27.2.14

Lucas

E eis que nasce o primeiro filho de um ex namorado. 
E a reação primeira é de vasculhar a mini vida alheia: saber nome, data de nascimento, signo, cor de olhos, formato do nariz, boca, que maternidade veio ao mundo, se tá mais pra bonito ou pra feio...
Depois, ver fotos da mulher, é claro: fotos dela no pós-parto, grávida, antes de embuchar... e fazer comparações: se está mais gorda, mais feia, com mais olheiras, com mais peso, com mais dentes no sorriso (ou não)...
Em seguida, ver fotos dele: antes e depois de ser pai, se parece mais ou menos contente, mais ou menos frustrado, mais ou menos apaixonado...
Fazer suposições é o passo seguinte, pelo que o facebook deixa rastrear: se ela já estava grávida quando casaram, onde é que estão morando, que fazem para sustentar o bebê, que fazem para se divertir, se ainda tem vida social, sexual e amorosa paralela à vida de pai e mãe de um recém nascido, quem dos amigos são os mesmos daquele passado distante, quando a namorada era outra (no caso, eu) também passam por aí.
A próxima reação é querer nunca mais entrar na página deles. Que sejam felizes, é possível pensar, num voto verdadeiramente sincero, meio de orgulho ("eu o ensinei a amar alguém") e com um ligeiro ar de desgosto ("ele já tem uma família linda").
Tentar se transpor para aquela vida não é um tópico. O nível presente de contentamento com a própria vida é muito maior do que quaisquer possíveis sentimentos de ciúme, inveja ou dor de cotovelo.
Mas sobre uma coisa, não resta dúvida: a última reação.
Meu bebê será mais bonito.

5.2.14

Espírito do dia:

Espírito "ritepramim":
ridi mihi
e não me irrite
ad infinitum.


Ellen Maria

no necesito hablar de afectos
para sentirlo con otras palabras
no una promesa
sino un acto de presencia. 


Ellen Maria

4.2.14

Cozinha Extraordinária

Arte picanha:
sangrando
Arte cupim:
assado
Arte contra:
frito
Arte músculo:
socado
Arte patinho:
cozido
Arte fraldinha:
no prato
Arte maminha:
no bico
Arte minha:

Trilogia das Marcas

Casa das três mulheres I

É tanto cabelo
que Diabo verde
não vence.

*****

Casa das três mulheres II

Te corto com faca
de plástico, rosa,
da Tramontina.

*****

Casa das três mulheres III

De tpm,
não reclama!
porque tampax não falta.

Ellen Maria

24.1.14

De feto a perra

La vida ya no pasa
la vida viene
y me choca en el pecho
y me lame el cachete
y me llama de cachorra
tienes mucho que aprender
cállate antes de ladrar 
por las calles anda huele 
escucha 
y toma tu leche.

ellen Maria

17.1.14

Agosto II

"El ridículo. No estar. No estar ahí ni ahí ni ahí ni ahí y hacerlo sin embargo. Como invitar a cenar a alguien, a alguien muy especial, y que no te vengan. Y que no te pregunten nada: ni en qué andás, ni qué pensás hacer ni qué decir de cómo pensás hacerlo. Solo nada de nada. No sabés qué significa todo esto, no? Sabés qué significa? Besar no es nada y es todo. De tener cosas como al alcance de la mano y no saber cómo pedirlas, cómo acceder a ellas. Una imagen de uno mismo, fuera de foco. Uno desdibujo de una, de la figura de uno, del contorno. Parecerse muy poco al propio ideal, parecerse tan poco a veces. No querer dejar ir ni poder agarrar, que se escurra de entre las manos, de los dedos..."

Romina Paula, p.167

16.1.14

Aquelas

Me contaram duma planta
que não me lembro o nome
mas acho que se chama
Conosco ninguém pode.

Envenena olho gordo
e cura mal olhado
e o melhor dela é a flor
que tem um cheiro danado
de coração apaixonado.

Roubei pra te dar de presente
mas me pegaram pulando o telhado
contei a história da gente
e me deixaram levá-la,
mesmo com o vaso quebrado.

Saí dessa bem contente
cavalo dado não se olha o dente
o que importa é o vai e vem
a força do coice
e o seu relinchado.

Pra terminar esse repente
com um final bem arretado
só falta um beijo caliente
um sorriso teu
e  um muito obrigado.

Inferência

Declarações provam palavras
Provas aclaram ações
dessa forma, deduzo
que dúvidas se esvaem
nas próprias proporções.

Ellen Maria

15.1.14

La máquina

La máquina funciona perfectamente
produce miles de imágenes
compra productos nuevos
vende productos viejos
crea materiales creativos
juega diseña aprovecha
escribe ficciones
y no ficciones
exhibe poemas
y porquerías
fomenta discusiones
encorta distancias
aleja parejas
tiene celos
calienta peleas
pero soy yo que decido
soy yo la que elijo
desenchufarla.

Ellen Maria

...todavia quedan cosas...

...por la pared
...de los retratos
...en las canciones
...en las historias
...de mi memoria

por dónde llegan...
de dónde salen...
en dónde quedan...
las cosas que...
no son cosas...

Ellen Maria

10.1.14

La fiesta nacional

"Hasta que no vea un ejército de poetas con libros en la mano,  un desfile de músicos sin uniforme y tañendo sus instrumentos, batallones de bailarines desfilando sin marcar el compás, una división de héroes de las batallas cotidianas compuesta por maestros, barrenderos y todos los oficios humildes imaginables, la legión de veteranos compuesta por nuestros abuelos repartiendo sabiduría, una compañía de niños con sus mascotas ya sean cabras, perros, gatos o unicornios imaginario, las autoridades presidiendo el desfile, llorando y pidiendo perdón por sus errores, abusos y felonías. Hasta entonces, me quedaré en casa durmiendo."

Albert

9.1.14

Agosto

"Nos besamos muy profundo, sabés cómo es eso, besarse con amor. A eso me refiero, esos besos que lo son todo, en los que casi no te podés diferenciar del otro, esos en los que te metés adentro del otro, que te lo ponés tan adentro, y van y vienen las lenguas que se ponen tan grandes y vivas con los ojos cerrados, como alimañas húmedas, patinosas, busconas."

Romina Paula, p.156

3.1.14

Caras del viento

"Cuando no sé decir, dibujo. 
Si el árbol no se mueve en la hoja, 
pronuncio su temblor. 
A veces tengo que temblar
para tener un árbol, una hoja
y decir como el viento."

Natalia Litvinova

Extranjera

Acabo por silenciar
para intentar comprender los ruidos
en otro idioma es más dificil
los gemidos
prendo la respiración
y no puedo seguir con esto
el de al lado no me entiende
necesito volver a mi tierra
antes de que me muera en soledad.

Ellen Maria

2.1.14

No damos para tanto

"Viendo que los pintores terminan haciendo autorretratos, los escritores escriben sobre la vida de escritores miserables, los cantantes componen sobre lo bien o lo mal que lo pasan con el amor, los actores interpretan obras sobre el mundo del teatro, etc. pienso que los artistas, para ser personas que trabajan con su creatividad, a veces no vemos más allá de nuestras propias narices y solo podemos manejar lo que ya conocemos."

Albert

2014

Un año que empieza con dos
solo termina solo
si no inventa de multiplicarse.

Ellen Maria

18.12.13

Si me siento latinoamericana?

Si me roban la plata como a las uruguayas
Si me saquean el oro como a las hondureñas
Si me matan de hambre como a las peruanas
Si me secan de sed como a las bolivianas

Si me comen hasta los huesos como a las argentinas
Si me chupan hasta la sangre como a las venezolanas
Si me tragan hasta el aire como a las chilenas
Si me quitan hasta la lengua como a las paraguayas

Si me arrancan los ojos como a las jamaicanas
Si me desaparecen las venas como a las panameñas
Si me devoran el cerebro como a las colombianas
Si me queman la piel como a las dominicanas

Si me quieren lejos como a las cubanas
Si mi quieren invisible como a las guianas
Si mi quieren pequeña como a las ecuatorianas
Si me quieren muda como a las nicaraguenses

Si me quieren sorda como a las salvadoreñas
Si mi quieren puta como a las puertoriqueñas
Si mi quieren esclava como a las mexicanas
Si me quieren pobre como a las haitianas

Si me quieren muerta como a las guatemaltecas,
Sí, me siento latinoamericana
y hasta después de que me muera
seguiré siendo de esta tierra.

Ellen Maria

16.12.13

Contrato

Ser inteiro pode
só trabalho com o todo
mais com a metade
do dobro
também topo.

Ellen Maria

Todo fim de ano

cometendo as falácias de novas promessas
listá-las de modo a contemplá-las
não cumpri-las é a parte mais honesta.

Ellen Maria

10.12.13

Solitária

Em terra de casa vazia 
design de interiores é rei.


Ellen Maria

4.12.13

El Millón

Marco   Polo
Marco       polo
marco            Polo
y las maravillas
del aislamiento acústico.


Ellen Maria

27.11.13

imagem

Sinto o vento enquanto
olho o barco no porto
Teu olho me vê no carro
O vento em meu cabelo seco
Meu olho que te vê
no espelho do carro
Sentimento molhado
Teu olho que molha
meu olho enquanto
O vento seca
o barco no porto.

Ellen Maria

21.11.13

Altar. Atuar. Alta. Au tá!

"Quando aparece um amor que belo é assim 
Na redoma quero preserva-lo e tê-lo 
Tocá-lo, senti-lo e até enfim também sê-lo 
Até receber a resposta que seja um só sim 

Quando parece que esse amor é pra mim 
Pra mim mesmo me pergunto qual meu medo? 
Que me pára e me faz travar logo tão cedo... 
É a paúra de quebrar tão frágil marfim. 

Caço dentro de mim preciosa tranquilidade 
Afinal não há fim que não tenha começo 
E nem ansiedade que não tenha calma 

Aproveito o agora, a minha atual idade 
E faço o que posso pois me conheço 
E assim continuo caminhada de minha'lma... "

Felipe Ribeiro
Poesia escombro
poeira até os ombros
mas respira.

Ellen Maria

20.11.13

Essa boca
cheia de dentes
você esconde
a boca os dentes e você
onde?


Ellen Maria

Máquina de escrever Maria

"Maria nasce quando a noite cai,
quando cai o corpo nas profundezas de si -
ruminando maravilhas
quedas em tristes fins
É sempre em tê-la por perto
Intocável atrás das pálpebras.
Têm em Maria todas
As cores que escreveria.
A máquina que criou Maria
Não tem tempo nem forma:

é uma borra."

(Flávia Santos)

19.11.13

insônia

colirio meus olhos
vermelhos pingo
s e não vingar tento
com vinho tinto e deu:
durmo.

Ellen Maria

meu

amigo,
só a lua
míngua
a mágoa.
só o tempo
tampa minha
tristeza
e a tua.

(para Daniel Barboza)


Ellen maria

14.11.13

Querer ter

"O ponto chave que não é outra coisa que a rica abundância da particularidade do mundo interior, se é que algo assim existe e não esses quartos fartos de palavras, de falsos espasmos e prazeres verdadeiros, mas não menos efêmeros e cabelos, muitos e compridos cabelos castanhos grudados aos lençóis junto com o cheiro, o meu cheiro – isso dizem – que eu mesma desconheço. Isso, a umidade e a música e a estúpida pugna pela janela seja aberta ou fechada. E eu faço essas coisas, ver e fazer que não vi, esperando que a situação se resolva sozinha e assim uns minutos até, ao ver que nada aconteceu, me forçar a intervir e aparecer. Agir é executar e trepar é morrer, dizer trepar é uma forma de distanciar e distanciar é minimizar, minimizar é se preservar e se preservar é querer morrer um pouco menos. Agir é matar e trepar é morrer, quando a consciência da carne, da materialidade, da fetidez, é tão evidente. A proximidade, a evidência da carne, a contundência da carne que – ainda assim – pode voar em mil pedaços, se desvanecer ou se envenenar ou se despencar ou se projetar e cair sobre as pedras e sangrar até morrer. Como o monge. Sinto suas mãos sobre meu corpo quente semidesnudo, como pinças que aprisionam todos e cada um de meus membros, me prensa, suas garras me prensam e só penso em me safar das toneladas que sua demanda deposita em minha nuca, justo aí, nesse lugar, o mais vulnerável de todos: só de eu tentar me incorporar me desnucaria, minha cabeça ficaria prensada sobre o asfalto sob o peso o peso do desejo, do teu desejo egoísta de possuir, de querer ter e não só tocar, mas também engolir, engoli-lo tudo faminto guloso, não queira lamber nem uma mínima porção de minha miserável figura, não ouse desejar ser dono de nem uma gota de meu suor ou de meus gemidos nem sequer está permitido imaginar querer ter querer ter haben wollen haben wollen haben wollen, não será demais? Tanta gula não pode levar a outra coisa senão ao fastio e no melhor dos casos, ao vômito. Achei que você sabia que eu sim valorizo as palavras, não só as coleciono mas também as recordo e as coleciono, as coleciono e as cuido, cuido delas e por isso te peço que em ocasiões futuras recorra a elas com mais cuidado, com muitíssima segurança, porque se não pesam, pesam sobre as nucas quais quilos de ansiedade, ansiedade e atropelo e um carinho tão mas tão atropelado".
(Querer tener, do livro Vos me querés a mí? - Romina Paula - tradução Ellen Maria)

13.11.13

um pouco

Amar de novo é
ganhar o céu
sem perder o chão.


Ellen Maria

Por que o senhor atirou em mim?

Sobram cruzes
fuzis e sangue.
Vazam vozes
fuzis e sangue.
Faltam luzes
vida e poesia.
São Paulo, esvazia
os bolsos não porte
balas só cores.
Nenhuma parede
suporta o cinza.

Ellen Maria

Lista de presentes

Mais gargalhadas que tímidas risadas
Mais amigos em pé que família sentada
Mais música velha que hits da última parada
Mais refrigerante e água que cerveja gelada
Mais lasanha quatro queijos que macarrão a carbonara
Mais pés descalços que sandálias calçadas
Mais gravatas na testa que camisas abotoadas
Mais momentos eternos que fotos clicadas
Mais abraços sinceros que lembranças embrulhadas
Mais esperança guardada que paixão declarada
Mais ansiedade por mais diversão que felicidade pela certidão
e muito mais sentimento do que rende uma festa de casamento.

11.11.13

Pulp

Sobra
presentes
no meu presente.


Ellen Maria

1.11.13

sabrosa anatomia

chupando la panza
besando cachetes
lamiendo rodillas
mordiendo codos
y llegando a conclusión
de que sos todo
un gran pedazo
de carne con huesos
de primera calidad.

Ellen Maria

el ruido del ascensor

para eme.
Que sí, me decías
y nos besábamos
y yo no podía creer
que estuviéramos tan cerca uno del otro
y me contabas donde habías pasado tu infancia
y el último año nuevo
me brillaban los ojos
y me despedí en la puerta del ascensor
después pensé que alguna vez
entraría en tu casa
apretaría la mano de tu padre
y le diría que pasé el año nuevo
muy cerca de su hijo, le diría
en la misma playa
quizás él sonreiría
y que quizás en el próximo
te besaría al abrir la puerta del ascensor
quieres tener un hijo conmigo
alguna vez?
que sí, me decías
y nos besábamos...

Ellen Maria

dia de finados

o assum preto veio
pássaro abutre
velho
urubu agouro
carniceiro
vejo
rondando a sua casa
o tempo inteiro
algum assunto
pra tratar tem
agora ou passa
no ano que vem.

Ellen maria

si em pre

Que fique ciente:

ciúme não acaba
nem tem prazo
de validade

não há esquecimento
quando não passa...

o tempo
nenhuma maturidade

é suficiente!

quanto leva pra maioridade 
um velho sentimento?

Ellen Maria

28.10.13

Não se nasce mulher, torna-se.

Simone de Beauvoir estava certa. Nasce-se do gênero feminino, mas ser mulher é uma ação (/estado/essência) que precisa de tempo, consciência, e vários outros fatores, internos e externos. É questão de sentir, lutar e conquistar esse direito. Uma das coisas que me fez pensar nisso essa semana foi um momento ínfimo e discreto na faculdade. Uma discussão tomou forma na aula do mestrado, e entre os dois professores e os quatro alunos, duas posições diferentes foram levantadas. Eu tomei um partido, e outra aluna, aparentemente da mesma idade que eu, tomou outro. A discussão ficou bastante interessante, com argumentos sérios de ambos lados, até que depois de uma fala um pouco confusa da moça, levantei a mão e disse: "Mas aí você está se contradizendo". E comecei a discorrer meu ponto de vista. Ela que, visivelmente, levou para o lado pessoal, fechou a cara e a partir desse momento, passou a contestar qualquer coisa que eu dizia, até bobagens que nem faziam parte do assunto coletivo.
Tornar-se mulher também é tornar-se adulta. Descobri nesse instante: quando percebi que era capaz de não alterar minha postura nem ficar ofendida com ela, quando percebi que não estava interessada em responder as grosserias da menina, que mesmo sendo da minha idade, ainda precisava se afirmar na sala de aula, diante dos outros, e eu já não senti necessidade de nada disso. Saí da sala me sentindo mais velha que ela e também adulta, por fim.
No corredor ainda, quando acabou a aula, me lembrei de um episódio que aconteceu num simpósio anos antes, quando vi uma conferência de um espanhol e uma argentina, ambos já conceituados na área acadêmica. O espanhol levantou hipóteses em sua fala que a mim e a outros na platéia (vi pela cara que uns faziam) pareciam absurdas; eu, na cadeira, comecei a me exaltar, mesmo em silêncio, (já que não podia participar), e entrei em pânico querendo estar no lugar da argentina, para responder de imediato as ideias incoerentes do homem. No entanto, a argentina, mais velha e mais experiente que eu, deixou ele falar o quanto quisesse, e depois, mesmo não concordando em absolutamente nada que ele postulou, respondeu num tom ameno, usando palavras muito educadas, e soube se posicionar num ato de tamanha elegância e que me deixou de boca aberta: ela falou tudo o que eu queria falar, mas da melhor forma possível, e ainda falou de muito mais, que eu não fazia ideia. Saí do simpósio, ao final da conferência, confessando a uma colega que eu nunca poderia ter esse tipo de atitude que a argentina teve, que na verdade eu tinha tido uma vontade louca de pular no pescoço do espanhol, pra mostrar pra ele que era uma loucura tudo aquilo que ele tinha dito. O que minha colega respondeu que um dia eu iria conseguir reacionar como a argentina, e "colocá-lo no lugar dele", disse, que só me faltava mais maturidade e paciência, mas que o tempo se encarregaria de me formar. Na época pensava que minha colega estava enganada, que era alguma coisa de personalidade, que eu sempre seria explosiva e defenderia com unhas e dentes minha opinião.
É... o tempo me mostrou que a enganada era eu. Hoje, ao menos, compreendo, que ser adulta não é só ter correspondência chegando em meu nome, não ter vergonha de comprar camisinha e absorvente na farmácia, decidir meu voto e se esse mês vou menstruar ou juntar uma cartela de pílula com outra. Ser adulta é resolver não comprar uma briga, quando não tem importância, ou saber comprá-la, sem cair do salto.

Ellen Maria

Um, dois,

Te chamo pra festa,
tímido você titubea
mas avança.
Me gira com graça,
me abraça sem pressa
me ergue e balança.
Me pede uma pausa
(sei que essa coisa
de salsa te cansa)
e uma proposta te lanço:
Me leva pra casa
te ensino uma valsa
onde você me alça
e eu te canso.
Aceita ser meu par
em mais essa
contradança?

Ellen Maria

25.10.13

banho, mesa e cama.

casa limpa
lençol trocado
unha feita
cabelo lavado
calcinha nova
saia passada
feijão no fogo
carne assada
tevê ligada
te espero sentada
te espero sentada
te espero sentada...

Ellen Maria

24.10.13

Mujer, a poco.

No hago caso
si me equivoco
me importo poco
si te incomodo.

De mi carga
me encargo
desde la cama
hasta el orgasmo.

Ellen Maria


23.10.13

Questão de Ordem

Mas quando a casa
cai, o mascarado
descarado
quer emprestado
uma cara
a tapa, coitado
quem usa máscara,
do meu pão, não
merece a casca.

Ellen Maria

silêncio & som

Se o que sinto
é sincero
não minto
berro.
se meu ouvido
ouvir meu eco
não carece!
volta pra mim
o que quero dar
a quem merece.


Ellen Maria

22.10.13

Qué es un amor merecido?

Qué es un amor merecido?
un amor multiplicado
o un amor dividido?
un amor sembrado
o un amor florido?
un amor abortado
o un amor parido?
un amor atrapado
o un amor huído?
un amor diseñado
o un amor cosido?
un amor declarado
o un amor prohibido?
un amor perfumado
o un amor hedido?
un amor soñado
o un amor vivido?
un amor de paso
o un amor marido?
un amor desnudo
o un amor vestido?
un amor sólido
o un amor líquido?

Ellen Maria

18.10.13

geléia viva

sedenta
ela fez toda
uma festa
ele era todo
bem-vindo
até que o fim foi vindo
até que o fim foi sendo
e a festa dela
que não queria acabar
não pode durar
e o que era muito
virou pouco
e acabou
cedendo.


Ellen Maria

14.10.13

ele/ela

"Flávia? Oi. Vc tá falando com quem? Com o Alan. Hummm... Pergunta se ele vai no Belas Artes. Ele disse que vai. Ta, deixa eu falar com ele depois. Alô, Alan. Fala Juliano! Então você vai no belas artes? Vou sim. Vamo aê? Ah então, não vou. Mas queria que vc me fizesse um favor meio estranho. Fale. Então... preste atenção lá. Se você ver uma garota baixinha e com cara de brava, pergunte se o nome dela é Ellen. Se for, fale que o Juliano mandou um abraço!... ou melhor, um abraço só não. Um abraço e um belo de um beijo, ok?... Como assim? Haha, então, preste atenção apenas. Beleza.
Será que é ela. Ah, desencana. Se bem que parece. Parece com aquela foto em que ela está de cabelo molhado. Nossa, bonita ela. Mas não deve ser. To olhando e ela não faz nada. Desencana. Não. Ai. Juliano! Tá na hora! Vamo pro milo ou não? Vamo, vamo. Não. Vai lá, porra. A Megera Domada. 2005. Direção de Davi Richard e lembrou dela. Fale que você outro dia ouviu kings of convenience e lembrou dela. Tímido. Oi, seu nome é Ellen? Encabulado. Tudo bem? Confuso. Não me lembro que se foi assim que cumprimentei. Rápido. Confuso. Quente. Ela estava suando. Achei engraçado, mas quando olhei eu também estava. Molhado. Foi bom. Bem bom. Cheguei em casa, exausto. Estou exausto. Durmo ou não durmo? Não dormi. Não na hora. Fui na padaria primeiro. Comprei e comi pão de queijo. Agora sim durmo."

Juliano Domingues

13.10.13

perjuicio de clase

La gente cool apesta
pero apuesta en la buena esencia
su estética se vende en dolar
su perfume se compra en Francia.
Paga mucho por la alta costura
y hace de su terapia,
tema de literatura
se analisa porque confunde
antojo con locura
cocaína con morfina
comedia con tragedia
o con otro género de aventura.
Y detesta fritura,
sea de vaca o gallina,
pero si le da la gana,
come guano
o lo que sale de la tina.
La masa para ella
es pura basura
solo lo que considera
arte es su cultura pura
lo resto es mera
imitación, mierda, usura.
Pero silencio, criatura!
la gente cool censura
y adoctrina
(aunque con fina blandura)
espejo de su cara
clásica, plástica
estúpida y cretina.

Ellen Maria

7.10.13

ser nieta

Nunca pude saber
si su padre quiso ser mi abuelo
porque su hijo nunca quiso ser
mi padre.

Ellen Maria

6.10.13

último deseo

un pedazo de carne
un trago de vino
un trozo de pan
un sorbo de agua
si el asado es un pecado
y la gula es mi condena
del chorizo más un bocado
voy al infierno de panza llena.

ellen maria