segunda-feira, 30 de novembro de 2015

Psycho Killer

"Ese mosquito que maté
- y que vos bautizaste Psycho Killer,
por la acritud de su aguijón y la temeridad
con que logró eludir las palmas de la muerte
en la hora lenta en que la noche se recorta
inmóvil en su cima
antes de despeñarse con callada furia
contra la madrugada
y nos sopló al oído el cuerno del insomnio
hasta dejar, al fin,
sobre el revoque blanco de ese cuarto prestado
una gota escarlata - era el vehículo para un pacto de sangre

          que prometía que
- a pesar del nomadismo,
el pánico a deshoras,
la alergia desgranada entre las sábanas,
los ciclos del deseo,
la división social del trabajo doméstico,
los breves ramalazos
de la felicidad- habría para nosotros,
en la deriva del amor, un techo,
unos tabiques:
       límites precisos

donde apilar en sucesión los días."

**

Esse mosquito que matei
- e que você batizou de Psycho Killer,
pela acritude de seu ferrão e a temeridade
com a que conseguiu esquivar das palmas da morte
na hora lenta em que a noite se recorta
imóvel em seu cume
antes de despencar-se com calada fúria
contra a madrugada
e nos soprou ao ouvido a trombeta da insônia
até deixar, enfim,
sobre o reboco branco deste quarto precário
uma gota escarlate- era o veículo
para um pacto de sangre

          que prometia que
-apesar do nomadismo,
o pânico a desora,
a alergia debulhada entre os lençóis,
os ciclos do desejo,
a divisão social do trabalho doméstico,
os breves surtos
de felicidade- haveria para nós,
na deriva do amor, um teto,
uns tapumes:
            limites precisos

onde empilhar, em sucessão, os dias."


Ezequiel Zaidenwerg
Tradução: Ellen Maria

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