"ponta de pedra aguda
faces rasgadas, bétulas amargas
você me diz psiu, violência
no jeito de piscar as pálpebras
pássaros tristes entre cães aprisionados
enfim vivemos num cenário
onde crianças com olhos elétricos
vasculham os bolsos de lady solidão
musas sádicas me acariciam
com unhas de gilete
lábios em carne-viva, mil beijos
de medusa - strippers que após a roupa
arrancam a própria pele
e você vira as costas, arrasta-se
como um mamute pelo corredor
arremessando um "boa noite"
que me acerta em cheio na testa."
Ademir Assunção
30.6.16
29.6.16
Sozinhez
"Não importa qual seja a resposta, o importante é dar ou inventar uma resposta. Ainda que seja mentira. A sozinhez (esquece essa palavra que inventei agora sem querer) é inevitável. Foi o que Alice falou no fundo do poço: 'Estou tão cansada de estar aqui sozinha!' O importante é que ela conseguiu sair de lá, abrindo a porta. A porta do poço! Só as criaturas humanas (nem mesmo os grandes macacos e os cães amestrados) conseguem abrir uma porta bem fechada, e vice-versa, isto é, fechar uma porta bem aberta."
Paulo Mendes Campos
28.6.16
Feminidad en la metalengua
"Los hombres (occidentales, al menos) [y las mujeres masculinizadas] no aman amar, sino vencer. Reina entre ellos el desprecio y la ironía por las cosas del cuerpo sensual: los olores, el tacto, las secreciones, las músicas; llaman 'artistas' a quienes de entre ellos se interesan. Pero los artistas son mujeres. Los hombres se sienten derrotados cuando aman. Prefieren las prostituas cuya impasibilidad les protege. El gozo de una mujer es para ellos un enigma, porque no han encontrado los medios técnicos de producirlo de modo previsible y garantizado. (...) La gran asociación viril de la guerra y el sexo esá ya en los Tratados de erótica chinos, que son igualmente Manuales de estrategia. para el hombre el amor es un combate y lo que está en juego es su virilidad, es decir la cultura."
Lyotard
27.6.16
A resistência do impossível
não altera a ordem
dos cacos
a quantidade de lados
também é a mesma
a profundidade do corte
um ângulo parece que grita
enquanto
outro se cala
não há mais nada lá
um jarro completo
cheio de eco, um oco
o vazio de dentro
se espalha agora
pela
casa inteira.
Ellen Maria
dos cacos
a quantidade de lados
também é a mesma
a profundidade do corte
um ângulo parece que grita
enquanto
outro se cala
não há mais nada lá
um jarro completo
cheio de eco, um oco
o vazio de dentro
se espalha agora
pela
casa inteira.
Ellen Maria
26.6.16
tangerina
faz
da face jovem
clássica antifaz
mulher
olha no espelho
e não enxerga
nem ela
nem outra
qualquer coisa
também não é melhor
do que isso
o tempo não fez
ainda
sua foice
ou faca
mas fincará
basta
um pouco mais de calma
do lado de dentro
e fora da cáscara
miolo sempre demora
mais
para amadurecer.
Ellen Maria
da face jovem
clássica antifaz
mulher
olha no espelho
e não enxerga
nem ela
nem outra
qualquer coisa
também não é melhor
do que isso
o tempo não fez
ainda
sua foice
ou faca
mas fincará
basta
um pouco mais de calma
do lado de dentro
e fora da cáscara
miolo sempre demora
mais
para amadurecer.
Ellen Maria
25.6.16
Parte do Entropé
"o violinista do telhado
on the other hand
a secreta vida de walter mitty mais naquela partinha
que toca space oddity
as duas partes das relíquias
da morte
a caminhada solitária pra estação que nunca
mais é sem seu passo
a letra de canção que tem uma única frase lembrada
e o resto só murmúrio de voz incediada
o apito de madeira de um avô à mão
entalhada herança repassada
o livro artesanal à quatro braços costurado
biblioteca comunitária entre dois
a trilha sonora do top gun no pen drive contaminado
cavalo de troia e presente de dia dos namorados
a partida de uma e da outra o aniversário
avós compartilhadas
a queda de patins que nem rola
apoio e pernas e braços únicos em corpos distintos
o tapete de sala o chuveiro apertado as camas de cada
na carne de um o cobertor que ao outro faltava
pode ser uma lista
mas também pode ser a palma
da mão da namorada
aberta
encostada aqui na face
linha da vida escancarada
como quiromancia dissesse pra aquele
que nela inacredita
na sua cara
mas também pode ser uma ambiguidade
tipo luneta
ter ou não ter a lua
mas também pode ser rever
o filme de ficção
científica que diz
não estamos sós
e reentender o recado
tá ali o astronautinha
pendurado me lembrando.
(...)
Ricardo Escudeiro
on the other hand
a secreta vida de walter mitty mais naquela partinha
que toca space oddity
as duas partes das relíquias
da morte
a caminhada solitária pra estação que nunca
mais é sem seu passo
a letra de canção que tem uma única frase lembrada
e o resto só murmúrio de voz incediada
o apito de madeira de um avô à mão
entalhada herança repassada
o livro artesanal à quatro braços costurado
biblioteca comunitária entre dois
a trilha sonora do top gun no pen drive contaminado
cavalo de troia e presente de dia dos namorados
a partida de uma e da outra o aniversário
avós compartilhadas
a queda de patins que nem rola
apoio e pernas e braços únicos em corpos distintos
o tapete de sala o chuveiro apertado as camas de cada
na carne de um o cobertor que ao outro faltava
pode ser uma lista
mas também pode ser a palma
da mão da namorada
aberta
encostada aqui na face
linha da vida escancarada
como quiromancia dissesse pra aquele
que nela inacredita
na sua cara
mas também pode ser uma ambiguidade
tipo luneta
ter ou não ter a lua
mas também pode ser rever
o filme de ficção
científica que diz
não estamos sós
e reentender o recado
tá ali o astronautinha
pendurado me lembrando.
(...)
Ricardo Escudeiro
24.6.16
11
pintar um pouco vida
de sanduíche feliz
já tão novo tão
copiando
a invenção cotidiana
por que não
se como na criação universal
um pedaço desaparece no caos
o show deve continuar e
os elefantes não param
de dançar quando
o riso é aplauso
da sobrevivência.
Ana Martins Marques
23.6.16
a última parte de HP
O primeiro é situar-se. Depende do planeta inimigo, a escolha da arma. É preciso traçar um método eficaz de sobrevivência, ainda que temporário. Todo ato surpresa acarreta uma recalculação do plano e um arsenal à postos de instrumentos mortíferos para ataque e defesa.
Às vezes não há lugar mais hostil na Terra que o terminal rodoviário.
Faço o possível para tornar-me invisível. Não é preciso ter visão raio-x ou microscópica para sentir que as milhões de bactérias e vírus, que habitam todo e qualquer elemento naquelas centenas de metros quadrados, não são o pior que posso temer. Não é preciso ter um quociente de inteligência elevado ou um poder sobrenatural para compreender que aquelas dúzias de homens parados ali querem me comer e já pensaram em coisas bem piores pra fazer que esperar um ônibus chegar para partir. O bilheteiro faz questão de tocar minha mão enquanto me entrega o ticket da passagem. Um sabre de luz cortante me caía bem. (Ou a ele). Não é cortês ou acidente, é intenção. Eu poderia matá-lo também com um simples rodopiar da minha varinha mágica. Avada Kedavra. O vendedor da padaria armada arma o teatro da gentileza em um tom que causaria inveja aos apresentadores veteranos de tv. Meu bem querer, o que você vai querer hoje? (Desaparecer). Ele olha para meus peitos enquanto me serve um pão na chapa, toca meu ombro depois de me trazer o café com leite. 38, AK-47, chumbinho ou um tiro de borracha no seu pau. Pode escolher. Todos os outros me olham e fazem seu papel de meros figurantes. Uma bomba relógio presa no meu cinto apita a contagem regressiva. Não me escondo atrás da mulher maravilha. Sou ela. (Só que não). Quase desabafo de ódio, derreto meio pão no copo americano, ponho pra dentro e fujo dali. A fila de taxistas com suas camisas celestes de botões abertos cochicham qualquer coisa que meu ouvido de tuberculoso não me permite distinguir mais que gostosa. Uma granada na garganta de cada um deles. Um desintegrador de espermas.
Meu ônibus chega. O motorista anuncia a hora e o destino, e os ansiosos se encaminham para subir e se esconder cada quem em sua caverna-poltrona. Minutos depois, o que parece ser o último passageiro sobe; o motorista recolhe minha passagem enquanto ainda reluto para entrar. Enquanto permaneço ali, ele lê atentamente e em voz alta meus dados escritos a caneta, caso haja um acidente, telefone, identidade e puxa um assunto de mas você vai viajar sozinha, linda? Um raio fulminador de cérebro e língua. Pela minha afirmativa congelante, ele sabe que não devia ter falado nada. Eu volto minha observação para a porta de saída do terminal. Ele agora sabe que estou esperando aquele homem que está vindo em minha direção. Ele se afasta para fazer alguma coisa burocrática e observar os próximos movimentos do homem que se aproxima. Três segundos. Não nos olhamos nos olhos. Nos abraçamos com força. Sou eu. Ele nem precisa dizer. Absorvo tudo o que eu posso pelo olfato, pelo tato. Pelas partes que me tocam. Barriga, braços, rosto, pedaços de pernas. Minha pedra filosofal. Três segundos de antídoto. De derretimento da armadura para a fabricação do mais sublime afeto. Não falamos mesmo nada. Era só isso. Me despeço entrando no ônibus sem olhar para trás. O motorista liga o motor, parte e pronto. Volto a ser a heroína que sempre sou. Exceto nesses três segundos de imortalidade.
Ellen Maria
22.6.16
tel.
tá certo.não estou morrendo.
e se tivesse, ligaria para outra pessoa. meu pai e mãe. que são duas pessoas.
é justamente porque não estou morrendo que estou ligando.
porque é a vida que me faz enfiar o orgulho pela goela dezenas de vezes, as palavras todas já ditas não voltam para o livro branco, mas ainda há tantas páginas a preencher. de palavras. é.
quem sabe. ligo uma, ligo duas. ninguém atende.
penso que você está vivendo também.
e no fundo sei que está certo em não atender.
é isso.
você está certo em não atender. eu estou certa em tentar.
porque no fundo ambos sabemos. de tudo. sem precisar falar nada um pro outro.
cada um na sua tentativa de viver.
Ellen Maria
e se tivesse, ligaria para outra pessoa. meu pai e mãe. que são duas pessoas.
é justamente porque não estou morrendo que estou ligando.
porque é a vida que me faz enfiar o orgulho pela goela dezenas de vezes, as palavras todas já ditas não voltam para o livro branco, mas ainda há tantas páginas a preencher. de palavras. é.
quem sabe. ligo uma, ligo duas. ninguém atende.
penso que você está vivendo também.
e no fundo sei que está certo em não atender.
é isso.
você está certo em não atender. eu estou certa em tentar.
porque no fundo ambos sabemos. de tudo. sem precisar falar nada um pro outro.
cada um na sua tentativa de viver.
Ellen Maria
21.6.16
it
acontece o susto.
falta ar
acelera coração
eriça pelos
treme mãos
bambeia pernas
dilata pupilas.
e passa.
acontece o amor.
quando passa, assusta.
quando não passa, acontece o susto outra vez.
Ellen Maria
falta ar
acelera coração
eriça pelos
treme mãos
bambeia pernas
dilata pupilas.
e passa.
acontece o amor.
quando passa, assusta.
quando não passa, acontece o susto outra vez.
Ellen Maria
19.6.16
uma flor de buquê
"A flor parece despetala
por mais bela que se apresente
falta um pedaço
o homi não soube regar
as pétalas já caíram
Culpa da sombra
desprezo egocêntrico do sol
tão preocupado em se iluminar
que rejeitou as pétalas
sorte das formigas
Cada pétala perde seu substantivo feminino
alimento do receio
gatilho do medo
medo do sol."
Daniel Bastos
por mais bela que se apresente
falta um pedaço
o homi não soube regar
as pétalas já caíram
Culpa da sombra
desprezo egocêntrico do sol
tão preocupado em se iluminar
que rejeitou as pétalas
sorte das formigas
Cada pétala perde seu substantivo feminino
alimento do receio
gatilho do medo
medo do sol."
Daniel Bastos
18.6.16
para meio entendedor...
Foi quando você foi levantar e dizer ah...
que eu achei que era ...mor o que você ia... deixa pra lá
e também não foi ...deus,
de despedida, nem nada
nem nenhuma outra palavra
que pensei, poxa!
um bocejo a gente não diz
sem se espreguiçar junto
pra não confundir o outro
que tá esperando
esperando...
nada, não.
Ellen Maria
que eu achei que era ...mor o que você ia... deixa pra lá
e também não foi ...deus,
de despedida, nem nada
nem nenhuma outra palavra
que pensei, poxa!
um bocejo a gente não diz
sem se espreguiçar junto
pra não confundir o outro
que tá esperando
esperando...
nada, não.
Ellen Maria
17.6.16
Las cebras y la muerte
"Éramos ciento cincuenta y siete cebras
corriendo por la llanura seca
y yo iba detrás del veinticuatro,
del veinticinco y del veintiséis,
delante del sesenta y del sesenta y uno,
y de pronto saltando nos adelantaron el ciento dieciocho, el ciento diecinueve
y el viento veinte diciendo "río", "río",
y el veinticinco repitió "río", "río"
y de pronto nos alcanzó el ciento treinta
y también nos adelantó saltando,
y el veinticinco giró hacia la izquierda
por delante del veinticuatro y del veintiséis,
y de pronto vi el sol en el agua del río
brillando con brillantes salpicaduras,
y el ocho y el nueve pasaron a mi lado
corriendo en dirección contraria
con la boca llena de agua y las patas
mojadas y el pecho mojado
y diciendo "adelante", "adelante"
y me crucé de pronto con el cinco y el siete
que también corrían en dirección contraria
pero diciendo "cocodrilos", "cocodrilos",
y luego pasaron el seis, el treinta y el doce
y todos dijeron a coro "cocodrilos",
y bebí agua, bebí agua brillante
de brillantes salpicaduras,
"un cocodrilo" gritó el veinticinco,
"un cocodrilo", repetí reculando
y corriendo en dirección contraria,
y me crucé de pronto con el ciento cincuenta
y el ciento cincuenta y uno,
"cocodrilos", "cocodrilos" dije
con la boca llena de agua y las patas
mojadas y el pecho mojado
y seguí corriendo por la llanura seca
detrás del ceinticuatro y del sesenta y uno,
y había de pronto un huevo
entre el veinticuatro y el veintiséis,
y de un salto de pronto ocupé el hueco.
Éramos cienta cuarenta y nueve cebras
corriendo por la llanura seca,
y delante de mí iban el doce, el trece
y el catorce, y detrás de mí
el cuarenta y tres y el cuarenta y cuatro."
Bernardo Atxaga
corriendo por la llanura seca
y yo iba detrás del veinticuatro,
del veinticinco y del veintiséis,
delante del sesenta y del sesenta y uno,
y de pronto saltando nos adelantaron el ciento dieciocho, el ciento diecinueve
y el viento veinte diciendo "río", "río",
y el veinticinco repitió "río", "río"
y de pronto nos alcanzó el ciento treinta
y también nos adelantó saltando,
y el veinticinco giró hacia la izquierda
por delante del veinticuatro y del veintiséis,
y de pronto vi el sol en el agua del río
brillando con brillantes salpicaduras,
y el ocho y el nueve pasaron a mi lado
corriendo en dirección contraria
con la boca llena de agua y las patas
mojadas y el pecho mojado
y diciendo "adelante", "adelante"
y me crucé de pronto con el cinco y el siete
que también corrían en dirección contraria
pero diciendo "cocodrilos", "cocodrilos",
y luego pasaron el seis, el treinta y el doce
y todos dijeron a coro "cocodrilos",
y bebí agua, bebí agua brillante
de brillantes salpicaduras,
"un cocodrilo" gritó el veinticinco,
"un cocodrilo", repetí reculando
y corriendo en dirección contraria,
y me crucé de pronto con el ciento cincuenta
y el ciento cincuenta y uno,
"cocodrilos", "cocodrilos" dije
con la boca llena de agua y las patas
mojadas y el pecho mojado
y seguí corriendo por la llanura seca
detrás del ceinticuatro y del sesenta y uno,
y había de pronto un huevo
entre el veinticuatro y el veintiséis,
y de un salto de pronto ocupé el hueco.
Éramos cienta cuarenta y nueve cebras
corriendo por la llanura seca,
y delante de mí iban el doce, el trece
y el catorce, y detrás de mí
el cuarenta y tres y el cuarenta y cuatro."
Bernardo Atxaga
16.6.16
Paixão
"porque o olho tentando perfurar a imagem
porque a voz tentando perfurar o limite
porque a escuta tentando perfurar o sentido
porque a intuição tentando a lógica
porque o vazio tentando
o abismo
porque o corpo nunca
nunca
cede
então o punho
e o nada."
Geruza Zelnys
porque a voz tentando perfurar o limite
porque a escuta tentando perfurar o sentido
porque a intuição tentando a lógica
porque o vazio tentando
o abismo
porque o corpo nunca
nunca
cede
então o punho
e o nada."
Geruza Zelnys
15.6.16
Lo que hay
"recibe este rostro mío, mudo, mendigo
recibe este amor que te pido
recibe lo que hay en mí que eres tú".
Alejandra Pizarnik
recibe este amor que te pido
recibe lo que hay en mí que eres tú".
Alejandra Pizarnik
14.6.16
timbre
quem não deve
me chama atendo
sabendo que não devo
desculpas pra mim mesma e ela
que deve saber também
por que é que ele depois de tanto
tempo me chama tem chama que não cessa
do lado de lá do lado de cá
o vento apagou e eu ainda em tempo
cobrei juízo e desliguei na cara
dele.
Ellen Maria
me chama atendo
sabendo que não devo
desculpas pra mim mesma e ela
que deve saber também
por que é que ele depois de tanto
tempo me chama tem chama que não cessa
do lado de lá do lado de cá
o vento apagou e eu ainda em tempo
cobrei juízo e desliguei na cara
dele.
Ellen Maria
13.6.16
Royal Enfield
"Si pudiéramos permanecer
en el abrazo desmedido que exige una moto
pensás mientras cruza
el asfalta un perro
como una mancha negra,
la cabeza acostada
a ver cómo suena en su espalda
la velocidad, van quedando atrás
las copas de los árboles y apretás con más fuerza
ahora que te persigue
una idea: a la sombra de esos árboles
dejarán el cuerpo de la moto
cromado que resiste la corrosión
y caminarán
cada uno aferrando a su propio casco."
Silvina Lopez Medin
en el abrazo desmedido que exige una moto
pensás mientras cruza
el asfalta un perro
como una mancha negra,
la cabeza acostada
a ver cómo suena en su espalda
la velocidad, van quedando atrás
las copas de los árboles y apretás con más fuerza
ahora que te persigue
una idea: a la sombra de esos árboles
dejarán el cuerpo de la moto
cromado que resiste la corrosión
y caminarán
cada uno aferrando a su propio casco."
Silvina Lopez Medin
12.6.16
pasado
"aunque sé que a veces me escuchan pensando que soy
el mausoleo de una generación
cuyas reivindicaiones ahogó la dureza de estas décadas
y se asombran de que aún emprenda animosa el viaje
hacia corazones y lenguajes jóvenes
siga hablando del color con que vi el mundo
y lea con más gusto a unos desconocidos que a viejos compañeros
debo decirles
aprendí hace mucho
que no hay nada más patético
que la canción del verano la canción del momento
pasado ese verano pasado ese momento."
Juana Bignozzi
el mausoleo de una generación
cuyas reivindicaiones ahogó la dureza de estas décadas
y se asombran de que aún emprenda animosa el viaje
hacia corazones y lenguajes jóvenes
siga hablando del color con que vi el mundo
y lea con más gusto a unos desconocidos que a viejos compañeros
debo decirles
aprendí hace mucho
que no hay nada más patético
que la canción del verano la canción del momento
pasado ese verano pasado ese momento."
Juana Bignozzi
11.6.16
Cavaleiros
"Kanon, o Imortal:
Espere, Milo. Eu não sei como você não se preocupa em deixar Atena a sós com um inimigo como eu.
Milo de Escorpião:
Já não existe inimigo algum aqui. Não há ninguém aqui além de um companheiro. Trata-se de Kanon de Gêmeos, ou seja, um cavaleiro de ouro."
Espere, Milo. Eu não sei como você não se preocupa em deixar Atena a sós com um inimigo como eu.
Milo de Escorpião:
Já não existe inimigo algum aqui. Não há ninguém aqui além de um companheiro. Trata-se de Kanon de Gêmeos, ou seja, um cavaleiro de ouro."
10.6.16
9.6.16
gps
e eu busco outros caminhos buscando o mesmo destino
um caminho que me diga depois
você chegou ao seu destino
sem que eu tenha que recalcular a rota
cada vez que meu gps interno localizar
perigo
de duas pernas.
Ellen Maria
um caminho que me diga depois
você chegou ao seu destino
sem que eu tenha que recalcular a rota
cada vez que meu gps interno localizar
perigo
de duas pernas.
Ellen Maria
8.6.16
Depois de você
"Depois de você, eu vou cair de amor por alguém
duzentos ou trezentos anos mais velho. O coração dele/dela
será um buraco
no teto da igreja. Para ele/ela, cair
será como cortar o fio de um telefone e vê-lo rolar
rua abaixo. Se fizermos amor, eu tirarei
umas férias anuais
e armarei nosso prazer como quem prepara
um jogo de xadrez, e ele/ela deixará uma maçã cair
no chão
para limpar todo o horizonte.
Ele/ela logo se cansará do meu nervosismo,
do meu sangue apressado. A coisa não vai acabar bem.
Minha/meu amante cortará outro fio, e talvez você
me encontre
novamente, perambulando o toco de um século, meus olhos
abertos
como um coco partido, meu coração o último buraco que o seu laço
atravessa.
Jack Underwood
Tradução (provisória): Cide Piquet
duzentos ou trezentos anos mais velho. O coração dele/dela
será um buraco
no teto da igreja. Para ele/ela, cair
será como cortar o fio de um telefone e vê-lo rolar
rua abaixo. Se fizermos amor, eu tirarei
umas férias anuais
e armarei nosso prazer como quem prepara
um jogo de xadrez, e ele/ela deixará uma maçã cair
no chão
para limpar todo o horizonte.
Ele/ela logo se cansará do meu nervosismo,
do meu sangue apressado. A coisa não vai acabar bem.
Minha/meu amante cortará outro fio, e talvez você
me encontre
novamente, perambulando o toco de um século, meus olhos
abertos
como um coco partido, meu coração o último buraco que o seu laço
atravessa.
Jack Underwood
Tradução (provisória): Cide Piquet
7.6.16
Ídolos
"He buscado tantos ídolos
me he fascinado por tantos ascetas
he soñado con sus imágenes duras rechazantes
esa pureza que humilla
la conianza en el juicio de los pocos
y sigo desconociendo la puerta única
el día único
el momento único
poco los esperé y ya no lo hago
al igual que siempre debí irme me quedé
no puedo dejar de buscarlos
aun rota de cansancio
aun perdido el deslumbramiento."
Juana Bignozzi
me he fascinado por tantos ascetas
he soñado con sus imágenes duras rechazantes
esa pureza que humilla
la conianza en el juicio de los pocos
y sigo desconociendo la puerta única
el día único
el momento único
poco los esperé y ya no lo hago
al igual que siempre debí irme me quedé
no puedo dejar de buscarlos
aun rota de cansancio
aun perdido el deslumbramiento."
Juana Bignozzi
6.6.16
recitante
"o governador voltou ao seu palácio;
e a trincheira era uma cilada,
e o pato estava depenado, assado
e o pato nunca foi comido,
e meio-dia não era mais a hora do banquete,
meio-dia era a hora da morte."
Bertolt Brecht
tradução: Manuel Bandeira
e a trincheira era uma cilada,
e o pato estava depenado, assado
e o pato nunca foi comido,
e meio-dia não era mais a hora do banquete,
meio-dia era a hora da morte."
Bertolt Brecht
tradução: Manuel Bandeira
5.6.16
O reverso das pedras
me insistem na terapia
na regressão ou hipnose
- pra você descobrir o que foi que causou isso
isso chamam aquilo
que não dizem
histeria
(ou a desconfiança que nutro por todos os homens)
me culpam
& meus pais & minha infância &
todos os homens
me dizem isso
desconfiam que eu já sei a resposta
e insistem
- mas o que foi que causou isso
(reticências e não interrogação)
percebo que eles têm medo
da resposta
será que têm medo que eu aponte o dedo
para o pau deles
e cruzam as pernas
em um movimento inconsciente.
penso em alguns cães que atacam
porque sentem o cheiro do medo
e também cruzo as pernas
mas eu sei
que eles já perceberam
tudo
desconversamos
temos uma lista pronta de amenidades
falamos de prêmios literários e autoexílios
o inseto como alimento e a tecnologia do gps
caímos em poços escuros
por sorte
acendo um cigarro
com minha caixa de fósforos
são lugares comuns que sempre voltamos
porque não temos mais
nada
(seguro? em comum?)
em volta.
Ellen Maria
na regressão ou hipnose
- pra você descobrir o que foi que causou isso
isso chamam aquilo
que não dizem
histeria
(ou a desconfiança que nutro por todos os homens)
me culpam
& meus pais & minha infância &
todos os homens
me dizem isso
desconfiam que eu já sei a resposta
e insistem
- mas o que foi que causou isso
(reticências e não interrogação)
percebo que eles têm medo
da resposta
será que têm medo que eu aponte o dedo
para o pau deles
e cruzam as pernas
em um movimento inconsciente.
penso em alguns cães que atacam
porque sentem o cheiro do medo
e também cruzo as pernas
mas eu sei
que eles já perceberam
tudo
desconversamos
temos uma lista pronta de amenidades
falamos de prêmios literários e autoexílios
o inseto como alimento e a tecnologia do gps
caímos em poços escuros
por sorte
acendo um cigarro
com minha caixa de fósforos
são lugares comuns que sempre voltamos
porque não temos mais
nada
(seguro? em comum?)
em volta.
Ellen Maria
4.6.16
Dandelion
Não posso pegar a veia
sem treinar os olhos
sem a gema dos dedos
turvas as águas
ou as cores
do fundo?
mergulho
e às vezes nem assim
descubro
tem mistérios que são o que parecem:
mistérios.
Ellen Maria
sem treinar os olhos
sem a gema dos dedos
turvas as águas
ou as cores
do fundo?
mergulho
e às vezes nem assim
descubro
tem mistérios que são o que parecem:
mistérios.
Ellen Maria
3.6.16
Maçã mal cabida
"faz já dois candelabros que ela não olha para trás
uma mulher de olhar para trás
mas então agora é o parto chinês
os ossinhos do pato no canto perto
da mão esquerda
o garfo com seus dentes virados
para o quadro onde um cavalo e sobre ele
uma garotinha forçando o rosto num
raio de sol muito mal pintado num
tom de maçã mal cabida ali
pobre
pobre beleza pobre mal cabido ali
faz já umas três ou quatro eternidades que ela não olha para trás
metodologia de sondar sem ver
uma faca no assoalho de cupins
uma vaca bordada no guardanapo novo
uma mulher e um homem e uma roda de tortura
uma vaca bordada na cara da mulher
onde o homem maria de deus
uma propaganda de desodorante e uma cachoeira e a torradeira quebrada
uma vaca bordada na cara dela
e se ela se botasse a cantar e se
se ela botasse a querer lamber um peito marinho
e se ela se botasse
a pensar num estupro supracoreografado
uma vaca e três ou quatro búfalos que ela não
ela usa um terno cinco tamanhos maiores
faz treze luas que ela não
faz treze náuseas que ela não olha para trás
uma sala escura bordada no estofo da cadeira vazia
uma mesa tão longa que ninguém deu-se a bordar
um tipo incerto de deus que fez da incerteza da mulher
coisa bordada no quadro com a maçã sobre o rosto mal chaveado
cavalo sob menina rija sobre raio de sol fruto de fruta mal cabida ali
se ela se bota a voltar a olhar para trás
se ele se bota a pensar em sexo com talheres de azar
se ela se bota a criar uma boa superstição com taças
já uma colisão de ângulos entre a janela e o espelho que ela não olha para trás
se ela se bota a querer o tórax a devolver a coxa e a asa
se ela se bota a entortar o quadro
uma maçã e uma rigidez infantilizada e uma cor de tortura
uma carcaça bordada na cara da mulher
onde o homem maria de deus onde o homem
se ela se bota a cruzar os ossos
essa mulher que morrerá em menos de sete ou dezessete sopros na nuca
se ela se bota a entranhar os milagres ali sobre a mesa sob as unhas
se ela se bota a pentear a franja com o garfo
se ela se bota a cruzar os ossos ou os dedos ou as pernas
se ela se bora a contrair o útero se ela se bota a relaxar o útero
essa mulher que morrerá em menos de sete ou dezessete sopros na nuca
se ela se bota a contrair o útero entre o primeiro e o último sopro fatal
faz onze moscas que ela não olha para trás."
Carla Diacov
uma mulher de olhar para trás
mas então agora é o parto chinês
os ossinhos do pato no canto perto
da mão esquerda
o garfo com seus dentes virados
para o quadro onde um cavalo e sobre ele
uma garotinha forçando o rosto num
raio de sol muito mal pintado num
tom de maçã mal cabida ali
pobre
pobre beleza pobre mal cabido ali
faz já umas três ou quatro eternidades que ela não olha para trás
metodologia de sondar sem ver
uma faca no assoalho de cupins
uma vaca bordada no guardanapo novo
uma mulher e um homem e uma roda de tortura
uma vaca bordada na cara da mulher
onde o homem maria de deus
uma propaganda de desodorante e uma cachoeira e a torradeira quebrada
uma vaca bordada na cara dela
e se ela se botasse a cantar e se
se ela botasse a querer lamber um peito marinho
e se ela se botasse
a pensar num estupro supracoreografado
uma vaca e três ou quatro búfalos que ela não
ela usa um terno cinco tamanhos maiores
faz treze luas que ela não
faz treze náuseas que ela não olha para trás
uma sala escura bordada no estofo da cadeira vazia
uma mesa tão longa que ninguém deu-se a bordar
um tipo incerto de deus que fez da incerteza da mulher
coisa bordada no quadro com a maçã sobre o rosto mal chaveado
cavalo sob menina rija sobre raio de sol fruto de fruta mal cabida ali
se ela se bota a voltar a olhar para trás
se ele se bota a pensar em sexo com talheres de azar
se ela se bota a criar uma boa superstição com taças
já uma colisão de ângulos entre a janela e o espelho que ela não olha para trás
se ela se bota a querer o tórax a devolver a coxa e a asa
se ela se bota a entortar o quadro
uma maçã e uma rigidez infantilizada e uma cor de tortura
uma carcaça bordada na cara da mulher
onde o homem maria de deus onde o homem
se ela se bota a cruzar os ossos
essa mulher que morrerá em menos de sete ou dezessete sopros na nuca
se ela se bota a entranhar os milagres ali sobre a mesa sob as unhas
se ela se bota a pentear a franja com o garfo
se ela se bota a cruzar os ossos ou os dedos ou as pernas
se ela se bora a contrair o útero se ela se bota a relaxar o útero
essa mulher que morrerá em menos de sete ou dezessete sopros na nuca
se ela se bota a contrair o útero entre o primeiro e o último sopro fatal
faz onze moscas que ela não olha para trás."
Carla Diacov
2.6.16
Partida
"Já sentiu a angústia durante o gozo, antes mesmo da última gota? O sufocamento. Como se o líquido espesso tapasse a garganta, escorresse pelo lado de dentro do peito, escorando paredes em desalinho.
Tuas mãos na minha garganta. Esse, o acolhimento. Crispadas. Busco teus olhos e os encontro envergados para o bilhete sobre o criado-mudo. Único. Teu nome do meio abreviado, como se perdido num soluço. Talvez o pouco da tua identidade que vai ficar nesse quarto.
Aos poucos o relaxamento. Conformismo. Deglutição. O ar volta a circular, carregado dos cheios de pau e boceta já solitários. Como antes, como antes de tudo, como antes do primeiro adeus. Que era o do primeiro encontro, tudo já começando por terminar. Com um cheiro de morte. Por isso os passeios no cemitério, as flores, a tua mão tapando a minha boca quando a sangria era verborrágica. Não havia tempo.
Não havia tempo.
Não houve tempo.
Há um cadeado sombrio na porta, triste. Entreaberto. Como se senhor da liberdade que ocultamos, um do outro, entre promessas vazias de encantamento. Como o desenlace do pau, um salto para trás, para o entendimento.
Tua boca sem batom. Os olhos esbugalhados, presos na passagem. O nome do meio comido. Um resto de choro que não vale mais a pena.
Já estou vestido. Acabar logo com isso. O corpo, recomposto, dentro das roupas que já me pertenciam, antes de tudo.
O aeroporto, o que é mesmo o aeroporto? O voo do que já vinha distante. Sumir no horizonte qualquer significado, os cabelos armados em um encosto de assento e não mais desalinhados no aconchego.
Um último adeus como promessa de reencontro. Nunca se sabe, retornos são tão plausíveis quanto nascimentos, e olha que nem gozei dentro, ou talvez sim, não sei ao certo porque havia algo de mim que já tinha viajado.
Depois anestesiado, alheio, errático, perdi o tíquete do estacionamento, perdi o carro no estacionamento, lembrei que queria dizer mais alguma coisa, mas já era tarde. Outro filme já devia ter começado, ou talvez estivéssemos apenas ainda dormindo, tuas mãos no meu cabelo.
Qualquer coisa de mim deu partida no carro. Alguém precisa voltar, no caso. Fingindo-se inteiro. Mas com um quê, um tanto de reconhecimento abreviado no meio.
Meu nome, agora? Algum eu, incompleto, entre o que foi e o que ficou, rodando como etiqueta de bagagem na esteira."
Edson Valente R. Maria
Tuas mãos na minha garganta. Esse, o acolhimento. Crispadas. Busco teus olhos e os encontro envergados para o bilhete sobre o criado-mudo. Único. Teu nome do meio abreviado, como se perdido num soluço. Talvez o pouco da tua identidade que vai ficar nesse quarto.
Aos poucos o relaxamento. Conformismo. Deglutição. O ar volta a circular, carregado dos cheios de pau e boceta já solitários. Como antes, como antes de tudo, como antes do primeiro adeus. Que era o do primeiro encontro, tudo já começando por terminar. Com um cheiro de morte. Por isso os passeios no cemitério, as flores, a tua mão tapando a minha boca quando a sangria era verborrágica. Não havia tempo.
Não havia tempo.
Não houve tempo.
Há um cadeado sombrio na porta, triste. Entreaberto. Como se senhor da liberdade que ocultamos, um do outro, entre promessas vazias de encantamento. Como o desenlace do pau, um salto para trás, para o entendimento.
Tua boca sem batom. Os olhos esbugalhados, presos na passagem. O nome do meio comido. Um resto de choro que não vale mais a pena.
Já estou vestido. Acabar logo com isso. O corpo, recomposto, dentro das roupas que já me pertenciam, antes de tudo.
O aeroporto, o que é mesmo o aeroporto? O voo do que já vinha distante. Sumir no horizonte qualquer significado, os cabelos armados em um encosto de assento e não mais desalinhados no aconchego.
Um último adeus como promessa de reencontro. Nunca se sabe, retornos são tão plausíveis quanto nascimentos, e olha que nem gozei dentro, ou talvez sim, não sei ao certo porque havia algo de mim que já tinha viajado.
Depois anestesiado, alheio, errático, perdi o tíquete do estacionamento, perdi o carro no estacionamento, lembrei que queria dizer mais alguma coisa, mas já era tarde. Outro filme já devia ter começado, ou talvez estivéssemos apenas ainda dormindo, tuas mãos no meu cabelo.
Qualquer coisa de mim deu partida no carro. Alguém precisa voltar, no caso. Fingindo-se inteiro. Mas com um quê, um tanto de reconhecimento abreviado no meio.
Meu nome, agora? Algum eu, incompleto, entre o que foi e o que ficou, rodando como etiqueta de bagagem na esteira."
Edson Valente R. Maria
1.6.16
31.5.16
la ama de casa
"la ama de casa
no ama
la casa
que ama. a pesar
suyo
la limpia/la ordena
la habitahabilita
sobre todo:
cuando está sola
y es el momento de:
hacer pis parada como su marido, el señor y
manchar la tabla
(que después lavará)
jugar a la mucama
y ponerse un delantal
(para bajar a la verdulería y ser la reyna de las empleadas)
mirar a Cathy Fullop y
ejercitar 100% sus glúteos
(pero con el delantal puesto)
abrir el placar del señor y
probarse sus trajes
(con camisa, corbata, zapatos y bigotes incluídos)
llamar al amante a Ecuador y
tener sexo telefónico por más de una hora
(haciendo poses: 69, perrito, misionero, patitalhombro etc.)
abrir el archivo de la computadora que se llama "carta a mamá" y
anotar los datos importantes
(por si alguna vez los necesita para chantajear a su marido, si él quisiera divorciarse)
y es así
en esos momentos en donde
la ama de casa
sí ama
la casa
que ama pero que
en realidad
no ama
sobre todo:
cuando llega la gente
y es el momento de:
refregar la ropa y
en especial los slips
(que hasta ella, que perdi[o el asco por el gordo calvo, es decir por todo, le da asco)
preparar la cena y
cuidar todas las normas de higiene según lo disponde un papel en la cocina
(aunque lo haga después de los calzones)
sacarle los piojos a Marianita y
usar para eso el vinagre blanco de la ensalada
(así ella es su única amiguita cuando la dejen de lado en el colegio)
fingir amor por el perro y
obligarlo a dormir en la cuna del hijo
(pero acusarlo de no hacerle caso para que se baje)
llevar dos vasos de agua al cuarto a la noche y
aguzar los ojos para mirar a su marido, el señor, intimidantemente
(por si andaba pensando en divorciarse)
y es así
en esos momentos
donde la ama de casa
decide
aunque él no haya
pensado en divorciarse, que
ella
va a tomar:
la sartén por el mango
la taza por la asa
la olla por la manija
y
de todos modos:
chantajearlo. por estar
años y años y años
sometidamente sometida
y después:
viajará por el Panamá/
comerá guayabas con dulde de leche/
usará medias cancan todos los días/
bailará el baile del salón/
atarpa una cintita contra el mal de ojo en cada puerta que cruce/
saludará a la gente con dos besos/
limpiará sus dientes con cepillo eléctrico/
y
con la plata que le sobre
se volverá
su propia ama
de ninguna casa
en ningún lugar,"
Natalia Rozenblum
no ama
la casa
que ama. a pesar
suyo
la limpia/la ordena
la habitahabilita
sobre todo:
cuando está sola
y es el momento de:
hacer pis parada como su marido, el señor y
manchar la tabla
(que después lavará)
jugar a la mucama
y ponerse un delantal
(para bajar a la verdulería y ser la reyna de las empleadas)
mirar a Cathy Fullop y
ejercitar 100% sus glúteos
(pero con el delantal puesto)
abrir el placar del señor y
probarse sus trajes
(con camisa, corbata, zapatos y bigotes incluídos)
llamar al amante a Ecuador y
tener sexo telefónico por más de una hora
(haciendo poses: 69, perrito, misionero, patitalhombro etc.)
abrir el archivo de la computadora que se llama "carta a mamá" y
anotar los datos importantes
(por si alguna vez los necesita para chantajear a su marido, si él quisiera divorciarse)
y es así
en esos momentos en donde
la ama de casa
sí ama
la casa
que ama pero que
en realidad
no ama
sobre todo:
cuando llega la gente
y es el momento de:
refregar la ropa y
en especial los slips
(que hasta ella, que perdi[o el asco por el gordo calvo, es decir por todo, le da asco)
preparar la cena y
cuidar todas las normas de higiene según lo disponde un papel en la cocina
(aunque lo haga después de los calzones)
sacarle los piojos a Marianita y
usar para eso el vinagre blanco de la ensalada
(así ella es su única amiguita cuando la dejen de lado en el colegio)
fingir amor por el perro y
obligarlo a dormir en la cuna del hijo
(pero acusarlo de no hacerle caso para que se baje)
llevar dos vasos de agua al cuarto a la noche y
aguzar los ojos para mirar a su marido, el señor, intimidantemente
(por si andaba pensando en divorciarse)
y es así
en esos momentos
donde la ama de casa
decide
aunque él no haya
pensado en divorciarse, que
ella
va a tomar:
la sartén por el mango
la taza por la asa
la olla por la manija
y
de todos modos:
chantajearlo. por estar
años y años y años
sometidamente sometida
y después:
viajará por el Panamá/
comerá guayabas con dulde de leche/
usará medias cancan todos los días/
bailará el baile del salón/
atarpa una cintita contra el mal de ojo en cada puerta que cruce/
saludará a la gente con dos besos/
limpiará sus dientes con cepillo eléctrico/
y
con la plata que le sobre
se volverá
su propia ama
de ninguna casa
en ningún lugar,"
Natalia Rozenblum
30.5.16
tomar as rédeas
"Aquilo que não pode ser concebido por meio de outra coisa deve ser concebido por si mesmo".
Spinoza
Spinoza
29.5.16
sale el blues
"sale el blues del concepto musical occidental
en el sentido de que escapa, no proviene
si uno quiere soltarse las cadenas - lo que dudo
no hay cadenas, dudo que alguien quiera liberarse
de lo que no hay, tampoco de lo que hay, que desconoce
dudo más: dudo del deseo de liberación de la especie
humano acurrucado en el rincón del canto: he ahí la imagen
sosegado en el muelle del confort, un bienestar
miedo, nuevo lugar al sol
una acuarela de barca, tinta, agua chirle
-la omnipresencia se vuelve imperceptible
la omnipresencia del troll
era la idea de un dios de una especie impalpable
no se ve: lo toma todo, no se toca: manos quietas -
un perro de algodón
negros del blues, morenos del candombe
uno escribe de la misma forma de quien deja
deshilachando mucho, a la pregunta
la respuesta: hilachas
viene un día la desmesura de no ser
el ser, último bastón
si caes sigues sola sin mí hasta que encuentres otro antes
del momento de la desmesura de no ser y así."
Eduardo Milán
en el sentido de que escapa, no proviene
si uno quiere soltarse las cadenas - lo que dudo
no hay cadenas, dudo que alguien quiera liberarse
de lo que no hay, tampoco de lo que hay, que desconoce
dudo más: dudo del deseo de liberación de la especie
humano acurrucado en el rincón del canto: he ahí la imagen
sosegado en el muelle del confort, un bienestar
miedo, nuevo lugar al sol
una acuarela de barca, tinta, agua chirle
-la omnipresencia se vuelve imperceptible
la omnipresencia del troll
era la idea de un dios de una especie impalpable
no se ve: lo toma todo, no se toca: manos quietas -
un perro de algodón
negros del blues, morenos del candombe
uno escribe de la misma forma de quien deja
deshilachando mucho, a la pregunta
la respuesta: hilachas
viene un día la desmesura de no ser
el ser, último bastón
si caes sigues sola sin mí hasta que encuentres otro antes
del momento de la desmesura de no ser y así."
Eduardo Milán
28.5.16
Ignora o horizonte
"Ignora o horizonte.
Troca quentes trópicos por um doce de padaria.
Ontem pegou Ofélia pela mão no caminho para o lago e
soprou-lhe os olhos
Os sapos faziam ruído de máquina
Da consani que levava dedos
O fundo eram offsets
Roto? Flexo?
Por pouco não perdeu...
Separou corpo e mente,
a perfeição no leque repetido por vinte e cinco anos,
enxergava por um átimo o futuro.
Acordou
Anos separando verde e vermelho,
reciclando o lixo:
joio e trigo de plástico e chumbo,
gatos selvagens correndo na grama contaminada.
Toca árvores todos os dias,
olha suas folhas
desaprendeu as medidas da sua polar mor.
Cinco colheres de café e um copo de açúcar?
O esterno parou de doer no terceiro ano,
o solvente não queima mais por dentro,
mas lhe deixaram parafusos.
Abre a janela com o pé assustando as maritacas,
Que não comem cevadinha.
O cachorro late estressado no cubículo azulejado.
Cinco aqui aqui.
Cinco anos lá.
Abraços apertados,
o mar de Itapuã na boca de ferro,
o choro no ombro azul royal,
a canjica no café dos dias frios.
quero-quero."
Cristiane Gomes
Troca quentes trópicos por um doce de padaria.
Ontem pegou Ofélia pela mão no caminho para o lago e
soprou-lhe os olhos
Os sapos faziam ruído de máquina
Da consani que levava dedos
O fundo eram offsets
Roto? Flexo?
Por pouco não perdeu...
Separou corpo e mente,
a perfeição no leque repetido por vinte e cinco anos,
enxergava por um átimo o futuro.
Acordou
Anos separando verde e vermelho,
reciclando o lixo:
joio e trigo de plástico e chumbo,
gatos selvagens correndo na grama contaminada.
Toca árvores todos os dias,
olha suas folhas
desaprendeu as medidas da sua polar mor.
Cinco colheres de café e um copo de açúcar?
O esterno parou de doer no terceiro ano,
o solvente não queima mais por dentro,
mas lhe deixaram parafusos.
Abre a janela com o pé assustando as maritacas,
Que não comem cevadinha.
O cachorro late estressado no cubículo azulejado.
Cinco aqui aqui.
Cinco anos lá.
Abraços apertados,
o mar de Itapuã na boca de ferro,
o choro no ombro azul royal,
a canjica no café dos dias frios.
quero-quero."
Cristiane Gomes
27.5.16
desconcertos
talvez soubesse que havia perdido a minha vez, a minha senha, hipnotizada pelo monitor. falava alguma coisa sobre tentativa de homicídio, uma apresentadora de tv falando de outra apresentadora de tv. tv só fala de si mesmo e tudo cabe dentro dela. um hotel de luxo, um homem morreu, e eu esperando as cópias autenticadas, minha senha com três dígitos no monitor. pensei naquela vez que te levei até o aeroporto e seus olhos brilhavam diante de um café. não foi o último que tomamos juntos, mas foi o mais dolorido. e o mais bonito também. pensei naquela vez que você me buscou no aeroporto com meu pai e eu fiquei com cara de merda, agora vou ter que ficar com você, e eu mal sabia o que é mesmo que eu queria, tinha beijado outro cara na noite passada. pensei também em outra despedida, todo mundo saiu do quarto e a gente ficou lá sozinho querendo se beijar, mas com vergonha, e daí não deu outra: a gente se levantou e foi embora. com raiva deles, com raiva da gente. uma semana depois, a gente ficou e estragou o imprevisível. pensei também naqueles dez segundos antes de eu passar por outra porta de aeroporto, você me levou até lá com o carro da outra, e eu toda contente com o amor eterno até carimbar o passaporte e me sentir aliviada que estava voltando pra casa. pensei também no cachorro quente do posto de gasolina que você comeu e vomitou quando eu terminei o namoro que, na verdade, já tinha terminado na porta do cemitério. espera, que tem mais. pensei também no dia que você me deixou na porta da casa do meu pai e disse que ia me ligar no dia seguinte, mas eu sabia que não ia. você vai se casar com outra, e tá tudo bem, eu não quero me casar com você. só sentimos falta um do outro. o moço do meu lado me avisou que era meu número que estavam chamando. as cópias já estavam prontas. ainda deu tempo de pensar em mim mesma de olhos fechados e cabeça no vidro do ônibus, indo embora da sua casa para o terminal de trem, pela última vez. tem tantas mortes na tv e também numa vida só.
Ellen Maria
26.5.16
cão
"é muito admirado pelo homem
porque acredita
na mão que o
alimenta. um
arranjo
perfeito. por
13 centavos ao
dia você tem
um assassino de aluguel que pensa
que você é
Deus. um
cão não sabe distinguir um nazista de um
republicano de um comuna de
um democrata. e, muitas vezes,
nem eu."
Charles Bukowski
porque acredita
na mão que o
alimenta. um
arranjo
perfeito. por
13 centavos ao
dia você tem
um assassino de aluguel que pensa
que você é
Deus. um
cão não sabe distinguir um nazista de um
republicano de um comuna de
um democrata. e, muitas vezes,
nem eu."
Charles Bukowski
25.5.16
Consolo na praia
"Vamos, não chores...
A infância está perdida.
A mocidade está perdida.
Mas a vida não se perdeu.
O primeiro amor passou.
O segundo amor passou.
O terceiro amor passou.
Mas o coração continua.
Perdeste o melhor amigo.
Não tentaste qualquer viagem.
Não possuis casa, navio, terra.
Mas tens um cão.
Algumas palavras duras,
em voz mansa, te golpearam.
Nunca, nunca cicatrizam.
Mas, e o humour?
A injustiça não se resolve.
À sombra do mundo errado
murmuraste um protesto tímido.
Mas virão outros.
Tudo somado, devias
precipitar-se - de vez - nas águas.
Estás nu na areia, no vento...
Dorme, meu filho."
Carlos Drummond de Andrade.
em A rosa do povo.
A infância está perdida.
A mocidade está perdida.
Mas a vida não se perdeu.
O primeiro amor passou.
O segundo amor passou.
O terceiro amor passou.
Mas o coração continua.
Perdeste o melhor amigo.
Não tentaste qualquer viagem.
Não possuis casa, navio, terra.
Mas tens um cão.
Algumas palavras duras,
em voz mansa, te golpearam.
Nunca, nunca cicatrizam.
Mas, e o humour?
A injustiça não se resolve.
À sombra do mundo errado
murmuraste um protesto tímido.
Mas virão outros.
Tudo somado, devias
precipitar-se - de vez - nas águas.
Estás nu na areia, no vento...
Dorme, meu filho."
Carlos Drummond de Andrade.
em A rosa do povo.
24.5.16
Feche os olhos e acorde
não se estuda um sorriso
aberto o choro não se interpreta um olhar
depois de virado não se analisa um sonho
realizado o desfecho não se compara
uma vida com a fantasia de um livro
oh, alguém vai se iludir. o universo tá aí.
Ellen Maria
aberto o choro não se interpreta um olhar
depois de virado não se analisa um sonho
realizado o desfecho não se compara
uma vida com a fantasia de um livro
oh, alguém vai se iludir. o universo tá aí.
Ellen Maria
23.5.16
Lenguas y afectos
"Escribo en inglés y me doy cuenta que extraño la lengua. No extraño el lugar, la ciudad, ni el país donde la hablaba, sino el entorno que esos sonidos y esa gramática construían. Sus giros idiomáticos, el modo de argumentar, las formas de exponer y debatir. El portugués, en cambio, de alguna manera, está siempre conmigo, y por lo tanto, no llego a extrañarlo del mismo modo. Entre lenguas, la vida recibe ondas afectivas y sonoras que arman una red enmarañada de intensidades."
Florencia Garramuño
22.5.16
ellos
"Sentimientos encontrados
No es encontrar los sentimientos
Sino que los sentimientos
Se encuentren lado a lado
Mudos pero sintonizados."
Rodolfo Mata
No es encontrar los sentimientos
Sino que los sentimientos
Se encuentren lado a lado
Mudos pero sintonizados."
Rodolfo Mata
21.5.16
habitar o instante
Uma vírgula caída
no meio dos trilhos
e o que era ponto final
de uma sentença e começo
de outra, vida
se torna vocativo.
Ellen Maria
no meio dos trilhos
e o que era ponto final
de uma sentença e começo
de outra, vida
se torna vocativo.
Ellen Maria
20.5.16
Dêitico
Em agosto faço três anos de mestrado
uma tese não cabe em três anos
mas quanta vida acaba
uma tese não acaba em três anos
mas quanta vida cabe
na contagem regressiva
do já
e do ainda.
Ellen Maria
uma tese não cabe em três anos
mas quanta vida acaba
uma tese não acaba em três anos
mas quanta vida cabe
na contagem regressiva
do já
e do ainda.
Ellen Maria
19.5.16
Farelos
Um pássaro come farelos no pátio
sem a menor ideia de futuro
se seguir em frente
ou voltar
mas para onde?
Os farelos no pátio também não sabem.
Ellen Maria
18.5.16
Autotomia
"Diante do perigo, a holotúria se divide em duas:
deixando uma sua metade ser devorada pelo mundo,
salvando-se com a outra metade.
Ela se bifurca subitamente em naufrágio e salvação,
em resgate e promessa, no que foi e no que será.
No centro do seu corpo irrompe um precipício
de duas bordas que se tornam estranhas uma à outra.
Sobre uma das bordas, a morte, sobre outra, a vida.
Aqui o desespero, ali a coragem.
Se há balança, nenhum prato pesa mais que o outro.
Se há justiça, ei-la aqui.
Morrer apenas o estritamente necessário, sem ultrapassar a medida.
Renascer o tanto preciso a partir do resto que se preservou.
Nós também sabemos nos dividir, é verdade.
Mas apenas em corpo e sussurros partidos.
Em corpo e poesia.
Aqui a garganta, do outro lado, o riso,
leve, logo abafado.
Aqui o coração pesado, ali o Não Morrer Demais,
três pequenas palavras que são as três plumas de um vôo.
O abismo não nos divide.
O abismo nos cerca."
Wislawa Symborska
Tradução coletiva (publicada na Inimigo Rumor, 10)
deixando uma sua metade ser devorada pelo mundo,
salvando-se com a outra metade.
Ela se bifurca subitamente em naufrágio e salvação,
em resgate e promessa, no que foi e no que será.
No centro do seu corpo irrompe um precipício
de duas bordas que se tornam estranhas uma à outra.
Sobre uma das bordas, a morte, sobre outra, a vida.
Aqui o desespero, ali a coragem.
Se há balança, nenhum prato pesa mais que o outro.
Se há justiça, ei-la aqui.
Morrer apenas o estritamente necessário, sem ultrapassar a medida.
Renascer o tanto preciso a partir do resto que se preservou.
Nós também sabemos nos dividir, é verdade.
Mas apenas em corpo e sussurros partidos.
Em corpo e poesia.
Aqui a garganta, do outro lado, o riso,
leve, logo abafado.
Aqui o coração pesado, ali o Não Morrer Demais,
três pequenas palavras que são as três plumas de um vôo.
O abismo não nos divide.
O abismo nos cerca."
Wislawa Symborska
Tradução coletiva (publicada na Inimigo Rumor, 10)
17.5.16
mobal da históbia
"alguns alegam
rom e buim
não se pode
enrabalhar.
mas que rubbice!"
Ernst Jandl
Tradução: Ricardo Domeneck
rom e buim
não se pode
enrabalhar.
mas que rubbice!"
Ernst Jandl
Tradução: Ricardo Domeneck
16.5.16
No te basta?
"Mis amigas me habían advertido:
ya te vas a ver rodeada de hombres jóvenes
como los pájaros que sobrevuelan a San Francisco.
Ahora, las nuevas generaciones me buscan
ese momento en que no sos joven ni vieja
y ellos son curiosos, quieren saber.
Me aplaudís cuando termino de leer
decís que te gusto, que escribo bien
me presentás a tu novia, estudia Letras.
Cuando ella se va me decís un piropo.
No sé si cambiaron los códigos
o te tomaste una licencia poética.
Nene, no te basta con tu novia?
Te agradezco, pero se trata de
habitar el instante, el presente
la vida son tres dias, y ya pasaron dos."
Griselda García
(en Valderrama 15)
ya te vas a ver rodeada de hombres jóvenes
como los pájaros que sobrevuelan a San Francisco.
Ahora, las nuevas generaciones me buscan
ese momento en que no sos joven ni vieja
y ellos son curiosos, quieren saber.
Me aplaudís cuando termino de leer
decís que te gusto, que escribo bien
me presentás a tu novia, estudia Letras.
Cuando ella se va me decís un piropo.
No sé si cambiaron los códigos
o te tomaste una licencia poética.
Nene, no te basta con tu novia?
Te agradezco, pero se trata de
habitar el instante, el presente
la vida son tres dias, y ya pasaron dos."
Griselda García
(en Valderrama 15)
15.5.16
Una elegía
"En la época de mi madre
las mujeres eran probables.
Mi madre se sentaba junto a mi abuela
y las dos eran completamente de carne y hueso.
Yo soy apenas una secuela estable
de aquel exceso de realidad.
Y en la ansiedad del pasado indefinido,
en el aspecto durativo de elegir,
escribo ahora: una elegía.
(...)"
Mirta Rosenberg
las mujeres eran probables.
Mi madre se sentaba junto a mi abuela
y las dos eran completamente de carne y hueso.
Yo soy apenas una secuela estable
de aquel exceso de realidad.
Y en la ansiedad del pasado indefinido,
en el aspecto durativo de elegir,
escribo ahora: una elegía.
(...)"
Mirta Rosenberg
14.5.16
O invisível e o inesperado
"Traduza-me, não me traduza. Por um lado, não me traduza, isto é, respeite-me como nome próprio, respeite minha lei do nome próprio que está acima de todas as línguas. Por outro lado, traduza-me, ou seja, compreenda-me, preserve-me na língua universal."
Jacques Derrida.
13.5.16
A origem
e foi assim
que todas as letras se embaralharam
e formaram seu nome
que se escondeu por nove meses
entre as espumas do nosso colchão
antes de se revelar
mas isso foi só depois
que a poesia de nossos pés
ainda mais embaralhados
caíram de sono
(e por sorte dos corpos que habitamos
já estávamos deitados).
Ellen Maria
que todas as letras se embaralharam
e formaram seu nome
que se escondeu por nove meses
entre as espumas do nosso colchão
antes de se revelar
mas isso foi só depois
que a poesia de nossos pés
ainda mais embaralhados
caíram de sono
(e por sorte dos corpos que habitamos
já estávamos deitados).
Ellen Maria
12.5.16
Noção de Pátria
"Que faz minha memória de outras gentes
aos poucos na distância e aos sustos intocável?
Que faz com que marchemos inodoros,
eu e vós - gentes - e nós, ventos salubres
que asseveramos a lei da contumácia
na falência do sopro, e o júbilo
do sopro na denúncia da morte,
nós- os meninos do beijo à verde voz?
- Apenas o amor e, em sua ausência, o amor,
o exílio do exílio à margem da margem."
Décio Pignatari
aos poucos na distância e aos sustos intocável?
Que faz com que marchemos inodoros,
eu e vós - gentes - e nós, ventos salubres
que asseveramos a lei da contumácia
na falência do sopro, e o júbilo
do sopro na denúncia da morte,
nós- os meninos do beijo à verde voz?
- Apenas o amor e, em sua ausência, o amor,
o exílio do exílio à margem da margem."
Décio Pignatari
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