Mostrando postagens com marcador traduções delas. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador traduções delas. Mostrar todas as postagens

23.7.16

Não tenho a antiga ternura

"Não tenho a antiga ternura pelo meu corpo
mas o tolero como um animal de carga
que é útil apesar de exigir muitos cuidados
e traz dor e alegria e dor e alegria
às vezes fica imóvel de tanto prazer
e às vezes serve de abrigo ao sono

conheço os seus corredores inuosos
sei por qual deles chega o cansaço
e quais tendões o riso estica
e lembro do gosto único de lágrimas
tão parecido com o de sangue

os meus pensamentos-- um bando de pássaros assustados
eles alimentam-se do campo do meu corpo
não tenho para ele a antiga ternura
mas sinto mais forte do que antes
que não alcanço nada além das minhas mãos esticadas
e nada acima daquilo ao qual me levantam as pontas dos meus pés

Halina Poswiatowska, trad: Magdalena Nowinsk

11.1.16

Diarios

"(...) los nombres de los pájaros son tu nombre, y la noche su único canto. Ahí me quedo, ahí aprendo casi todo sobre tu cuerpo cubierto de aves. Me pasa durante la noche, despertar con la cabezza llena de insectos, de zumbidos espantosos, luminosidades aladas, pequeños astros de arena circulando terriblemente deprisa. Me asusto, me quedo tranquilo después, entiendo que todo esto es el alimento que los pájaros defienden, y que el susto es la sustancia fantástica de la que está hecha la noche. entonces, me siento en la cama, cierro los ojos y espero que el blanco de la madrugada coagule en mis párpados, inmovilizado durante horas el hilo, allá fuera el día calienta bajo el resplandeciente sol, medito, programo fugas, planeo la manera más facil de evadirme de esta celda, sin herirme. recojo la ceniza incandescente de la noche, palpo el cuerpo, despierto lentamente, me junto a él y al latir del corazón, me levanto y abro la ventana, ensayo los gestos que utilizaré durante el día, remiendo la máscara que me esconde y que cada noche se rasga, avanzo, avanzo hacia el espejo, recompongo el rostro - como el pintor compone una naturaleza muerta - sin prisa, me reconozco, grito sin soltar ni un solo ruido, hablo sin pronunciar palabra, me interrogo hasta que el día ocupa la superficie del espejo y mi imagen coincide conmigo, desaparece del espejo, cautelosamente, junto a las paredes, camino dentro de mí con la certeza de que la máscara se adhiere con perfección al rostro que se abre al mundo y lo niega."

Al Berto
Traducción: María Mercromina

14.8.15

O que faz um poema ser um poema?

"[Minha leitura se chama
O que faz um poema ser um poema?
e vou ligar o cronômetro]

Não é a rima das palavras no fim da linha
Não é a forma
Não é a estrutura
Não é a solidão
Não é o espaço
Não é o céu
Não é o amor
Não é a luminosidade
Não é o sentimento
Não é a metrificação
Não é a época
Não é a intencionalidade
Não é o desejo
Não é a temperatura
Não é a esperança
Não é o assunto escolhido
Não é a morte
Não é o nascimento
Não é a paisagem
Não é a relação de palavras
Não é o que há entre as palavras
Não é o cronômetro
Não é o...
É o tempo."

Charles Bernstein
Tradução: Marília Garcia

25.1.15

União

"o que significa a união dos escritores
é sem falta fazer assinatura
do jornal ucrânia literária
lembrar os bons tempos soviéticos
quando havia moradias gratuitas
deixar crescer bigodes cossacos
uma vez por ano escrever um artigo
sobre a degradação espiritual da nação
em casa ocasião citar a si próprio
levar colegas para tomar um gole
enxaguando-o com um suco de tomate para dois
inflamar-se no jubileu seguinte
conseguir comer o último sanduíche
ou então embrulhá-lo no guardanapo
e meu deus em toda a vida
não escrever nada que preste"

Andriy Lyubka
Tradução: Vira Vovk