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3.8.16

Obvious child

Recitar um poema como uma prece para qual não se espera resposta.

"Existe algo que não ama o muro. Que envia ondas geladas sob ele, que esparrama os pedregulhos ao sol. Avisei meu vizinho além monte. Um dia nos encontraremos para caminhar e para erguer o muro entre nós de novo. Antes de erguer o muro, eu me perguntarei se eu estou me fechando, ou fechando o outro e a quem eu poderia ofender. Existe algo que não ama o muro e quer derrubá-lo."

(Wish I was here - dir. Zach Braff, 2014).

19.6.16

uma flor de buquê

"A flor parece despetala
por mais bela que se apresente
falta um pedaço
o homi não soube regar
as pétalas já caíram
Culpa da sombra
desprezo egocêntrico do sol
tão preocupado em se iluminar
que rejeitou as pétalas
sorte das formigas
Cada pétala perde seu substantivo feminino
alimento do receio
gatilho do medo
medo do sol."

Daniel Bastos

11.6.16

Cavaleiros

"Kanon, o Imortal:
Espere, Milo. Eu não sei como você não se preocupa em deixar Atena a sós com um inimigo como eu.

Milo de Escorpião:
Já não existe inimigo algum aqui. Não há ninguém aqui além de um companheiro. Trata-se de Kanon de Gêmeos, ou seja, um cavaleiro de ouro."

13.11.15

Carta-Resenha

"Aracaju, 8/11/2015.

Minha cara Ellen Maria,

Acabo de ler, neste domingo ensolarado de Aracaju, o seu 'Chacharitas & gambuzinos' e, de fato, me 'foi leve a sua leitura', como desejara você no autógrafo que foi dado no dia 29/10 lá naquele bar na cabeça da av. Paulista que o Eduardo Lacerda converte em animado escritório da Patuá.

Minha prezada, é tão bom quando a gente encontra poesia num livro de poemas. Não me estranhe a afirmação com cara de óbvia. É que as coisas nem sempre têm sido como manda a obviedade: há muitos poemas, e livros de, que se apartam enormemente da poesia - e não me tome também por afetado, elitista ou coisa que o valha.

Diferentemente de quem escreve 'poemas sem poesia' - uns meros pastiches de fenos verbais -, você tem prumo. Senta muito bem à beira deste penhasco. Tem sal, pimenta, olho de lince, grude bom. Maneja o verbo, as emoções, os sentimentos e, gera, como me disse a mim quando era eu adolescente neste negócio o CDA, um grave sentimento de mundo'. Ou, como diz o Gullar, flerta com o espanto eterno em face da vida. Das coisas dela.

E, no seu caso, com um dado mais saliente e plenamente gratificante: você cospe na cara da monotonia. Não é uma poeta protocolar, com tabela de cossenos, carta ao senhor diretor. Ao contrário, tem verve-viva. Sempre revelada em sua iconoclastia que queima feijão, que guarda dinheiro nos tênis, que peida, que fode, que bate punheta, que rememora a família, a casa em que se nasce, que caminha por essa cidade-mundo que é SP, onde há amor e olor de medo e de alegria.

Desde o bar, diante da leitura apressada de 'Teoria do Cansaço' e da 'Insustentável delicadeza do ser', eu já manifestara o meu prazer em lhe ver enunciando o que era pra ser 'sentido com sentido' - você segurou a mesma pisada no resto do livro.

Sim, porque perdoem-me alguns poetas, aqueles 'Brotos de coxa flava e verso manco' e os 'poetas de barba-colar e velutínea' de que fala o mesmo CDA em seu 'Apelo aos meus dessemelhantes em favor da paz', um poema tem que dizer. É da sua natureza: nasce condenado a dizer. Um poema é o carbono do poeta, da vida.

Tem de dizer mesmo que 'o nada', mas no 'nada' ele deve bater na titela do leitor com a lógica do 'sentir' do interlocutor de que fala Octávio Paz - e entender não é o axial. Senti-lo, sim. E você nos faz, mais do que 'sentir', 'entender', e muito, em sua visão, sempre incômoda, irônica, abusada. Diria lírica, do ato de existir.

De um lirismo ácido-moleque que toma pé na tradição jocosa dos 70. Dos 70 de Cacaso, de Ledusha, de Waly Salomão. Leminski? Vom o sabor de o sê-lo via uma guria de pouca barba. Nem prestei atenção em seus flertes com outras línguas para além do espanhol. Vi o que de lusitanamente me disse, e me disse bem. Achei que deveria ter mais cuidado na pontuação de alguns poemas, e senti falta de um índice.

Isso não é uma resenha. É um rascunho de leros para a uma colega 'de profissão', se escrever poesia fosse uma profissão. Daí que eu não saia a catar verso a verso os momentos mais altos da sua poesia. O livro está disponível na Patuá, este grande laboratório do Eduardo. Quem quiser pode beber direto da fonte. Adquiri-lo e lê-lo.

Sem kkks, diria que para ser uma poeta maior e mais completa, só lhe faltaria chamar-se Ellen Maria Martins de Vasconcellos.

Ao ler o poema 'A casa', me chamou a atenção como você e eu tratamos de um mesmo tema com olhar diferente, e lhe passo o que escrevi aqui, no dia 5/6/2014, e que está no meu quinto livro, 'Ainda os Lobos', que a Patuá pretendo publicar. Um beijo, e escreva mais e sempre mais.

Jozailto Lima.

CARPINTARIA

preso à casa; aos olhos
dela. soterrado sob
o caixão da porta principal.

sinto os pregos. a força
dos martelos, a ação
dos homens da carpintaria
e de seus serrotes. o espirro
do barro; os oleiros.

ali, a vida flui e não passa.

as diversas luas e sóis
vão e vêm - e eu lá,
no fundo da madeira, do barro.

cada vez que a casa abre
e fecha, abro e fecho
com ela. movo-me parado.

junto a mim, no fundo do barro
ao calor dos adobes
ao cheiro das madeiras
ao azinhavre dos pregos,
afago a memória
e a anatomia de todas as coisas
que vieram antes,
as que haverão de vir

sem que ninguém jamais
sonhe que naquela portada
há um alguém
que é e está entre argila,
pregos.entre madeiras.

e nada apodrece. tudo
persiste. tudo vivifica,
dá nome a todos os seres
e não distingue a muda das estações.

e ninguém sabe que esse alguém
que sou, emparedado, jamais serei eu."

17.6.15

Take my breathe away

Turning and returning
To some secret place inside
(In: Top Gun Soundtrack, Berlin, 1986)
"respiração
compartilhada boca
à boca sem que sequer
tenham os lábios voltados

ah
vida assistida
eh

nem
porque vivida
já já ela tá de volta

leva todo meu ar
embora
seja depois quem o retorna"


Ricardo Escudeiro

25.3.15

stay

It's not just something
it's given
(In: Unapologetic, Rihanna, 2012)

sobre margens desbordadas

"mergulho num sono
lento navegado
falar contra fronteiras
dizer tua boca
pela matéria que é a minha
deixar escorrer teu nome
dá na mesma

não me assustam mais naufrágios
não quero mais vestir coletes
à prova de últimos abraços
o sonho

fica

dito assim
será que é algo
pedido ou confessado
ou na mesma medida"


Ricardo Escudeiro

16.12.14

Saudade de Ellen Maria

"Como un viento que entra por la costa
como un rumor de alta marea
de abejas que se despiertan al unísono
como una premonición de sereno
como el olor del incendio
todo comienza en mi cabeza
Ahí se agitan los barcos contra el muelle
así se desperezan los erizos
ahí parten las parvadas hacia el sur
Yo ando con un fuego anticipado
Yo cargo el peso de mi cuerpo
sobre una única columna
que en el instante edifica sus mármoles
y tensa sus enredaderas
Qué alienación de mundos
Qué par de islas gemelas
sobre las que yerguen dos volcanes activos
Qué noche tu cabello
derramándose sobre tu espalda
Qué olas quietas rompen en tus tobillos
Quisiera no pensarte tanto, no verte en todo
pero tu cuerpo salta del paisaje
invade como el mar bajo mi piel
como un ejército de hormigas
como un himno en las iglesias
como un temporal como la arena
La soledad es un tesoro que desprecio
una tierra a la que renuncio
un trono sin pueblo ni lacayos."

Manuel Colina

10.12.14

Descubrimiento verde y sol en un páramo indecible

A Ellen
"Donde
            viejas ciénagas
            prístinas aguas
donde
           la negación de la piedra
           y la reivindicación del musgo
donde
           la trágica gota
           rompe en claros
           veloces colibríes
donde
           antes ruinas, abandono
           abatimiento
donde
           una tranquila emergencia
donde
           abrevan fúricos
           caracoles de viento
donde
           cáusticos leucócitos
           se amotinan
           contra los pronósticos
yo
           que entre otras palabras
           no creo en el alma
sin más
           dejo caer esa
           como el lugar donde me habitas."


Manuel Colina.

30.7.14

Olhos espreitados

A Genial Ellen
"Mira espreitada as linhas em branco
Olhos grandes "Betty Boop" de São Paulo.
Mira palavra certeira na mosca da questão
Gênio sorrateiro, sincera opinião.

Mira um corpo deitado num leito,
Mira uma pessoa com dor no peito.
Mira uma cobra e a mata no chão.
Mira o futuro-tristeza, uma saudade sem fim.

Escreveria um soneto
Traria flores de Soweto
Só pra ver o seu sorriso.
Mas confesso...
Sou fraco quase indeciso.

Linhas retas. Cobertas. Quem sou eu?
Difícil imaginação aguçada,
Agulha fina indolor
Que espeta minha mente
Nas tuas estórias sem amor."


Lucas Pereira (Boaz Ben Avraham)

28.3.14

O elefante

"Talvez... um elefante passe por aqui... Talvez 
não acredite e nem queira acreditar... 
Talvez acredite ou talvez nem queira escutar 
Mas era preciso que escrevesse isso 
que me fez pensar em tão sonoro soneto 
Longe das rimas e frases de Hermeto 
A minha rima é mesmo essa sem pensar 
essa que se faz na hora de falar 
Enfim o elefante, ellenfante, 
o el infante voltou e voltou para ficar? Talvez... 
El infante na infancia 
(menino quem foi seu mestre?) 
el infante na infantaria... 
(meu mestre foi Salomão) 
el infante príncipe del rei 
(a ele devo respeito) 
el infante na corte se divertindo 
(dever e gratidão) 
el infante sendo rei de seu próprio coração 
(quem sabe o segredo de São Cosme é São Damião...)"


Felipe Ribeiro

14.10.13

ele/ela

"Flávia? Oi. Vc tá falando com quem? Com o Alan. Hummm... Pergunta se ele vai no Belas Artes. Ele disse que vai. Ta, deixa eu falar com ele depois. Alô, Alan. Fala Juliano! Então você vai no belas artes? Vou sim. Vamo aê? Ah então, não vou. Mas queria que vc me fizesse um favor meio estranho. Fale. Então... preste atenção lá. Se você ver uma garota baixinha e com cara de brava, pergunte se o nome dela é Ellen. Se for, fale que o Juliano mandou um abraço!... ou melhor, um abraço só não. Um abraço e um belo de um beijo, ok?... Como assim? Haha, então, preste atenção apenas. Beleza.
Será que é ela. Ah, desencana. Se bem que parece. Parece com aquela foto em que ela está de cabelo molhado. Nossa, bonita ela. Mas não deve ser. To olhando e ela não faz nada. Desencana. Não. Ai. Juliano! Tá na hora! Vamo pro milo ou não? Vamo, vamo. Não. Vai lá, porra. A Megera Domada. 2005. Direção de Davi Richard e lembrou dela. Fale que você outro dia ouviu kings of convenience e lembrou dela. Tímido. Oi, seu nome é Ellen? Encabulado. Tudo bem? Confuso. Não me lembro que se foi assim que cumprimentei. Rápido. Confuso. Quente. Ela estava suando. Achei engraçado, mas quando olhei eu também estava. Molhado. Foi bom. Bem bom. Cheguei em casa, exausto. Estou exausto. Durmo ou não durmo? Não dormi. Não na hora. Fui na padaria primeiro. Comprei e comi pão de queijo. Agora sim durmo."

Juliano Domingues

27.8.13

Té para tres

Y si te escribo un poema que hable de amor
oirás vos?
al menos un poema
ya que me falta voz.

Cena:
Y cuando al maíz le falta sal
lo echamos a la olla con sazón
Después lo comemos con más ganas
La espera produce más salivación.

Entrada:
Corazón pendejo se enamoró otra vez
Y de un buen tipo que habla portugués
Por suerte escribo en español fluido
Ya que amar quien ama otra
no tiene ningún sentido.

Primer plato:
Es verdad que no me gusta estar en esta situación
Mejor que me vaya, antes que haya traición
La hora es ahora: sin dar ninguna explicación
Pero el punto es (como decía la canción)
Uno no elige de quién se enamora.

Segundo plato:
Que tu novia no me escuches
Aunque te prefiero soltero
Pero antes la mitad
que pa' ella tú entero.

Vino para acompañar:
No me alcanzarás la mano para este baile?
una valsa que termina en olvido
A las doce, cenicienta vuelta al barrio
y tú vuelves solo... a ser mi amigo.

Postre:
Y pensar que esta historia sólo existe en mi cabeza
y después de la comida ya está todo acabado
miércoles que viene en la misma mesa
Escenas inventadas de un romance destrozado.

24.6.13

A ti te gusta el sexo no a mí

Fantasia
é sentir poesia
fazendo sexo.
Valentia
é sentir sexo
lendo poesía.
(Ellen Maria Martins de Vasconcellos)

"Los juegos del destino: ella viene, tú estás, recorren un mismo espacio (deja el asiento, lo tomas; abres la puerta que acaba de cerrar; observan en tiempos distintos los detalles de un techo de cristal) sin conocerse y sin molestarse por ello. Se va pero en poco años vuelve (siempre volverá), se miran, hablan, beben, se besan y descubren que anteriormente –sin saberlo y sin haberles importado- han sentido sus olores. ¡Ah, qué extraño! ¡Sí! ¿También naciste el mismo día! No solo eso, tú me filmaste en el evento. Imposible. Te muestra un video donde casi que la ignoras con la cámara. Se siguen besando. Se aman. Furtivamente, es cierto, ninguno quiere y es mejor no aceptarlo, pero se aman.

Descubrimiento del cuerpo: no tiene mayor importancia volver a hacerlo una o diez o cien o mil veces más porque en lo que va de tu vida descubriste que hay cosas más placenteras que el sexo y creíste en ello aun antes de que otro lo dijera o lo leyeras en algún lado o simplemente imaginaste que un pensador importante profesaba lo mismo y te alegró la idea de no ser el único en sentir ese pequeño desprecio por el coito y asumiste una posición imposible de sostener después de haberla visto llegar al orgasmo tres veces consecutivas y sentir que a pesar de tu mal estado físico no querías dejar de sentir el calor de su espalda y la humedad de sus piernas ni abandonar sus pechos ni cintura o sus gemidos aun a costa de caer en el fracaso conceptual ideológico y epistémico que suponía tu incontrolable deseo de tenerla siempre desnuda.

Reflexión: consideras que sería bueno escribir al respecto, pero no sabes por dónde empezar. ¿Qué título le pondrías? ¿Cómo revelarás tu nueva perspectiva sobre el sexo sin ser tan estúpido de escribir en el encabezado algo que explicite: “Me gusta el sexo”? Comienza el desánimo. Dejas tu escrito a medias. Tranquilo, hombre, está todo bien. Piensa que es como el sexo: aburrido, no siempre llegas a terminar como quieres. Entonces observas que soy un pobre imbécil que nunca tuvo buen sexo y vuelves sobre el teclado. Tratas, pero no avanzas mucho. Oyes música y por azar llegas a un blog de poesía. Sin muchas ganas lees unos versos: funciona. Sigues leyendo y al poco tiempo encuentras un breve poema que te hace abrir los ojos y sonreír: acabas de hallar la punta que desenreda todo el ovillo que tienes en la cabeza. Improvisas un análisis a tu conveniencia. Decides que aquel poema será el epígrafe de tu "ensayo".

Exégesis a la medida: lo único que nos interesa señalar en nuestro análisis es la importancia del “sentir”, que finalmente es el verbo principal de todo el poema: para la voz lírica es fantástico (en la medida que sobrepasa los límites de lo común y lo normal) cuando se practica el sexo pero lo que siente es otra cosa: poesía. Esto nos permite deducir que el camino, el nexo o la conexión por la que podemos acceder a algo tan abstracto, intangible y sublime como la poesía, lo encontramos en algo tan concreto, palpable y físico como el sexo. Es decir que el sexo (el bueno, claro) es un camino de placer ascendente: va de lo terrenal a lo astral. Respecto de los demás versos diremos que en esta ocasión no aspiramos a agotar las posibilidades de análisis de un poema tan rico como este y hallamos conveniente concluir nuestra exégesis en este punto.

Secretos del analista: aunque te parezca vulgar y te avergüence admitirlo, sentiste – y más de una vez- ganas de conocer a la poeta y acostarte con ella. Aún ahora piensas: quien sugiere que el sexo se esgarza con la poesía, sin duda, debe tener el mejor sexo del mundo: el tipo de sexo que ahora en adelante siempre esperas tener: la segunda vez mejor que la primera y la tercera mejor que la segunda y así hasta no poder mover las piernas. Pero no te preocupes, quién te dice que un día no vas a Brasil, se conocen, te presentas como un admirador –aunque en el fondo sabes que eso de admirar es, más bien, un recurso bien sabido por ti para parecer simpático- y así ella accede a mostrarte ese maravilloso sendero por el que se llega a sentir la experiencia lírica en la propria carne.

Conclusión y protección: después de todo algo más te intriga y es que no sabes cómo hacer para que cuando publiques esto los demás no crean que fuiste tú quien lo escribió y sabes que eso de que el autor “real” y el narrador no son la misma persona no te va a funcionar con tanto cojudo suelto si ni siquiera los estudiantes de literatura entienden bien la diferencia menos lo entenderán tus padres o tu novia que seguramente pensará pero conmigo nunca ha tenido buen sexo quién es esa perra que le ha enseñado y se armará la grande pero en tus cincos minutos de genialidad se te ocurre valerte de un recurso estilístico bastante utilizado en toda la literatura de occidente y es casi ofensivo que solo se te ocurra esto pero no intentas hacer una revolución estética solo deseas evitar las explicaciones a la gente cercana que leerá tu texto incluso si algún día conoces a la poeta del epígrafe podrás decir que eso de tener sexo con ella solo fue parte de la ficción y con ese supuesto desinterés tuyo puede que generes cierto interés de su parte y terminen teniendo sexo como realmente quieres entonces la solución es tan buena y tan simple como crearme a mí a un narrador que rara vez abandone la segunda persona y de este modo hacer cargo al lector de un sentimiento de culpa o vergüenza que es solamente tuyo y entonces el incauto pensará en todas las veces que ha tenido malas relaciones y en la persona que por primera vez hizo que lo disfrutara y así olvidará que eres tú quien revela que apenas ha descubierto que el sexo es uno de los grandes placeres de la vida y no él ni yo y aunque me siento mal por ello no puedo hacer más que seguir obedeciéndote despiado escritor pero además como eres excesivamente desconfiado decides volver a quitar todos los signos de puntuación para distraer a cualquier lector experimentado que pueda descubrirte acusarte con tu novia y así arruinar tus planes y ese temor te hace pensar que para mayor distracción y confusión podrías seguir explicando lo que escribes como la aparente impertinencia del primer párrafo donde hablaste o me hiciste hablar de un supuesto amor pero todo esto ya te fatigó y finalmente piensas en el último elemento de tu jueguito dizque literario el cual consiste en  colocar en el título una afirmación que implica al lector y que supuestamente yo anuncio y tratas de convencerte de que con ello basta pero no logras ver en tu torpeza que el título va dirigido solo a ti porque todos sabemos que Manuel Acevedo no existe por ende el narrador tampoco y bien sabes que tu lector es apenas otra desesperada construcción ficcional lo cual finalmente comprueba que ninguno de nosotros gusta del sexo como tú.

Manuel Acevedo"

1.4.13

Argumento

"Y qué tiene de malo
si amo a alguien que no tengo,
que no puedo tener,
que tal vez nunca pinchi vea cara a cara otra vez?
Qué, qué?
Si el destino, la utilidad, la felicidad se joden cada día
dejenme a mí al menos estas pequeña felicidad
y no iré quejándome
que hay dolor. Pues sí! Dónde no?
Por qué el suyo sería más real o fundado que el mío?
Por qué mi felicidad sería absurda, aunque lo sea si lo es
si al fin de cuentas es mía
y si esto para algunos es cerrarse
por qué no dejar que me abra
así sea locura?
Y si es locura
qué amor no es mitad locura?
Y cuál cordura de razón sería la que me descalificara
si de tanto comer, tener y desechar el mundo se pudre ahora?
Y si el mundo están tan jodido
pues me dejamos en paz
que al fin de cuenta el amor será la fuerza
para repararlo.
Y además, la amo y punto,"

Francisco Alonso

24.11.12

Um café pra você

"Parece que aquele café funcionou mesmo. Não sei se pra bom ou pra ruim. Pra falar a verdade eu cheguei a pensar as duas coisas. Primeiro quando vc apagou a luz e eu, deitado, vi que não ia conseguir tão fácil assim, foi ruim. Fechei os olhos, esperei o sono vir, mas ele não vinha. Tava tudo escuro. Tinha passado pouco tempo, mas acho que vc já estava dormindo. Resolvi levantar, mas daí desencanei pensando "ela vai achar que isso é charme só porque eu disse que tenho problemas pra dormir às vezes... e blá blá blá e ainda é capaz de me chamar de blazê".
Decidi ficar te olhando então. Ficar te encarando de perto, com meu rosto quase colado no seu, que eu não sei se vc já percebeu, mas é como eu gosto de te olhar... bem de perto. Passou um tempo. Minha pupila dilatou. O quarto já não estava tão escuro e eu conseguia ver seu rosto razoavelmente. Comecei a me divertir. Deitado mesmo. quando vc não estava de costas comigo te abraçando, eu ficava vendo o seu rosto de perto, tentando ver aquela leve penugem que toda pele tem, quase não conseguia. Daí ficava encarando o seu rosto de várias formas diferentes. Às vezes, com os dois olhos abertos, às vezes com o esquerdo e outras só com o direito. Ficava olhando o seu nariz. Dormia um pouco, acordava, dormia mais, acordava hora com calor, hora com frio. O quarto foi ficando mais claro e eu via mais detalhes. Ficava olhando uns pontos que vc tem no rosto, não sei se são espinhas. Que vergonha te contar essas coisas. Não pense que sou retardado.
Reparei que você se mexe bastante. Ou melhor, vc se mexe demais. Ora uma posição, aí muda, deita de costas, muda, deita de um lado, de outro, virava de barriga pra cima e colocava o cobertor sobre o rosto. E eu ficando horrorizado com aquela cena pensando em como devia estar sufocante ali dentro. Daí virava de novo. Virava de lado e punha de novo o cobertor na cara, afff... Daí eu tentava dormir e reparei - não se zangue - que horas vc respira forte quando dorme, não é toda hora, mas tem vezes que vc respira bem forte. Chegava a quase ser um ronco e, em alguns momentos, até era mesmo. Outra vez fico horrorizado pensando "meu deus, como uma moça deste tamanho consegue roncar assim. Será que é porque ela falou que tava com a garganta zoada?". Daí vc vira novamente. Minha cabeça está encostada no travesseiro e o seu rosto fica de frente pro meu. Você me faz um leve carinho encostando o seu nariz no meu e eu adoro. Sua respiração se torna leve, eu fico te olhando ali, assim, e durmo."

Juliano Domingues

17.12.11

Soneto da Permanência

"Ao passo que tudo sempre vem e passa
Na ampulheta do tempo, se vê e esquece
Do Sol que se põe quando o dia fenece
O destino mortal a todos enlaça

Mas vossa beleza, Senhora, abraça
Quem vivencia vossa voz feito prece
E do sol o esplendor que em vós a luz tece,
E em mim permanece em imagem de graça

De Deus sois obra-prima; Dele, a parte
Digna de eternidade, qual poesia,
No sopro dos céus, Dionísio nos fala;

Vós tornastes efêmera toda Arte
Sois, pois, na Terra, de imortal maestria
Sinal único, que o tempo não cala."

Carolina Rocha