quanto leva pra maioridade 
um velho sentimento?

Ellen Maria