segunda-feira, 30 de março de 2015

Além do dicionário

Segundo recentes pesquisas
de universidades e institutos de notabilidade
já há provas que as palavras também pensam
podem se comunicar
se multiplicar
sentir dor, emoção
possuem memória
sistema nervoso e digestivo
são inteligentes e rancorosas
inclusive choram.
Um grupo conceituado de astrólogos franceses também as analisa
e considera que há um grande número de palavras
com a lua e vênus em câncer,
o que provoca este tipo de comportamento.
Sua lágrima está sendo estudada
em duas faculdades tecnológicas nos Estados Unidos
e presumem que a palavra tem o poder de curar
uma somatória ainda não limitada
de doenças contagiosas.
"Estamos surpresos e entusiasmados com o resultado".
A reprodução delas ainda não foi completamente desvendada
mas em uma fundação não governamental russa
especialistas acreditam que esta atividade ocorre
por muitas vias e posições diferentes.
"Há uma predileção pela via oral,
mas já encontramos ao menos outras quinze formas.
Todas elas têm potencial para sentir prazer e reproduzir".
Segundo analistas japoneses,
as palavras possuem uma amostra de subespécies e gêneros
infinitamente maior que a espécie humana
e chegaram a essa declaração somente avaliando as vivas.
Por causa disso, agentes alemães de diversas áreas constataram
que, assim como os homens,
as palavras também apresentam características violentas e preconceituosas
em relação a seus pares.
"As palavras possuem consciência de suas diferenças
e, por essa razão, algumas escravizam ou sacralizam as outras.
Nestas últimas semanas, observamos um crescimento de bulling
das palavras mais conservadoras em relação as irônicas,
satíricas e também as libidinosas.
Estão passando por uma etapa desalumiada".
revela um erudito angolano convidado a formar parte da equipe.
Um biólogo grego considerou que as novas descobertas irão revolucionar
o mercado farmacêutico, alimentício e inclusive cultural.
Já há comunidades no leste europeu e na Índia
nas quais as palavras são consideradas os novos deuses do século XXI.
"As mais raras estão sendo guardadas em redomas e altares
e em alguns cantos do mundo são mantidas em cativeiro
para garantir o futuro da espécie".
Seu encontro com o papel (celulose) produz uma enzima
que acalma a palavra,
conjecturam cientistas poloneses
depois de uma infinidade de testes.
"É uma reação química que a permite resistir e sobreviver a diversas condições:
de stress, movimento, combustão, e até mesmo ambientes aquáticos.
No papel, ela se liberta".
explicou o professor chefe,
um sul-africano que dedicou à vida ao estudo das palavras.
E continua:
"Sua resposta à tecnologia foi um pouco agressiva
mas quando envolvíamos outras subespécies no processo
apesar de certa objeção, elas se tranquilizavam".
Já há casos de pessoas que deixaram de consumi-la
após os primeiros resultados das pesquisas.
A chamada Dieta da Letra é rejuvenescedora 
quando se trata de poucos dias ao mês.
No entanto, aderindo à dieta ovo-lacto-verbum-vegetariano
por tempo indeterminado
a consequência foi um alto índice de depressão
e transtornos obsessivos compulsivos.
Houve um caso de morte
e outro caso de internação psiquiátrica:
uma mulher de trinta anos, na Argentina, desconfia que é uma pedra.

Ellen Maria

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