quarta-feira, 1 de abril de 2015

Salso argento

"não vá se escalavrar nas cracas
do rochedo ao recolher o guano, meu filho;
o mar ruge como um jaguar;
pode-se lanhar o nevoeiro com suas garras;
os vagalhões arrojam mesmo as gaivotas
que cagam branco nos penhascos,
como antes me afogaram;
suas leiras podem esperar do vento
uma esteira verde que esterque as sementes,
e da noite o aljofre que dá força;
não desça hoje o penedo em busca do excremento,
ou ficarei órfão antes do nascimento"
- disse-lhe o menino, mergulhando
num remoinho de círculos concêntricos
acordou com o murucutu noturno,
e seus olhos eram uma poça de sal
quando avisou a mulher:
"nosso filho está vindo, de algum lugar,
e fala palavras iguais às de meu pai".

Josely Vianna Baptista

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