sexta-feira, 18 de março de 2016

Sereníssima

Sento e aguardo. Não posso respirar fundo. Me dá tontura e sinto que se antes de afogar, desmaio. Escuto desde aqui a máquina fazendo seu trabalho. Ela gira a um lado e outro sem sair do lugar, as roupas se alvejam. O volume baixa e depois volta a subir. Enche o tanque e mergulho de olhos fechados. Tudo submerso em água macia. Não sinto minhas lágrimas desde o chão da sala. Veneza desejada. Parto limpa a torcer peça por peça. Vou ao quintal. Estendo em corda bamba e outra vez, me estiro. Vejo o alto. A forma como o vento leva em gotas este silêncio não se repete.


Ellen Maria

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