sábado, 21 de março de 2015

Não existe amor em SP

Lambi seus dedos
feito paleta mexicana
na rua Augusta as duas
da tarde.
Devorei seus beijos
entre um mar de gente
sedenta
na Praça da República.
Mordi suas costas
enquanto cantávamos
ao som independente
num centro cultural.
Traguei seu hálito
como um sanduíche de pernil
no final de um clássico
no Pacaembu.
Bebi seu suor
no meio de um passeio ciclista
numa manhã de sábado
no Ibirapuera.
Mastiguei seus olhos
enquanto esperávamos na fila
do teatro
no Sesc Pompéia.
Comi suas pernas
com pipoca
assistindo um filme antigo
da Mostra.
Engoli seu leite
enquanto ardia
verde
na Praça Pôr do Sol.
Provei seu ventre
enquanto o trem partia
na estação da Luz.
Guardei seus restos
em um tupperware azul
no fundo do meu
freezer.
Doei a geladeira
com tudo dentro
pelo facebook.


Ellen Maria

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