queimou
outra vez
meu feijão outra vez queimou
promessa: não deixar mais queimar feijão
não deixar a vida me virar para o outro lado
oferecer a outra face e ficar nessas de esquecer o feijão no fogo
queimou meu deus queimou outra vez
panela preta
feijão torrado
abre as janelas pro vento levar o queimado para o outro lado
que frustração
jogar fora quase meio quilo de feijão
tanto tempo no fogo
tanto gás gasto
tanto
jogado fora
agora é hora de pensar em outra refeição
que demore menos pra cozinhar
que já deu fome
que já deu ânsia
já encheu de água na boca
comer feijão e arroz num prato com farofa
bife ovo salada e batata frita
almoço com tudo que tenho direito
já não tem tempo
já não dá o tempo
mas fica a promessa
não deixar mais queimar feijão
não deixar de comer feijão
não deixar de valorizar o feijão
não deixar de amar o feijão
já não estou falando de feijão.
quer saber? por que a pressa?
Morreu quem morreu,
feijão outra vez no fogo
minhas mãos cheiram a fome
de refeição completa.
Ellen Maria
Mostrando postagens com marcador chacharitas. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador chacharitas. Mostrar todas as postagens
13.5.15
12.5.15
The shammer
up shit
(in Chi le)
sh udd er ing
sh am bl ing
and shivering
sh e
s o u g h t
and shortly s h
(o) t
t he
she( ) riff
e . e .
c u m
m
i n g
[shattering him] s
with
s
u
r
e
and
shameless
Ellen Maria
(in Chi le)
sh udd er ing
sh am bl ing
and shivering
sh e
s o u g h t
and shortly s h
(o) t
t he
she( ) riff
e . e .
c u m
m
i n g
[shattering him] s
with
s
u
r
e
and
shameless
Ellen Maria
30.3.15
Além do dicionário
Segundo recentes pesquisas
de universidades e institutos de notabilidade
já há provas que as palavras também pensam
podem se comunicar
se multiplicar
sentir dor, emoção
possuem memória
sistema nervoso e digestivo
são inteligentes e rancorosas
inclusive choram.
Um grupo conceituado de astrólogos franceses também as analisa
e considera que há um grande número de palavras
com a lua e vênus em câncer,
o que provoca este tipo de comportamento.
Sua lágrima está sendo estudada
em duas faculdades tecnológicas nos Estados Unidos
em duas faculdades tecnológicas nos Estados Unidos
e presumem que a palavra tem o poder de curar
uma somatória ainda não limitada
de doenças contagiosas.
"Estamos surpresos e entusiasmados com o resultado".
uma somatória ainda não limitada
de doenças contagiosas.
"Estamos surpresos e entusiasmados com o resultado".
A reprodução delas ainda não foi completamente desvendada
mas em uma fundação não governamental russa
especialistas acreditam que esta atividade ocorre
por muitas vias e posições diferentes.
"Há uma predileção pela via oral,
mas já encontramos ao menos outras quinze formas.
Todas elas têm potencial para sentir prazer e reproduzir".
"Há uma predileção pela via oral,
mas já encontramos ao menos outras quinze formas.
Todas elas têm potencial para sentir prazer e reproduzir".
Segundo analistas japoneses,
as palavras possuem uma amostra de subespécies e gêneros
as palavras possuem uma amostra de subespécies e gêneros
infinitamente maior que a espécie humana
e chegaram a essa declaração somente avaliando as vivas.
e chegaram a essa declaração somente avaliando as vivas.
Por causa disso, agentes alemães de diversas áreas constataram
que, assim como os homens,
que, assim como os homens,
as palavras também apresentam características violentas e preconceituosas
em relação a seus pares.
"As palavras possuem consciência de suas diferenças
e, por essa razão, algumas escravizam ou sacralizam as outras.
Nestas últimas semanas, observamos um crescimento de bulling
das palavras mais conservadoras em relação as irônicas,
satíricas e também as libidinosas.
Estão passando por uma etapa desalumiada".
revela um erudito angolano convidado a formar parte da equipe.
"As palavras possuem consciência de suas diferenças
e, por essa razão, algumas escravizam ou sacralizam as outras.
Nestas últimas semanas, observamos um crescimento de bulling
das palavras mais conservadoras em relação as irônicas,
satíricas e também as libidinosas.
Estão passando por uma etapa desalumiada".
revela um erudito angolano convidado a formar parte da equipe.
Um biólogo grego considerou que as novas descobertas irão revolucionar
o mercado farmacêutico, alimentício e inclusive cultural.
Já há comunidades no leste europeu e na Índia
nas quais as palavras são consideradas os novos deuses do século XXI.
"As mais raras estão sendo guardadas em redomas e altares
e em alguns cantos do mundo são mantidas em cativeiro
para garantir o futuro da espécie".
Seu encontro com o papel (celulose) produz uma enzima
que acalma a palavra,
que acalma a palavra,
conjecturam cientistas poloneses
depois de uma infinidade de testes.
"É uma reação química que a permite resistir e sobreviver a diversas condições:
de stress, movimento, combustão, e até mesmo ambientes aquáticos.
No papel, ela se liberta".
explicou o professor chefe,
No papel, ela se liberta".
explicou o professor chefe,
um sul-africano que dedicou à vida ao estudo das palavras.
E continua:
"Sua resposta à tecnologia foi um pouco agressiva
mas quando envolvíamos outras subespécies no processo
apesar de certa objeção, elas se tranquilizavam".
Já há casos de pessoas que deixaram de consumi-la
após os primeiros resultados das pesquisas.
A chamada Dieta da Letra é rejuvenescedora
quando se trata de poucos dias ao mês.
No entanto, aderindo à dieta ovo-lacto-verbum-vegetariano
por tempo indeterminado
a consequência foi um alto índice de depressão
e transtornos obsessivos compulsivos.
Houve um caso de morte
e outro caso de internação psiquiátrica:
uma mulher de trinta anos, na Argentina, desconfia que é uma pedra.
Ellen Maria
Ellen Maria
21.3.15
Não existe amor em SP
Lambi seus dedos
feito paleta mexicana
na rua Augusta as duas
da tarde.
Devorei seus beijos
entre um mar de gente
sedenta
na Praça da República.
Mordi suas costas
enquanto cantávamos
ao som independente
num centro cultural.
Traguei seu hálito
como um sanduíche de pernil
no final de um clássico
no Pacaembu.
Bebi seu suor
no meio de um passeio ciclista
numa manhã de sábado
no Ibirapuera.
Mastiguei seus olhos
enquanto esperávamos na fila
do teatro
no Sesc Pompéia.
Comi suas pernas
com pipoca
assistindo um filme antigo
da Mostra.
Engoli seu leite
enquanto ardia
verde
na Praça Pôr do Sol.
Provei seu ventre
enquanto o trem partia
na estação da Luz.
Guardei seus restos
em um tupperware azul
no fundo do meu
freezer.
Doei a geladeira
com tudo dentro
pelo facebook.
Ellen Maria
feito paleta mexicana
na rua Augusta as duas
da tarde.
Devorei seus beijos
entre um mar de gente
sedenta
na Praça da República.
Mordi suas costas
enquanto cantávamos
ao som independente
num centro cultural.
Traguei seu hálito
como um sanduíche de pernil
no final de um clássico
no Pacaembu.
Bebi seu suor
no meio de um passeio ciclista
numa manhã de sábado
no Ibirapuera.
Mastiguei seus olhos
enquanto esperávamos na fila
do teatro
no Sesc Pompéia.
Comi suas pernas
com pipoca
assistindo um filme antigo
da Mostra.
Engoli seu leite
enquanto ardia
verde
na Praça Pôr do Sol.
Provei seu ventre
enquanto o trem partia
na estação da Luz.
Guardei seus restos
em um tupperware azul
no fundo do meu
freezer.
Doei a geladeira
com tudo dentro
pelo facebook.
Ellen Maria
11.3.15
Ciências e Letras
Vejo um poema distante
que desmorona
na mesma proporção
em que me aproximo
quando chego a um palmo dele
o poema não passa de um rastro
de um triz
de fiapo
agarrado
numa célula
de ameba
num microscópio
de um cientista renomado
ganhador do prêmio Nobel
do ano passado.
Ellen Maria
que desmorona
na mesma proporção
em que me aproximo
quando chego a um palmo dele
o poema não passa de um rastro
de um triz
de fiapo
agarrado
numa célula
de ameba
num microscópio
de um cientista renomado
ganhador do prêmio Nobel
do ano passado.
Ellen Maria
16.2.15
La mujer sin cualidades
No es tan dificil, me dices, abre los brazos y declama
la verguenza es una jaula de caballos
una llanta pinchada de bicicleta a las once de la noche
el corazón acelera y las manos se ponen incontrolables
no encuentro la llave
mientra mi boca come sin que yo quiera la parte blanca de la uña que ya no tengo
todos me notan aunque estoy segura de que nadie aún me mira
estoy sentada sudando y tomando mi cerveza fría
un drama un drama todo un drama escucho tu pensamiento
mientras pienso que quiero salir quiero irme de aqui
arreglar la llanta abrir la jaula irme de aqui
con mi caballo y mi bicicleta roja
sin embargo vale verga tengo que dejar de ser esa
cereza incorruptible no soy de esas
empiezo la lectura de mi poema me paro tiemblo la voz tiembla
sin embargo no paro el poema sobre cómo no me siento bien
adelante de la gente intelectual contemporánea que despliega discute y parece saber todo
sobre lo no dicho me vale verga la poesía china la japonesa no la entiendo
me gusta el fútbol grito al final de lo que deben pensar es un performance
y siento que cumplí mi papel de estudiante extranjera en México
Miren la brasileña. Y me falta leer tanto.
Ellen Maria
la verguenza es una jaula de caballos
una llanta pinchada de bicicleta a las once de la noche
el corazón acelera y las manos se ponen incontrolables
no encuentro la llave
mientra mi boca come sin que yo quiera la parte blanca de la uña que ya no tengo
todos me notan aunque estoy segura de que nadie aún me mira
estoy sentada sudando y tomando mi cerveza fría
un drama un drama todo un drama escucho tu pensamiento
mientras pienso que quiero salir quiero irme de aqui
arreglar la llanta abrir la jaula irme de aqui
con mi caballo y mi bicicleta roja
sin embargo vale verga tengo que dejar de ser esa
cereza incorruptible no soy de esas
empiezo la lectura de mi poema me paro tiemblo la voz tiembla
sin embargo no paro el poema sobre cómo no me siento bien
adelante de la gente intelectual contemporánea que despliega discute y parece saber todo
sobre lo no dicho me vale verga la poesía china la japonesa no la entiendo
me gusta el fútbol grito al final de lo que deben pensar es un performance
y siento que cumplí mi papel de estudiante extranjera en México
Miren la brasileña. Y me falta leer tanto.
Ellen Maria
10.2.15
O efêmero
Na sala de visitas
do dentista
espera um senhor
de terno de alfaiataria
ser atendido
as revistas Caras na mesa de centro
mostram dentes brancos
e perfeitamente alinhados
na cadeira a esquerda
não há nada
na cadeira direita
uma adolescente toca o céu da boca com a língua
enquanto diz ao seu pai
por uma mensagem de texto
que será a próxima
do outro lado da sala
a recepcionista bilíngue
come a unha do indicador
e busca promoções de passagens aéreas
a Cancún
no banheiro mais próximo
uma mulher grávida escova os dentes
com o dedo
na porta ao lado
o dentista se prepara
álcool gel, lenço umedecido
pinças esterilizadas
lava as mãos com desinfetante
pensa na bunda de sua mulher
Em dez segundos será outra coisa.
Ellen Maria
do dentista
espera um senhor
de terno de alfaiataria
ser atendido
as revistas Caras na mesa de centro
mostram dentes brancos
e perfeitamente alinhados
na cadeira a esquerda
não há nada
na cadeira direita
uma adolescente toca o céu da boca com a língua
enquanto diz ao seu pai
por uma mensagem de texto
que será a próxima
do outro lado da sala
a recepcionista bilíngue
come a unha do indicador
e busca promoções de passagens aéreas
a Cancún
no banheiro mais próximo
uma mulher grávida escova os dentes
com o dedo
na porta ao lado
o dentista se prepara
álcool gel, lenço umedecido
pinças esterilizadas
lava as mãos com desinfetante
pensa na bunda de sua mulher
Em dez segundos será outra coisa.
Ellen Maria
23.1.15
Autorretrato
Pinta aquele que se vê
íntimo
em simultâneo estrangeiro
ínfimo onisciente,
com direito a olhar a si
distinto
e ao mesmo tempo inteiro
Voyeur com um espelho
que fita o vivo e opaco
personagem
que descreve uma fotografia
de um pedestal vazio
mas com flores
Um corpo frio que se expande
e que nunca houve
um outro igual
finaliza a gravura que aquece o homem
e honra o nome
orgulhosamente.
Ellen Maria
íntimo
em simultâneo estrangeiro
ínfimo onisciente,
com direito a olhar a si
distinto
e ao mesmo tempo inteiro
Voyeur com um espelho
que fita o vivo e opaco
personagem
que descreve uma fotografia
de um pedestal vazio
mas com flores
Um corpo frio que se expande
e que nunca houve
um outro igual
finaliza a gravura que aquece o homem
e honra o nome
orgulhosamente.
Ellen Maria
18.12.14
13.12.14
Teoría del cansancio
Me senté en el medio del camino
me gritaron piedra
me tocaron piedra
me miraron piedra
me quisieron piedra
no lloré, no moví, no canté, no sentí
me cubrieron de musgos
hormigas e flores
me hicieron un poema
me tradujeron
proyectaron llevarme a un museo
cuando al final descansé
yo con mis retinas libres
me levanté y partí.
Ellen Maria
me gritaron piedra
me tocaron piedra
me miraron piedra
me quisieron piedra
no lloré, no moví, no canté, no sentí
me cubrieron de musgos
hormigas e flores
me hicieron un poema
me tradujeron
proyectaron llevarme a un museo
cuando al final descansé
yo con mis retinas libres
me levanté y partí.
Ellen Maria
Educação
Sem culpa de haver sido
cavalo
quando podia ser somente
homem
no direito de permanecer calado
tal o animal
prefere ainda deste as patadas
e daquele a capacidade de humilhar o próximo
com seu garbo
não havia salvação, pensavam uns
mas melhor que sacrificar
é derrubá-lo de si mesmo
marcha lenta
marcha lenta
sem reproduções do coice
até o dia em que as ferraduras
se tornem peso de papel.
Ellen Maria
cavalo
quando podia ser somente
homem
no direito de permanecer calado
tal o animal
prefere ainda deste as patadas
e daquele a capacidade de humilhar o próximo
com seu garbo
não havia salvação, pensavam uns
mas melhor que sacrificar
é derrubá-lo de si mesmo
marcha lenta
marcha lenta
sem reproduções do coice
até o dia em que as ferraduras
se tornem peso de papel.
Ellen Maria
4.12.14
Retratos
Eu não me lembro dos meus avós paternos
Eu tinha quatro e cinco quando Emilia e Osny faleceram
Não tirei foto com eles
e depois nunca consegui falar deles
Mas sempre que viajo sozinha
e encontro uma borboleta branca ou preta
sorrio e digo Oi vó ou Oi vô
Na minha cabeça,
eles têm a cara da Virginia Woolf
e do Carlos Drummond de Andrade.
Ellen Maria
Eu tinha quatro e cinco quando Emilia e Osny faleceram
Não tirei foto com eles
e depois nunca consegui falar deles
Mas sempre que viajo sozinha
e encontro uma borboleta branca ou preta
sorrio e digo Oi vó ou Oi vô
Na minha cabeça,
eles têm a cara da Virginia Woolf
e do Carlos Drummond de Andrade.
Ellen Maria
2.12.14
13.11.14
Em punho
Sempre saio
com um apito no bolsoum canivete na bolsa
dinheiro no tênis
rg na calcinha
são tantas as mensagens pra mim mesma
e o medo de olharem pra mim
o medo de me notaram sempre
que passo por alguém
que me assusta
faço cara de dor
e falo sozinha
passos rápidos
procurando um ansiolítico
na mochila das formigas
a velha calça cargo
com seis bolsos
pra levar o aluguel
a imobiliária não entende
quando saco duzentos reais de cada tênis
cem de cada bolso
ninguém entende
são as doze quadras mais longas da cidade
caminho com meu punho
fechado
fazendo força
Todo sigilo é pouco
eu sei
todo homem é louco
eu também sou
homem digo
e fico pensando em cada coisa
só o homem sentado na calçada
me dá
o olhar que dou
para aqueles que não me passam medo
não quero ficar louca
não quero ficar louca
não quero ficar na rua
lá vai outra louca na rua
repito
tantas vezes até voltar pra casa
com os pés quentes
e as notas
e o rg molhado
estará o perigo acontecendo agora?
estará o perigo
acontecendo onde?
pergunto enquanto
em punho
ainda ando.
Ellen Maria
10.11.14
Conductos
Suena zamba para no morir
parto el espejo
en un solo golpe
derrumbo la verdad
mi imagen en pedazos
mientras vierto sangre
por mis piernas
el destino da la humanidad:
alguien alguna vez me dijo
'hay que querer lo que nos pasa'
y creo en los caños
en el agua
que tiñe las aguas
en las radiaciones
que modifican sin alterar
El rojo vivo
no me deja renacer.
Ellen Maria
parto el espejo
en un solo golpe
derrumbo la verdad
mi imagen en pedazos
mientras vierto sangre
por mis piernas
el destino da la humanidad:
alguien alguna vez me dijo
'hay que querer lo que nos pasa'
y creo en los caños
en el agua
que tiñe las aguas
en las radiaciones
que modifican sin alterar
El rojo vivo
no me deja renacer.
Ellen Maria
7.11.14
Bienes
Lavábamos todo junto
Colgábamos entre los dos
yo pasaba mi mano en tu pelo
tú me planchabas el vestido
Salíamos oliendonos rico de casa
Siempre con ganas de quedarnos
tú encharcando sábanas
yo mordiendo almohadas
Después discutimos por un xampú
o era acondicionador? anti caspa
tú te fuiste con la cama
yo cambié la soga
Ya viste cuánto cabe en un tendedero de techo?
De nuestra casa cerré las ventanas
y un año después también me mudé
Al final nunca más pedí a nadie
que sacara la ropa
porque iba a empezar a llover.
Ellen Maria
Colgábamos entre los dos
yo pasaba mi mano en tu pelo
tú me planchabas el vestido
Salíamos oliendonos rico de casa
Siempre con ganas de quedarnos
tú encharcando sábanas
yo mordiendo almohadas
Después discutimos por un xampú
o era acondicionador? anti caspa
tú te fuiste con la cama
yo cambié la soga
Ya viste cuánto cabe en un tendedero de techo?
De nuestra casa cerré las ventanas
y un año después también me mudé
Al final nunca más pedí a nadie
que sacara la ropa
porque iba a empezar a llover.
Ellen Maria
4.11.14
Desague
Dos rayitas de color
y otra vez el miedo
de la sangre
que siempre estuvo por venir
y que yo termine
echando un producto azul
para limpiar el váter.
Dos rayitas de color
y otra vez el secreto
de blindar cualquier sonrisa
antes del tercer mes
y la espera eterna
de quien nunca vio
el sol nacer.
Dos rayitas de color
y otra vez el silencio
el duelo por nadie
a veces tengo ganas
de estar sola
a veces quiero
que todo no se parta.
Dos rayitas de color
y la lectura del prospecto.
Me canso de esa escritura
sin relato.
"Es tan lejos pedir.
Tan cerca saber que no hay."
Ellen maria
y otra vez el miedo
de la sangre
que siempre estuvo por venir
y que yo termine
echando un producto azul
para limpiar el váter.
Dos rayitas de color
y otra vez el secreto
de blindar cualquier sonrisa
antes del tercer mes
y la espera eterna
de quien nunca vio
el sol nacer.
Dos rayitas de color
y otra vez el silencio
el duelo por nadie
a veces tengo ganas
de estar sola
a veces quiero
que todo no se parta.
Dos rayitas de color
y la lectura del prospecto.
Me canso de esa escritura
sin relato.
"Es tan lejos pedir.
Tan cerca saber que no hay."
Ellen maria
At the same time
hilachas
firulas
minha fascinação pelos restos
barganhas
chalaneos
los retos que me sobran
dos homens que eu costumava ter
recuerdos de las varias lenguas
dos homens que eu costumava ser
las ruinas me quedan bien.
Ellen Maria
firulas
minha fascinação pelos restos
barganhas
chalaneos
los retos que me sobran
dos homens que eu costumava ter
recuerdos de las varias lenguas
dos homens que eu costumava ser
las ruinas me quedan bien.
Ellen Maria
26.7.14
[poema gris y sensato]
Salta
y si el paracaidas no abre
Vuela
mientras el piso no llega
Aprovecha
y si te mueres
pues, se acabó el poema.
Ellen Maria
y si el paracaidas no abre
Vuela
mientras el piso no llega
Aprovecha
y si te mueres
pues, se acabó el poema.
Ellen Maria
17.6.14
O meio e a mensagem
Não cai uma gota
desde o ano passado
e na única emissora de rádio
com espaço para música clássica
não há previsão do tempo
mas depois do intervalo
o locutor sem esperança
deixa tocar As Quatro Estações.
Do outro lado
o ouvinte chora.
Ellen Maria
desde o ano passado
e na única emissora de rádio
com espaço para música clássica
não há previsão do tempo
mas depois do intervalo
o locutor sem esperança
deixa tocar As Quatro Estações.
Do outro lado
o ouvinte chora.
Ellen Maria
Assinar:
Postagens (Atom)