segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

"Resumindo, você sofre porque não é o diálogo o que busca, e sim um ouvinte passivo para seu monólogo. Você não sabe muito bem o que pensa e sente até exteriorizar. E ao fazer diante do outro, pela primeira vez, percebe que não está certo do que pensa, sente ou exterioriza. Está inseguro, indefeso, e se arrepende do dito, quase sempre, no segundo seguinte, mas já é tarde para regressar a palavra à boca. Prove conversar sozinho diante de um espelho, a olhar em seus olhos. O quanto você se conhece? Quando você deixar de encenar enquanto fala, e passar a se enxergar apenas como o emissor de seu enunciado, estará curioso o bastante para querer enxergar e conhecer o outro em todas as suas particularidades, e não como uma cópia de si mesmo. Quando o outro é verdadeiramente o outro, as suas possibilidades de respostas e reações são infinitas, e logo, além da frustração praticamente desaparecer por você não buscar mais ouvir aquilo que esperaria somente de você mesmo, o diálogo passa a fluir, como sede e água."

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