terça-feira, 12 de janeiro de 2016

Decreação

Uma alma covarde corre em silêncio
ou se espalha em gritaria mentirosa
atua bem que deveras sente
ataca à defensiva
julga ser humilde, mas humilha tudo o que vê
baixinho, aos céus, agradece
por não ser como os outros
e se esconde atrás de um copo
e lida com a vertigem de nariz em pé
(mas sua
quando se olha no espelho
e lhe perguntam o que viu
ofega, sem resposta, e bebe outro gole).
Sabe que nunca foi nada, ou nem isso,
Não pede nada
à estrela cadente
porque não acredita no que vê:
lá se vai mais uma alma morta.
Exige o que não cumpre
berra contra máscaras culpando a violência
& a falta de limpeza do umbigo
Abusa da hipocrisia sem se dar conta
da dívida. Até que um açoite de chuva fria
até que
Já era tempo.
Decomposição.

**

Irony and God
Quis fugir, mas era tarde.
Não haveria teta de vaca suficiente
para tanto copo que queria tomar.
Alma não precisa de férias.
Vergonha não se mata com auto piedade.
trabalhou em manter as mãos ocupadas a diário
e os ouvidos.
Aprendeu a palavra: Decreação
e nunca mais escreveu em primeira pessoa
(mas os pronomes reflexivos no gran cânion)
Ainda falta muito para ela.
Ainda pasta.
E convocadas outras liras
sente baixinho tímida e ainda incerta
pela primeira vez
necessidade
de orar.


Ellen Maria

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